Blog Comer Sem Culpa

30/08/2010

São mesmo protetoras as bactérias dos iogurtes?

 

A alegação de funcionalidade dos iogurtes se deve ao fato deles conterem microorganismos vivos, como os lactobacilos, que exerceriam múltiplos efeitos protetores, como a melhora da imunidade intestinal contra bactérias patogênicas e vírus, além da prevenção de doenças gastrintestinais inflamatórias.

 

As principais dúvidas quanto à funcionalidade dos iogurtes são referentes à real resistência desses microorganismos durante o trânsito gastrintestinal, à  falta de regulamentação de uma quantidade mínima de cepas de bactérias probióticas que exerceriam tal efeito protetor e quanto ao chamado tempo de prateleira, durante o qual essas bactérias deveriam se manter viáveis para exercer tal efeito.

 

Recentemente a EMEA, Agência Européia de Medicamentos, vem realizando um trabalho de avaliação dos benefícios dos alimentos industrializados que prometem melhorar a saúde das pessoas. Os resultados preliminares não têm convencido os especialistas europeus do potencial funcional dos iogurtes probióticos.

 

Todas as alegações de benefícios desses produtos se baseiam em pesquisas feitas com animais ou pessoas doentes, ao passo que a grande utilização destes produtos é feita por pessoas saudáveis. Logo os iogurtes são reconhecidos como alimentos saudáveis, principalmente os desnatados, importantes fontes de cálcio e proteínas, mas ainda não há comprovação científica da funcionalidade dos mesmos. 

Por Citen às 09h09

26/08/2010

Além do valor nutricional, será que a soja é funcional?

  

 

Não há dúvida de que a soja é famosa entre os alimentos super poderosos. Entrou e saiu da lista de vedetes várias vezes. Os estudos iniciais encontraram na soja a solução para diversos males, desde o infarto agudo do miocárdio até alguns tipos de cânceres, como mama, útero e próstata. Mais tarde ela foi duramente questionada por vários pesquisadores que obrigaram as sociedades médicas a reverem as antigas alegações de funcionalidade.

 

O que conta a favor da soja é que sua proteína é rica em gorduras insaturadas, sabidamente protetoras à saúde cardiovascular, ao passo que nas carnes vermelhas, a proteína se associa à grande quantidade de gorduras saturadas, conhecidas por elevar o colesterol. Além disso, a soja é rica em fibras, vitaminas e minerais, o que faz dela um alimento de riquíssimo conteúdo nutricional.

 

Com relação à saúde da mulher, há um consenso entre os estudiosos no assunto de que as isoflavonas da soja não melhoram as ondas de calor relacionadas à menopausa. Os possíveis benefícios atribuídos à soja são frutos das oscilações naturais desses sintomas no climatério.

 

Atualmente, os estudos indicam que a ingestão de grande quantidade de proteína de soja pode até causar pequena redução do colesterol, principalmente quando substitui a proteína de origem animal das carnes vermelhas. Ainda não há um consenso, mas a tendência atual é considerar  a soja um alimento saudável e não um alimento funcional.

Por Citen às 20h26

24/08/2010

Alimentos poderosos ou remédios?

 

Como você escolhe seus alimentos? Você pensa neles como nutriente ou como remédio? Afinal, a lista de feira de algumas pessoas, mais parece a gôndola de uma farmácia: berinjela para reduzir o colesterol, casca de maracujá para o diabetes, tomate para proteger contra o câncer de próstata, frutas vermelhas contra o envelhecimento...

 

São tantas as informações que a idéia de nutrição tem saído de moda e dado lugar aos alimentos super poderosos. Todos os dias nós ficamos sabendo de um novo super star. Nesse instante, as pessoas passam a incorporar o alimento em destaque ao seu cardápio diário, sempre com alegação de que tal alimento poderia reduzir a incidência ou tratar alguma doença. O restante do cardápio passa a ser negligenciado, pois afinal, aquele super alimento já o estaria defendendo de todos os males.

 

Estamos falando de alimentos quase mágicos. Além de nutrir, promovem saúde e previnem doenças. Assim são definidos os alimentos chamados “funcionais". Nos últimos dez anos, eles ganharam força e status de remédios. Saíram da natureza, onde inicialmente foram descobertos e ganharam as prateleiras dos supermercados e farmácias. Em meio a essa profusão de compostos potencialmente benéficos à saúde, as ciências médicas e nutricionais ainda tentam entender tais propriedades e procuram comprovar se elas realmente existem.

 

De qualquer forma, sendo eles reais ou não, seria impossível exercerem seus alegados efeitos em uma alimentação que não atenda às necessidades nutricionais. Quando há dieta saudável e alimento funcional juntos, ainda é impossível separarmos os benefícios de um e de outro.

Por Citen às 18h38

20/08/2010

As cozinhas de enfeite

Nossas cozinhas hoje são modernas, bem decoradas, com eletrodomésticos de última geração... Temos toda a linha gourmet de panelas e utensílios... Entretanto, não vemos nenhum indício de que ali se prepara algum alimento. Nem mesmo um cafezinho, pois já temos as máquinas de café expresso nas empresas. Tudo se compra pronto, pede-se pelos “deliveries” e muitas famílias fazem todas as refeições nos restaurantes. Nem por um momento as pessoas questionam o que estão comendo fora de casa. Trata-se de alimentos muito mais salgados, gordurosos e calóricos e, algumas vezes, de higienização duvidosa.

