Blog Comer Sem Culpa

30/09/2010

A prevenção do diabetes antes de nascer

Precisamos prevenir o diabetes. Pelo menos até que alcancemos a cura da doença. Mas, até o momento,  nossas tentativas envolviam as pessoas predispostas, ou seja, aquelas com sobrepeso ou obesidade. Entretanto, a incidência de diabetes no mundo tem comprovado que estamos perdendo a guerra. Nada tem detido a doença ou protegido nossas crianças e jovens.

Tentamos explicar o fato com o avanço da industrialização dos alimentos que a globalização promoveu, com a redução da atividade física que a tecnologia nos propiciou e até com a ansiedade generalizada dos povos em sua luta por identidade, espaço social e financeiro.

Mas tudo indica que o processo de desenvolvimento do diabetes começa muito antes disso e é o que revela um recente estudo publicado esse mês na revista médica Diabetes Care. Os autores conseguem comprovar que deveríamos intervir muito antes, mais precisamente na vida intra-uterina, pois o ambiente fetal poderia programar a susceptibilidade para o diabetes.

Já sabíamos que a obesidade materna, a predisposição da mãe ao diabetes e o próprio diabetes gestacional eram capazes de gerar bebês grandes e com aumento de gordura corporal. O que passamos a saber a partir desse novo estudo foi que essas mesmas mães influenciam também o metabolismo dos seus bebês, fazendo com que eles apresentem, já na vida intrauterina, alterações metabólicas sugestivas de sua  maior predisposição à obesidade e ao diabetes.

A partir daí, fica evidente o papel da orientação nutricional desde o primeiro trimestre da gestação. É preciso controlar a ingestão dos carboidratos, o ajuste calórico necessário na gestação e o ganho de peso desde o seu início. Dessa forma teremos mais chances de prevenir o diabetes. Após essa fase poucas estratégias podem ser tão eficientes

Por Citen às 15h41

29/09/2010

Dia mundial do coração – “Eu trabalho com o coração”

Esse ano, o Dia Mundial do Coração, comemorado no dia 26 de setembro, chama atenção para a necessidade de tornar o ambiente de trabalho um local que propicie saúde. O tema da campanha de 2010 foi “ Eu trabalho com o coração”. Empregadores, empregados e a sociedade como um todo são chamados a participar de mudanças que possibilitem esse novo ambiente de trabalho, mais humano, mais cooperativo, menos estressante e mais saudável.

Dez passos que podem salvar os corações

1.     Melhore a qualidade da alimentação através do consumo de 5 porções de frutas e vegetais ao dia e reduza o consumo de gordura saturada e sal. Na prática, isso significa trocar as bolachas por frutas para serem consumidas nos intervalos das refeições e inclusive durante as reuniões de trabalho.

2.     Realize 30 minutos de atividade física diariamente, podendo utilizar-se de ginástica laboral, circular entre os departamentos ou utilizar escadas e caminhar na hora do almoço.

3.     Garanta um ambiente 100% sem fumo.

4.     Busque e mantenha um peso ideal.

5.     Conheça seus números através de exames anuais: pressão arterial, peso, circunferência abdominal, índice de massa corpórea (IMC), colesterol e glicose no sangue.

6.     Diminua o consumo de álcool.

7.     Reduza o stress nos locais de trabalho através de pequenas pausas de até 5 minutos ao longo do dia, durante as quais você pode se alongar ou apenas se levantar da sua cadeira e dar uma volta pelo ambiente.

8.     Reivindique e respeite os horários das refeições, solicitando que aquela reunião marcada para o meio dia se antecipe ou aguarde o retorno do seu almoço.

9.     Não exceda sua carga horário de trabalho, além das 8 horas diárias.

10.  Não abra mão do seu descaso noturno, de seu lazer do final de semana e das suas merecidas férias anuais.

Quando nos preocupamos com o coração, o maior desafio é, sem dúvida, a prevenção da obesidade. Da mesma forma que os governos tem programas de prevenção bem sucedidos como o uso dos cintos de segurança e o combate ao tabaco, eles também devem investir no combate da obesidade e lançar programas relacionados à sua prevenção. Isso parece ser a única forma eficaz e economicamente viável de combater as conseqüências cardiovasculares da obesidade. Assim, as empresas tem muito a contribuir, melhorando o ambiente de trabalho e estimulando hábitos alimentares adequados. Ganha a empresa e também a sociedade.

