Blog Comer Sem Culpa

16/12/2013

O sonho da longevidade cada dia mais real

Estamos vivendo mais diz o IBGE. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida da mulher brasileira alcançou 78,3 anos e do homem, 71 anos em 2012. Esses dados foram publicados recentemente e nos enchem de esperanças de uma vida longa. Mas a medicina vem trabalhando e pesquisando esse aspecto há muito tempo em busca de um sonho muito antigo da humanidade. O de viver mais.

Vamos conhecer dois personagens que recente nos deixaram perplexos. Trata-se de Canto e Owen, dois macacos rhesus de 25 anos de idade e que mais parecem pai e filho. Canto, à esquerda, magro e com aparência saudável, foi submetido a uma restrição calórica. Owen, à direita, gordo e envelhecido, sempre recebeu ração farta. Essa imagem pode revelar as expectativas dos estudos científicos frente às possibilidades e benefícios de se comer pouco.

A restrição calórica sem desnutrição pode mesmo retardar o envelhecimento, pelo menos é o que mostram muitos estudos científicos, tanto em animais, quanto em humanos. Em 2006, o primeiro estudo em humanos submetidos à restrição calórica durante 6 meses foi realizado no estado americano de Louisiana pelo Dr. Eric Ravussin e sua equipe. Eles encontraram dois marcadores de longevidade positivamente relacionados à intervenção nutricional de baixas calorias. Os pacientes foram submetidos à redução calórica de até 25% da deita.

Esse efeito parece ocorrer devido à redução do metabolismo basal e, consequentemente, da produção dos radicais livres. Além disso, essa intervenção nutricional pode levar a mudanças na demanda hormonal, principalmente de insulina, bem como interferências na função neuroendócrina e resposta ao stress. Isso pode parecer estranho, mas já temos marcadores laboratoriais e clínicos desses efeitos.

Esta teoria não preconiza atitudes extremas, não ensina a reduzir drasticamente calorias e nutrientes, não pretende deixar ninguém desnutrido. Até porque também é bom lembrar que os extremos de magreza também estão relacionados à maior incidência de doenças crônicas, ao câncer e ao aumento da mortalidade por essas causas. A teoria da menor ingestão de calorias tenta elucidar e explicar o porquê do envelhecimento. É um ponto de partida para começar a entender a vida e as possibilidades de preservá-la.

 

Comer pouco parece benéfico, enquanto comer muito, já não temos dúvida, é maléfico. O sobrepeso e a obesidade são problemas sérios e estão associados às alterações na insulina, nas gorduras do sangue, no aparecimento da aterosclerose e do câncer. As evidências de que a obesidade está relacionada com a aceleração do envelhecimento e a redução da expectativa de vida das pessoas já são certezas científicas.

Por Citen às 16h26

09/12/2013

Obesidade e Depressão

Todos os dias nós atendemos obesos deprimidos em nossos consultórios. Nos divãs dos analistas é grande a incidência de obesos. Não há dúvida quanto à associação de obesidade e depressão. Cerca de 30% das pessoas que procuram tratamento para emagrecer são depressivos. Além é claro dos inúmeros casos de melancolia e tristeza em lidar com algo tão difícil, ter que se policiar sempre, não poder se soltar nunca. Nas consultas médicas que tratam o assunto, o choro é a regra.

A ideia que temos de nós mesmos é um grande impulso para o sucesso ou para a derrota em todos os embates da vida. Os obesos carregam “o peso” de que não são capazes de vencer a guerra contra a balança, principalmente após inúmeras tentativas frustradas de emagrecer.  Eles até continuam tentando perder peso, mas sem nenhuma confiança de que isso seja possível. Quando eles vêm ao consultório, nosso grande desafio é fazê-los acreditar que podem perder peso.

As frustrações em relação à imagem corporal começam na infância gerando conflitos na escola. Avançam pela puberdade, onde já existe uma insatisfação com as formas corporais e alcançam o adulto que sofre preconceitos velados e dificuldades reais como se posicionar em assentos públicos, comprar roupas adequadas à sua numeração e se enxergar tão fora dos rigorosos padrões de beleza corporal. Tudo isso concorre para uma atitude de isolamento social, baixa autoestima e depressão.

