Blog Comer Sem Culpa

15/09/2010

O uso do dito “alimento funcional” pela indústria

Os alimentos mais conhecidos na longa lista de funcionais são a soja, os iogurtes, o chá verde, a linhaça, o tomate, as frutas vermelhas, as gorduras presentes nos azeites, óleos vegetais, castanhas e peixes, as fibras, o alho e a cebola. Por incrível que possa parecer, até o chocolate ganhou sua versão funcional nas barrinhas amargas.

Nessa onda promissora dos alimentos funcionais, a indústria alimentícia passou a incorporar vários desses compostos em seus alimentos e a indústria farmacêutica passou a encapsular todos eles em seus produtos, atendendo a pessoas cada vez mais ocupadas e sem condições de preparar seus próprios alimentos. Para elas, os alimentos funcionais são “uma promessa de saúde” que elas incorporam à sua vida. Ao fazer isso, as pessoas tentam substituir hábitos alimentares saudáveis pelo consumo deste ou daquele alimento funcional ou simplesmente por cápsulas milagrosas.

Apesar da procura desesperada por alimentos práticos e quase mágicos,  a nossa real necessidade é por alimentos saudáveis. Nesse quesito, a indústria de alimentos pode realmente contribuir com o seu poder de desenvolver tecnologias que possam produzir tais alimentos. Aliar praticidade, sabor, baixo custo e valor nutricional é o desafio que lançamos à indústria. Por enquanto, ainda devemos comprar nossos alimentos nas feiras e varejões, pois se existe efeito funcional dos alimentos, ele certamente estará entre os componentes de uma alimentação balanceada.

 

Por Citen às 08h26

13/09/2010

O nosso tomate do dia a dia virou funcional?

As cores vermelhas e alaranjadas dos alimentos mais comuns do nosso cardápio, principalmente frutas e vegetais,  revelam sua riqueza em pigmentos solúveis em gordura, chamados carotenóides.  Os principais componentes desse grupo são o beta caroteno, licopeno, luteína e zeaxantina.

Dentre os carotenóides, o licopeno recebeu grande ênfase, nos últimos anos, em virtude da associação comprovada da ingestão frequente do tomate com a redução da incidência de câncer de próstata. Quando avaliado o consumo do molho de tomate, parece que a proteção é ainda maior. Sabemos, entretanto, que a suplementação com licopeno manipulado em cápsulas não tem o mesmo efeito do consumo do licopeno na dieta.

Ainda encontramos muita dificuldade em comprovar tais benefícios do tomate, devido ao fato de que os estudos que sustentam tais efeitos são o resultado de simples observações de grandes grupos populacionais, chamando a atenção para a relação entre o consumo de tomate e a menor incidência de câncer de próstata. Nas diversas tentativas de comprovar os efeitos protetores do licopeno, através da sua utilização em suplementos, não foi encontrada a proteção alegada. 

Por Citen às 10h11

10/09/2010

Qual a vantagem do consumo de fitosteróis?

 

Os fitosteróis são compostos presentes nos vegetais e que apresentam uma configuração química muito parecida com a do colesterol. Quando ingeridos em quantidades apropriadas, eles aparentemente competem com o colesterol da dieta pelos sítios de absorção e, dessa forma, podem reduzir a absorção do colesterol.

Os fitosteróis estão presentes naturalmente na soja, no gergelim, nos óleos vegetais, legumes, verduras e frutas. A indústria de alimentos tem suplementado margarinas e iogurtes com  fitosteróis. Os estudos sobre esta suplementação indicam que a ingestão de cerca de 2-3g/dia de fitosteróis, o equivalente a 20-30g de margarina enriquecida, causaria uma redução de 6 a 15% do colesterol. Essa queda é relevante, principalmente no contexto de uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e alimentos de baixo teor em gordura saturada.

Como os fitosteróis são competidores da absorção do colesterol, não há vantagem em ingeri-los longe das refeições, ou utilizá-los apenas na margarina ou no iogurte suplementado na refeição matinal. Para que tenhamos resultados na redução do colesterol, esses alimentos suplementados deveriam ser consumidos também no almoço e no jantar. Deve-se lembrar que níveis muito elevados de colesterol não normalizam apenas com o consumo de fitosteróis, sendo necessário o uso de medicamentos específicos.

Por Citen às 09h06

08/09/2010

Comer fibras é tão importante mesmo?