Por Citen às 08h10

27/09/2010

A eficácia das dietas para emagrecer (4)

Dieta Balanceada

Além de eficazes, as dietas devem ser saudáveis, na verdade, a perda de peso está mesmo relacionada ao balanço negativo das dietas. Seja elas de qualquer natureza. Isso significa que conseguimos emagrecer quando comemos menos, ou gastamos mais, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Parece simples, mas não é. Se fosse tão simples o mundo não estaria tão gordo como descreve o Dr Barry Popkin  em seu livro “ The world is fat”.  De acordo com o professor de Nutrição da Universidade da Carolina do Norte nos Estados Unidos, somos 1,6 bilhões de pessoas com sobrepeso no mundo em oposição aos 700 milhões de desnutridos do planeta. Em termos gerais, as razões da nossa dificuldade em manter um peso ideal à saúde passam pelas transformações tecnológicas às quais estamos expostos, globalização, políticas governamentais e indústria de alimentos. Em termos individuais, as pessoas buscam formas práticas e possíveis de conseguir perder peso e nesse contexto encaram as várias dietas populares para emagrecer.

De acordo com o estudo que compara as diferentes dietas para emagrecer, quando pensamos em perder peso, o que importa são as calorias. Entretanto, é bom que se esclareça, que a perda de peso, por si só, não garante saúde e nem mesmo beleza. O objetivo de uma dieta, seja ela para emagrecer ou para engordar, para tratar uma pessoa com diabetes, com colesterol elevado, com hipertensão arterial ou com problemas de gordura no fígado, deve sempre primar pelo poder de alimentar corretamente ou nutrir o indivíduo. Uma dieta deve, acima de qualquer coisa, ser saudável. A partir desse contexto, as coisas todas mudam, quando analisamos as dietas, pois elas são totalmente diferentes em relação ao poder de promover nutrição e saúde.

Ao analisarmos os resultados da pesquisa realizada, nós podemos constatar que os autores conseguiram comprovar o que já afirmavam antes: não são os carboidratos os vilões do ganho de peso e qualquer forma de redução calórica é eficaz. Mas para que essa eficácia se traduza em saúde, nós continuamos com as mesmas orientações anteriores: uma dieta deve ser balanceada e deve atender às necessidades nutricionais de uma pessoa, não devemos engajar em dietas a base de proteínas, mas também não precisamos abolir toda a carne vermelha de nosso cardápio. O equilíbrio ainda é o objetivo na vida e nas dietas.

Por Citen às 09h46

24/09/2010

A mais que polêmica Dieta do Dr Atkins

 

Resposta aos internautas

Sempre há muita polêmica em torno dessa dieta. Os internautas tem toda razão em reivindicar a validade de um tratamento que deu muito certo em suas vidas. As dietas em geral tem essas nuances e muitas vezes, mesmo sendo totalmente inadequadas, conseguem resultados brilhantes para alguns. Um exemplo disso, foi a grande onda da “dieta espiritual”. Muitas vezes nós nos deparávamos com pacientes que não conseguimos emagrecer com a dieta tradicional balanceada e que nos retornavam cheios de “razão” com um belo resultado de uma dieta de moda. Alguns ficam tão motivados, que conseguem realmente mudar seus hábitos e manter um peso ideal por um tempo razoavelmente bom.

Infelizmente, essa não é a regra com a maioria das dietas de moda. Também não acontece com a do Dr Atkins. Dizemos dieta de moda porque nos currículos das faculdades de Nutrição ela não faz parte das orientações nutricionais acadêmicas. E isso não acontece por preconceito ou desconhecimento. Essa dieta foi e ainda é exaustivamente estudada e a polêmica continua.

Há um ponto de consenso. Essa dieta provoca uma rápida perda de peso. Entretanto, quando analisamos a composição corporal após o emagrecimento, nós podemos constatar, na maioria das vezes, que a perda ocorreu principalmente por desidratação e perda de massa magra. E isso, infelizmente, é desnutrir! Sem falar da grande defasagem dos micronutrientes, presentes nas frutas, verduras e legumes abolidos da dieta.

Não podemos esquecer que há realmente uma grande variedade da dieta do Dr Atkins que, de maneira inteligente, foi liberando os carboidratos cada vez mais precocemente, nas sucessivas versões da dieta. Não estamos falando de South Beach. Essa é uma das versões que mais se aproxima de uma dieta balanceada e usa apenas uma curta fase inicial com o rigor do Dr Atkins.