Quem vem primeiro, a obesidade ou a depressão? Sempre pensamos que a obesidade leva à depressão, mas muitas vezes, a depressão leva à obesidade. Isso pode ocorrer quando a depressão se acompanha de ansiedade e compulsão alimentar. Além disso, a maioria dos medicamentos utilizados para o tratamento da depressão leva ao ganho de peso e isso não pode ser desconsiderado na avaliação desses pacientes.

Os sintomas depressivos também podem estar mascarados pelos sintomas da obesidade. É comum entre os obesos sinais de apatia, sonolência, dores no corpo, desânimo e fadiga, muito freqüentes também nos quadros depressivos. Há poucos dias, foi publicado na revista Clinial Obesity  mais um estudo sobre esse tema. Nele, os autores chegam à conclusão de que nas pessoas obesas que optam pela prática de atividade física regular, a ocorrência de depressão é menor. Esse efeito pode ser constatado diariamente entre os nossos pacientes obesos. Eles se mostram mais motivados e otimistas quando engajados em uma prática diária de atividade física, principalmente quando ela for prazerosa e adequada ao perfil de cada um deles. Vale à pena investir nisso! 

 

Por Citen às 11h42

03/12/2013

A obesidade masculina e risco de câncer de próstata

O câncer de próstata é o segundo câncer mais frequente nos homens brasileiros e a boa notícia é que com a evolução dos métodos diagnósticos e prevenção, a Sociedade Brasileira de Urologia tem sido mais liberal com o momento ideal para se iniciar as consultas urológicas e os exames específicos. Essa é uma tendência mundial. De agora em diante, eles deverão começar o acompanhamento a partir dos 50 anos de idade e não mais aos 45 anos como se preconizava anteriormente.

As orientações são bem diferentes para os homens obesos. Neles, vários aspectos tornam o câncer de próstata mais agressivo, além de dobrarem as chances de recidiva após a cirurgia inicial de um tumor. Os valores do PSA são mais diluídos no grande volume sanguíneo dos obesos e caem normalmente com o aumento do peso, falseando o diagnóstico. Nos obesos há aumento relativo do hormônio feminino e queda do masculino e isso pode influenciar negativamente a incidência de tumores. O aumento natural do volume prostático nesses pacientes, bem como a dificuldade técnica de se fazer uma biópsia de próstata dificultam o procedimento e atrasam o diagnóstico. Finalmente, os obesos geralmente têm maiores níveis sanguíneos de insulina e de um hormônio similar a ela chamado IGF-1 que estimulam o crescimento celular e a possibilidade de formação de tumores.

Portanto, a boa nova vale apenas para os homens não obesos, pois para esses, o momento ideal para se realizar tais procedimentos de investigação ainda é em torno dos 45 anos. Nesse sentido, temos aqui mais um dos grandes desafios da obesidade. Sua inquestionável predisposição ao câncer, sendo o câncer de próstata um claro exemplo disso.  

Por Citen às 14h14

28/11/2013

A moda agora é comer gordura para emagrecer

Como assim? E eu que já pensava ter visto e ouvido tudo de maluco em forma de dieta de moda! Todos os dias, mais e mais pacientes chegam ao consultório relatando que vem ingerindo gordura para emagrecer. Óleo de coco, óleo de cártamo, óleo de abacate, óleo de chia e de linhaça. Alegam que são ricos em ômegas, as famosas gorduras do bem, que têm ação termogênica, que aceleram o metabolismo, que aumentam a saciedade, que retardam o esvaziamento do estômago...

