Blog Comer Sem Culpa

15/10/2010

Unidos contra a fome

A Semana Mundial da Alimentação foi oficialmente aberta em Roma, na Itália, no dia 11 de outubro de 2010. Espera-se que os eventos da semana consigam mobilizar sociedade civil e governos na luta contra a fome no mundo. As comemorações marcarão no dia 16 de outubro o Dia Mundial da Alimentação, com uma triste notícia, a de que alcançamos o patamar de um bilhão de famintos em todo o mundo.

Esse ano, o número de pessoas com fome no mundo sofreu redução pela primeira vez nos últimos 5 anos. Apesar da boa nova, ainda não é o bastante para comemorar. Há ainda um bilhão de pessoas, principalmente crianças, que não tem comida suficiente para manter a saúde. O Dia Mundial da Alimentação é um momento para se pensar sobre elas e de como nós podemos ajudá-las.

Via de regra, os governos insistem em utilizar pequenos e pontuais programas de ajuda à pobreza para se vangloriar e alcançar respaldo popular. Não entendem que justiça social é o produto de vários governos engajados e comprometidos e de uma sociedade educada e atuante. Erradicar a fome só será possível quando o mundo se unir em prol da igualdade de direitos à alimentação e à vida.

Dez ações na luta contra a fome

De acordo com o World Food Programme, a maior agência humanitária de combate à fome  no mundo, há várias maneiras de tomarmos partido nessa luta. São elas: 

(1)   http://www.freerice.com/ Entre no link e responda ao quiz teste. Para cada resposta correta, você faz uma doação de dez grãos de arroz para as pessoas que passam fome. Não haverá custos para você.

(2)   Use o seu twitter para divulgar dados relacionados à fome no mundo e sugestões para combatê-la. Você pode usar as sugestões do site http://www.wfp.org/stories/10-ways-fight-hunger-right-now.

(3)   Ofereça um presente diferente para uma pessoa querida: faça uma doação e adicione uma foto ao mural conta a fome http://wall.wfp.org/  

(4)   Baixe o jogo de computador http://www.wfp.org/how-to-help/individuals/food-force e direcione sua própria missão humanitária a uma ilha devastada pela guerra. Compartilhe com seus amigos e filhos, que vão adorar o jogo.

(5)   Confira o vídeo blog http://www.wfp.org/on-the-road  que vai te mostrar o que está envolvido no combate à fome mundial.

(6)   Cozinhe para seus amigos uma refeição preparada com 2 reais para dizer-lhes que mais de um bilhão de pessoas fazem isso todos os dias.

(7)   Vá até a página http://www.facebook.com/WorldFoodProgramme e seja um seguidor. Esta é mais uma maneira de manter-se atualizado sobre as questões da fome no mundo e mostrar o seu apoio.

(8)   Quando a comida é escassa, mulheres e crianças sofrem mais. Capacitar as mulheres é um passo fundamental para quebrar o ciclo da fome. Envie uma mensagem de solidariedade às mulheres do mundo inteiro, http://www.wfp.org/focus-on-women e o WFP se encarrega de que ela será ouvida.

(9)   Conte a um professor sobre o wfp.org. O WFP gostaria muito de ver as questões da fome serem discutidas nas escolas. Baixe algumas sugestões de tópicos para as aulas http://www.wfp.org/students-and-teachers .

(10) Saiba mais sobre a nutrição em 2 minutos. http://www.wfp.org/videos/nutrition-2-minutes-0 Aprenda porque ela é tão importante.

Por Citen às 15h32

14/10/2010

Constipação intestinal nas doenças da tireóide

A glândula tireóide faz parte das múltiplas influências ao bom andamento intestinal. São bem conhecidos os quadros de constipação relacionados os hipotireoidismo, bem como o aumento da freqüência das evacuações relacionado ao hipertireoidismo.

Aparentemente qualquer excesso ou falta dos hormônios da tireóide pode causar tais alterações, o que nos leva a crer que as causas são realmente hormonais e não os efeitos deletérios dos fatores etiológicos de tais doenças. Tanto a tireoidite de Hashimoto quanto a cirurgia que retira a tireóide por qualquer causa, levam ao mesmo problema, ou seja, ao hipotireoidismo e com ele um intestino preguiçoso.

No caso das doenças que causam aumento na secreção dos hormônios da tireóide, o hipertireoidismo, as alterações no hábito intestinal são bem evidentes. Apesar de não ocorrer diarréia propriamente dita, as evacuações são mais freqüentes e as fezes mais amolecidas.

Outro fator a se considerar é que o tratamento do hipotireoidismo, com a reposição ideal do hormônio em falta, leva à conseqüente normalização do ritmo intestinal. Portanto, a ocorrência de prisão de ventre não pode ser explicada pelo hipotireoidismo quando a doença está convenientemente tratada.

Por outro lado, a ocorrência de obstipação resistente a mudanças de hábitos e boas práticas alimentares deve chamar atenção para a possibilidade de haver disfunção tireoideana em curso, o que pode ser avaliado facilmente por exames específicos.

Por Citen às 13h00

08/10/2010

Constipação intestinal: Lobo em pele de cordeiro

Segundo empresas de auditoria de medicamentos, em 2007 o mercado brasileiro de laxantes movimentou cerca de 300 milhões de reais, com a venda de cerca de 24 milhões de unidades desses produtos. Atualmente, este mercado é composto por cerca de 200 marcas com composições ou formas de apresentação diferentes.

O uso crônico de laxantes é, sem dúvida, o fator obstipante mais freqüente. Esses medicamentos conseguem transformar um simples e passageiro mal estar numa doença intestinal crônica e muitas vezes irreversível. Algumas dessas drogas lesam verdadeiramente a parede intestinal, causando a perda total dos impulsos neurológicos evacuatórios que promovem o peristaltismo intestinal, ou seja, os movimentos que causam a propulsão das fezes ao longo do intestino.