Aprender a cozinhar. Eis uma atitude inteligente, moderna e revolucionária no século XXI. Apesar de prática, a atitude de abrir latas, dissolver “shakes”, diluir sopões e comer os mesmos lanches, todas as noites, tem nos deixado insatisfeitos com a monotonia do que comemos e elevado a ocorrência de obesidade a cifras alarmantes. As evidências científicas têm mostrado que as cápsulas vitamínicas não funcionam como comer frutas e verduras e precisamos entender que as crianças precisam da chance de formar vínculos com alimentos saudáveis, antes de serem seduzidas pelo sabor dos alimentos industrializados.

Evoluímos com a liberdade que alcançamos em todas as esferas e dividimos as tarefas domésticas até o ponto dos homens também prepararem o jantar e das crianças ajudarem na cozinha e darem palpites no cardápio. Preparar refeições saudáveis passou a ser uma tarefa de todos. Podemos realizá-la de maneira prazerosa e criativa, desde que entendamos que os maiores beneficiados seremos nós.

Por Citen às 15h23

A desorganização alimentar dos finais de semana

Outra grande diferença embutida em nossa alimentação nas últimas décadas é a grande desorganização dos finais de semana. São grandes quantidades de alimentos e bebidas ingeridos todo sábado e domingo, ou o que é ainda pior, sexta, sábado e domingo. Sim, porque para muitos, sexta feira já faz parte do final de semana. Começa com um happy hour na sexta e acaba com uma super pizza no domingo à noite.

Nesses três dias, muitas vezes, as pessoas acabam por comprometer todo o benefício da rotina alimentar da semana. Tudo isso com a alegação de que precisam descansar ou relaxar, como se para isso precisassem causar tamanha desorganização. Outras vezes, o lazer é confundido com todas as refeições fora de casa, começando por um café da manhã na padaria, almoço num rodízio de japonês e o jantar numa cantina com uma lasanha a bolonhesa. Sem se esquecer da sobremesa e do vinho, é claro.

A saída é se permitir uma refeição fora do trivial, com direito a uma bebida alcoólica para os apreciadores e uma sobremesa. Além disso, o final de semana é uma ótima opção para um lazer ativo, caminhadas, passeios em lugares abertos como os parques e até sair para dançar. No mais, a alimentação deve ser versátil e bem preparada, com a vantagem de que nos finais de semana ela pode ser compartilhada com toda a família.

Por Citen às 10h56

18/08/2010

Porções “super size”

Nos últimos quinze anos, o tamanho das porções de refrigerantes, pipocas, batatas fritas e mesmo dos hambúrgueres aumentou assustadoramente. Servem-se baldes de pipocas, copos que cabem litros  de refrigerantes, sanduíches astronômicos e pizzas gigantes, com o apelo de serem mais baratos. Além disso, agrupam-se alimentos muito calóricos como batatas fritas, sanduíches, refrigerantes e sorvetes em promoções que, individualizadas, sairiam mais caras, induzindo ao maior consumo desses alimentos.

Com grandes porções, compramos mais calorias por unidade de moeda de qualquer país e acabamos erroneamente por achar isso vantajoso,  compramos muito mais do que comeríamos e comemos muito mais do que deveríamos.

A saída para essa armadilha é entender que não há vantagens nessas escolhas. A estratégia é fugir das promoções combinadas de alimentos e questionar sempre os malefícios dos mesmos, principalmente agrupados ou em grandes porções. Procurar alternativas a esses grandes lanches e “ofertas mirabolantes” é uma tarefa de todos. Nas cidades brasileiras, os restaurantes por quilo ainda são a melhor saída para as nossas refeições diárias. Neles, escolhemos o que gostamos e pagamos pelo que comemos. Mais justo e confiável.

Por Citen às 11h23

17/08/2010

Uma dieta baseada em lanches

No mundo moderno, as refeições sofreram uma completa descaracterização. Ninguém mais sabe cozinhar, os alimentos são totalmente industrializados, nas empresas o horário das refeições é mal definido e para completar, a expansão das redes de fast food, com toda a sua praticidade, parece compactuar com tudo isso. Passamos a fazer lanches, ao invés de almoçar e jantar e esses lanches são mais calóricos e ricos em gorduras do que uma refeição balanceada. Isso vale para as famílias de todas as partes do mundo, do ocidente ao oriente.

A alimentação sofreu a mais deletéria globalização. Passou a ser rica em gorduras, sem micronutrientes ou fibras, rica em carboidratos refinados e sal, muito mais palatável do que frutas, verduras e legumes. Além de tudo isso, essa refeição moderna e advinda dos supermercados é muito mais frugal, ou seja, causa saciedade muito curta, de modo que a sensação de fome ocorre muito mais precocemente, dado à falta de resíduos e à rápida absorção dos seus componentes.

A saída para esse impasse é a organização das refeições, com um modelo alimentar que se imponha pelo menos uma refeição diária balanceada, nos moldes do nosso arroz com feijão, associada à dois lanches maiores, que substituiriam as outras duas refeições. Esses lanches devem sempre priorizar carboidratos e pães integrais, carnes ou embutidos magros e não abrir mão de alimentos naturais, como uma fruta no café da manhã e saladas, acompanhando o segundo lanche.

Por Citen às 08h15

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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