Vamos aos fatos. O óleo de coco aumenta o risco de doença cardiovascular e não temos nenhuma evidência dos seus benefícios. O óleo de cártamo é rico em ômegas 3 e 6, mas essas gorduras também estão presentes nos óleos vegetais tão conhecidos nossos como o de soja, canola e milho. Cozinhando com eles, já teremos os benefícios.  O óleo do abacate é rico em ômega 9, a mesma gordura boa do azeite. Melhor seria usar azeite na salada e comer o abacate. Os óleos de chia e linhaça ajudam na saúde do coração, mas não há evidências de que levam à perda de peso e suas sementinhas seriam muito mais saudáveis, por serem ricas em fibras, do que o consumo da sua gordura.

Mesmo com todas as evidências, as pessoas precisam de uma novidade anualmente. Mesmo que seja totalmente impossível de haver alguma relação com a perda de peso. Parece que somente assim conseguem levar em frente um projeto para emagrecer. O fato é que passam a comer menos, ingerem mais água, reiniciam atividade física, se sentem motivadas e perdem peso. E juram que as várias colheres de óleos ingeridas ao longo do dia foram milagrosas! 

Por Citen às 14h42

26/11/2013

Uma nova medicação para reposição hormonal masculina e muita cautela nessa hora

No homem a redução dos hormônios sexuais ocorre de maneira muito mais sutil que na mulher. Não há uma queda tão definida nem um fenômeno tão marcante quanto  a menopausa. O que sabemos é que neles, a testosterona, o principal hormônio masculino, começa a cair por volta dos 40 anos de idade e daí por diante a perda pode alcançar 1 a 2% da produção hormonal masculina anualmente.

Os sintomas também não são nada característicos como na mulher. Nelas, as ondas de calor não deixam dúvidas de que o climatério chegou. Neles, o declínio dos hormônios sexuais masculinos, a chamada andropausa, ainda não é aceita por muitos estudiosos no assunto. Isso porque seus sintomas lembram muito mais o processo de envelhecer e não ocorrem como um fenômeno fisiológico em todos os homens.

A disfunção erétil e a redução da libido talvez sejam os sintomas mais característicos da andropausa. Mesmo assim, a sexualidade pode sofrer influências de muitas outras causas orgânicas e psíquicas e que nada tem a ver com o declínio do hormônio masculino. Por isso, o diagnóstico deve sempre ter a comprovação das dosagens desse hormônio, além dos sintomas.

Além das alterações da esfera sexual, os demais sintomas que acompanham a redução da testosterona são ainda menos específicos. Redução da massa muscular e óssea, fadiga crônica e desânimo são queixas de muitos homens após os 50 anos e a maioria deles não tem a queda de testosterona que nos permite fazer o diagnóstico de andropausa. Talvez o stress da vida moderna, as demandas profissionais e familiares e a própria expectativa masculina possam estar atuando com mais força do que o declínio hormonal.

Uma vez estabelecido o diagnóstico, a reposição do hormônio masculino pode ser realizada desde que não haja contra-­indicações. As mais importantes são as doenças da próstata ou até as alterações inespecíficas do PSA. Hoje, no Brasil, nós contamos com três medicamentos com hormônio masculino para reposição hormonal, todos eles injetáveis. Uma nova formulação à base de testosterona está chegando ao mercado brasileiro sob a forma de desodorante e deverá ser usado diariamente, pela manhã.

Há, entretanto, riscos que devem ser monitorados, principalmente devido ao potencial da testosterona em agravar a tendência do aumento da próstata que ocorre com a idade e em estimular uma doença prostática não diagnosticada, entre elas, o próprio câncer de próstata. É bem certo que o hormônio masculino não causa o câncer de próstata, mas também é definitivo o conhecimento de que ele pode ser o gatilho para o crescimento de um tumor maligno até então inativo. Outras complicações do uso crônico do hormônio masculino são o crescimento das mamas, efeitos tóxicos para o fígado, aumento do colesterol e maior risco de hipertensão arterial e apneia do sono.

A reposição hormonal só está indicada para os homens com níveis baixos de testosterona e sintomas sugestivos do efeito dessa alteração. Estima-se que 3 a 30% dos homens se enquadram nesse perfil e somente eles são candidatos à suplementação. São candidatos, pois mesmo eles, podem ter contra indicações ao uso da medicação. 

Por Citen às 14h42

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

Histórico