 

As fibras da dieta são as porções não digeríveis dos alimentos. De uma maneira geral, as pessoas entendem as fibras como alimentos que facilitam a função intestinal. Essa é apenas uma parte das funções das fibras, aquelas chamadas fibras insolúveis, presentes nos cereais integrais, em seus farelos e em pequena quantidade nas verduras e frutas. Na última década, muitos estudos têm demonstrado o efeito das fibras no metabolismo dos carboidratos e gorduras. Eles se referem às fibras solúveis, presentes nas polpas das frutas, nas verduras, nas leguminosas - parte interna dos feijões, lentilha, grão de bico e soja -  mas principalmente na aveia e seu farelo.

Vários trabalhos científicos têm revelado que o diabetes pode ser prevenido a partir de mudanças no estilo de vida. Essas mudanças incluem moderada perda de peso, aumento da atividade física, diminuição do consumo de gorduras saturadas e aumento no consumo de fibras. Neste contexto, as fibras tornariam mais lentos o esvaziamento gástrico e a absorção da glicose, além de reduzir a absorção do colesterol. Os resultados desses estudos têm colocado as fibras como constituintes fundamentais de qualquer dieta saudável, dando a elas o status de alimento funcional.

Por outro lado, intervenções pontuais e isoladas, através do aumento na ingestão de fibras, como o consumo da “ração humana”, não têm demonstrado efeitos benéficos à saúde. O que significa dizer que as fibras são benéficas à saúde, somente como parte de uma dieta balanceada e estilo de vida saudável.

Por Citen às 08h26

03/09/2010

Gorduras podem fazer bem à saúde?

 

Há muitas evidências de que a gordura monoinsaturada, presente no azeite, pode ter efeitos benéficos na prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer, principalmente o azeite não refinado ou virgem. Além de gordura monoinsaturada, o azeite contém altas concentrações de vitamina E, beta caroteno e polifenóis. Essa associação de compostos parece ser o fator responsável pela sua atividade antioxidante e antiinflamatória. São estas características que colocam as fontes de gordura monoinsaturada no ranking de alimentos com grandes chances de atenderem às alegações de funcionalidade.

Outras gorduras com possibilidades de atenderem às alegações de funcionalidade são aquelas presentes nos óleos vegetais como os de canola, milho, girassol e soja; sementes oleaginosas como a linhaça e peixes de águas geladas e profundas como o salmão. Vários trabalhos científicos já comprovaram os efeitos benéficos dessas gorduras no sentido de proteção cardiovascular.

Entretanto, todos os trabalhos científicos que demonstraram os benefícios das gorduras insaturadas foram realizados em vigência de redução das gorduras saturadas, dificultando assim, a avaliação apropriada dos benefícios isolados das "gorduras do bem" em relação à proteção cardiovascular. Além disso, para atender às recomendações de consumo das gorduras insaturadas, basta a ingestão moderada de azeite e a utilização de óleo de soja ou de canola no preparo dos alimentos. Não há nenhum benefício extra na suplementação destas substâncias em alimentos industrializados ou em cápsulas.

Por Citen às 15h48

01/09/2010

O que há de tão especial nos chás e no vinhos?

 

Há de especial os polifenóis, um componente presente em alguns tipos de chás, vinhos tintos, sucos de uvas, frutas vermelhas, chocolate amargo, alho e cebola. As pesquisas realizadas em animais e em células isoladas em laboratório são unânimes em mostrar que os polifenóis tem atividade contra o câncer e efeitos benéficos nos fatores de risco cardiovascular. Também são muitos os trabalhos que mostram efeitos em animais de laboratório, com melhora do metabolismo dos carboidratos, prevenção do diabetes, aumento da queima de gorduras entre outros. Entretanto, não há estudos com metodologia apropriada em humanos.

 

Os chás apresentam concentrações diferentes de polifenóis, de acordo com o solo onde foram cultivados e com o seu processamento. Há grande dificuldade em se provar a ação desses agentes no organismo humano em condições de consumo normal, pois os efeitos demonstrados ocorrem em doses de polifenóis, impossíveis de serem alcançadas com o consumo diário de chás.

 

Dentre todos esses alimentos, o vinho tinto talvez seja o mais estudado e com resultados mais promissores, demonstrando um real benefício na proteção cardiovascular. Infelizmente, o consumo diário de qualquer bebida alcoólica traz consigo os riscos do abuso e da dependência, com todos os seus resultados trágicos para as famílias e para a sociedade, tornando os seus benefícios difíceis de serem avaliados, frente aos riscos inerentes do seu consumo crônico.

Por Citen às 08h51

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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