Quando se consegue manter a dieta de proteínas, a longo prazo, o resultado, além de grande perda de peso e de massa magra, são efeitos nada agradáveis, como halitose, dores musculares, câimbras, cálculos renais, elevação do colesterol e aumento do risco cardiovascular. Apesar disso, a perda de peso, como mostrou  esse estudo de longa duração, foi igual às outras dietas. Apesar da perda de peso inicial ser maior com a dieta de proteínas, a longo prazo ela não se sustenta.

Por Citen às 22h18

23/09/2010

A eficácia das dietas para emagrecer (3)

Dieta do Mediterrâneo

A dieta do Mediterrâneo também foi avaliada para seu poder de emagrecer.  Ela se baseia principalmente na alimentação utilizada na ilha de Creta, mas também em toda a Grécia e sul da Itália nos anos 1960. Nessas regiões, a expectativa de vida era uma das mais altas do mundo. Até hoje, é bem conhecida entre os países europeus a baixa taxa de mortalidade por razões cardiovasculares nos povos mediterrâneos. É certo que o trabalho doméstico e no campo, resultando em um estilo de vida com atividade física intensa e regular, também estava associado aos baixos índices de obesidade entre os povos da área do Mediterrâneo em relação aos países do norte e do leste europeu.

A explicação mais provável para a proteção cardiovascular dos povos mediterrâneos está mesmo relacionada à Dieta Mediterrânea, uma forma de alimentação cuja principal característica é sua riqueza em gordura monoinsaturada e polifenóis, proveniente principalmente do azeite, mas também sua baixa concentração em gordura saturada. Assim, temos uma dieta com muito pouca carne vermelha e grande quantidade de frutas, vegetais, pães, batata, feijão, nozes e vários tipos de sementes e azeite. Além disso, quantidades moderadas de laticínios, peixes e frango.

Apesar de muito saudável, uma dieta deve ser viável e atender à tradição de um povo. Para a maioria dos brasileiros, é quase impossível manter uma dieta que reduza drasticamente o consumo de carne vermelha.  Com a dieta Mediterrânea, nós também podemos perder peso, mas não basta adicionar castanhas, azeites e nozes em nossa dieta, sem abolir o churrasco, também não adianta regar a pizza repleta de queijo amarelo com azeite extra virgem. Assim, uma dieta para ser mantida por tempo prolongado deve se adaptar aos padrões e tradições de um povo.

Por Citen às 20h56

22/09/2010

A eficácia das dietas para emagrecer (2)

A Revolucionária Dieta do Dr. Atkins

De uma maneira geral, as dietas de moda elegem um alimento para servir de vilão. Ora são os carboidratos, ora as gorduras, ora as carnes. Talvez porque dessa forma as pessoas sintam menos dificuldades em seguir as regras. Balancear alimentos, embora seja a melhor forma de se alimentar e perder peso,  é mais difícil. Na dieta do Dr Atkins, os vilões são os carboidratos, na dieta do Dr. Ornish, as gorduras são os inimigos do peso ideal. Na verdade, não existe alimento ruim, existe sim uma dieta ruim. Alimentos ditos “bons”, em excesso, podem engordar e alimentos eleitos “ruins”,  ingeridos com moderação, podem conviver com o peso ideal.

Desde que o Dr. Atkins lançou sua dieta sem carboidratos, em 1972, “as dietas da moda” viraram moda e nunca mais conseguimos tirar esse equívoco da cabeça das pessoas: a falsa idéia de que os carboidratos engordam e devem ser evitados, ou seja, pães, arroz, feijão e grãos, batatas, frutas, massas em geral, qualquer tipo de doces e a maior parte das verduras.  Isso porque, de acordo com o Dr Atkins, os carboidratos seriam os responsáveis pelo ganho de peso das pessoas e bastaria a retirada dos mesmos da dieta para alcançarem o peso ideal.  Assim, o cardiologista Dr. Atkins pregava em sua dieta “ revolucionária”o consumo de proteínas e gorduras e sua dieta foi propagada em vários livros ensinando as pessoas a emagrecer consumindo carnes, embutidos, ovos, bacon e queijos amarelos à vontade.

A base nutricional dessa dieta do Dr. Atkins são alimentos ricos em gordura saturada e, como ela orienta restrição de frutas verduras e legumes, ela não atende à maioria das recomendações de vitaminas e minerais.  Logo, essa dieta emagrece desnutrindo e não serve aos preceitos de uma dieta saudável. Não serve porque não alimenta de forma completa e não adianta dizer que isso pode ser alcançado associando um punhado de comprimidos e suplementos vitamínicos, porque isso é empírico. Não serve porque é monótona e não tem compromisso com a saúde das pessoas. Causa sobrecarrega aos rins pelo excesso de proteínas e põe em risco as coronárias pelo excesso de colesterol.

Por Citen às 08h12

20/09/2010

A eficácia das dietas para emagrecer (1)

 

Quando você decide fazer uma dieta para emagrecer, o que você faz? Fica sem jantar? Abole o pão e as massas? Deixa de tomar cerveja? Abre mão do churrasco do sábado? Mesmo assim você, como a maioria das pessoas deve ter dúvidas a cerca do que fazer.

Apesar das dúvidas sobre o poder das dietas para emagrecer, o que não faltam são opções. Tem para todos os gostos. Em comum, todas as dietas para emagrecer tem baixas calorias. Mas o modelo nutricional de cada uma delas utiliza alimentos muito diferentes, deixando-nos muitas dúvidas sobre a eficácia das mesmas e de qual escolher para atender ao nosso objetivo de perder peso. Um grupo de professores e estudiosos no assunto se propôs a responder essa nossa questão.

O estudo foi realizado por especialistas da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard e publicado na revista inglesa de grande credibilidade no meio médico, o The New England Journal of Medicine. O trabalho avaliou  as várias vertentes das dietas populares como a do Dr Atkins, que reduz carboidratos; a do Dr Ornish, que restringe o teor de gorduras e a Dieta do Mediterrâneo com restrição da carne vermelha. São concepções totalmente diversas de dieta, mas após 2 anos o resultado com a perda de peso foi o mesmo quando se comparou os diferentes grupos de pacientes submetidos às diferentes dietas.

Comprova-se então o que vem afirmando os estudiosos há muito tempo. O que engorda não é consumir carboidratos, ou proteínas ou até gorduras. O que faz abarrotar os estoques de gordura corporal é o consumo excessivo de calorias, sejam elas provenientes de chocolates ou de frutas, de picanha ou de pão. De maneira inversa, o que faz emagrecer não é tirar o pão, não comer arroz, abolir o jantar ou passar o dia comendo frutas. O que realmente faz emagrecer é quando o total das calorias gastas por uma pessoa é maior do que o total de calorias que essa pessoa ingeriu.

Por Citen às 10h18

17/09/2010

A polêmica dos adoçantes artificiais

 

Nós sempre observamos uma grande dificuldade das pessoas em aceitar a segurança dos adoçantes. As justificativas vão muito além do gosto individual. A maioria delas ainda acredita que os adoçantes causam câncer, lupus, esclerose múltipla, alzheimer, para citar algumas doenças graves que levam ao pânico tanta gente. Agora mais uma, os adoçantes seriam capazes de engordar as pessoas!

Pensando bem, as pessoas tem lá suas razões de pensarem dessa forma. Muitos estudos científicos tentaram  demonstrar que os adoçantes causariam vários tipos de câncer. A dúvida surgiu nos anos 1970, quando pesquisadores americanos realizaram testes em ratos utilizando grandes quantidades de sacarina, ciclamato e aspartame. O resultado foi o surgimento de câncer nas cobaias. Esses achados levaram à suspensão desses adoçantes pelas agências reguladoras de vários países por muito tempo. Porém, os testes utilizaram quantidades altíssimas dos adoçantes, o equivalente ao consumo humano de centenas de latas de refrigerantes por dia e nunca foram comprovados. Posteriormente os adoçantes receberam o aval da comunidade científica e das agências reguladoras.

Atualmente, a polêmica diz respeito à possibilidade de que consumir bebidas doces sem calorias, como é o caso dos refrigerantes zero, levaria a um maior consumo de alimentos doces. Seria isso possível?  O argumento utilizado pelos autores das pesquisas é de que ao sentir o sabor doce na boca, o corpo se prepara para receber as calorias do açúcar e quando elas não vem, passa a buscar esse nutriente em vários alimentos, principalmente carboidratos. Dessa forma estaria predisposto a engordar.

Apesar de toda a polêmica que envolve o uso dos adoçantes artificiais, nenhum estudo de grande porte conseguiu comprovar seus riscos quando utilizados dentro das doses recomendadas. Foram afastadas as possibilidades de causarem câncer ou doenças degenerativas e, por enquanto, não temos nenhuma base científica para relacioná-los ao ganho de peso. Sabemos sim, que a substituição do açúcar por adoçantes reduz o aporte calórico em 10% e isso pode ser muito útil no contexto do tratamento da obesidade.

Por Citen às 08h39

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

Histórico