Nossa maior dificuldade na correção dos distúrbios crônicos da motilidade intestinal são os mitos dos remédios naturais, que de natural não tem nada. Natural seria uma dieta equilibrada e rica em fibras e hidratação adequada.

Nomes como senne, complexo 46, cáscara sagrada, ruibarbo, soam aos ouvidos das pessoas como cordeiro. Estes produtos são, em sua maioria, lesivos à mucosa intestinal. O uso abusivo e prolongado dos mesmos cria uma inércia intestinal e o órgão passa a funcionar somente com a ingestão de doses cada vez mais elevadas deses medicamentos. Além disso, o uso contínuo dos mesmos pode levar à desidratação e ao desequilíbrio de sais minerais, dentre outras conseqüências.

Infelizmente, os laxantes não requerem uma prescrição médica, mas devido ao seu potencial lesivo, eles só deveriam ser comercializados dessa forma. As propagandas ajudam a aumentar o problema, quando assumem o papel do médico e orientam que as pessoas devem "comandar o seu intestino", como se isso fosse possível e vão além, quando aconselham: "ponha um laxante em sua vida"! Para os menos avisados, isso pode agravar os problemas intestinais!

 

Por Citen às 13h45

Constipação intestinal: Quando a dieta não resolve o problema

Quando a prisão de ventre é muito intensa, ela pode ser resistente às modificações no estilo de vida e à dieta, requerendo então a introdução de medicamentos. Nesses casos, o paciente deve ter orientação médica, uma vez que o mercado de medicamentos conta com cerca de 200 formulações de produtos para serem utilizados no tratamento da constipação intestinal.

Inicialmente, tentamos aumentar o bolo fecal através de preparados medicinais de fibras como goma guar, inulina, plantago ovata, policarbofila cálcica e psyllium. O conteúdo em fibras da dieta deve ser aumentado lentamente, para reduzir a distensão e a formação de gases que podem ser induzidas pelo início abrupto do consumo das mesmas. A regularidade intestinal não se alcança de imediato. Ela requer tempo, principalmente em intestinos acostumados ao uso crônico de laxantes.

Apesar de ainda não haver um consenso sobre seus reais benefícios, algumas pessoas se beneficiam do consumo de iogurtes suplementados com bactérias probióticas. Entretanto, não há nenhuma evidência cientifica dos benefícios em se formular suplementos com as referidas cepas de bactérias.

Além das fibras e dos probióticos, existem muitos outros medicamentos que podem ser indicados individualmente para cada paciente, em particular, pelo seu médico. Além destes recursos, contamos também com a fisioterapia do assoalho pélvico, indicada para um sub-grupo de pacientes com alterações da dinâmica evacuatória, que ocorre geralmente por flacidez da musculatura pélvica.

Por Citen às 13h41

Constipação intestinal: qual dieta seguir?

O tratamento da obstipação intestinal começa pela dieta. É bem certo, que suas causas são geralmente multifatoriais, mas quando nos dispomos a seguir um plano nutricional já é um bom caminho andado.

A primeira medida a ser adotada é fazer com que a ingestão de líquidos seja adequada. Precisamos ingerir cerca de 6 a 8 copos de água ou 1500ml/dia. Inicialmente isso pode parecer muito chato e impraticável, mas com boa vontade essa medida é bem possível e facilmente incorporada à nossa vida. Após ultrapassada a fase de resistência, nós podemos observar que melhorar o nível de hidratação nos deixa mais toleráveis ao trabalho e ao desgaste físico do dia a dia. Medidas simples como deixar a garrafa de água ao nosso alcance é muito eficiente em nos lembrar da necessidade, mesmo durante a correria.

Posteriormente, devemos adequar a ingestão de fibras substituindo, pelo menos em parte, os alimentos refinados por suas versões integrais, como pães e cereais. Além disso, ingerir 3 a 4 porções diárias de frutas, verduras e legumes e  substituir parte das carnes por fontes protéicas vegetais representadas pelas leguminosas (feijão, grão de bico, lentilhas).

Os dois passos, água e fibras, são interdependentes. Ingerir fibras sem uma boa hidratação pode inclusive agravar a prisão de ventre. As fibras da dieta, principalmente aquelas insolúveis, são capazes de absorver e reter água, melhorando a hidratação das fezes e facilitando a sua eliminação. Além disso, fezes pesadas estimulam os movimentos peristálticos intestinais e ajudam a regularizar o ritmo intestinal

Ainda há polêmica sobre o papel das gorduras nas dietas e sua capacidade de melhorar o hábito intestinal. Apesar disso, dietas balanceadas são sempre metas a serem buscadas e não há vantagem em retirar as gorduras das mesmas. Elas são fundamentais à saúde em geral e  inclusive ao ritmo intestinal normal.

Por Citen às 08h46

07/10/2010

Constipação intestinal: causas mais comuns

(1) Consumir alimentos industrializados, geralmente refinados e pobres em fibras. Isso leva à redução do bolo fecal e menor estímulo para defecar, por pura falta de resíduo alimentar. As fezes passam mais tempo na luz intestinal, onde perdem água durante todo o processo, tornando-se progressivamente mais ressecadas;

(2) Não atender aos reflexos intestinais por longos períodos de tempo, sempre aguardando um local mais adequado, como o banheiro de casa.

(3) Beber pouca água também prejudica a formação de bolo fecal, tornando as fezes mais ressecadas. O pequeno volume de resíduo e as fibras insolúveis do bolo alimentar precisam de água para expansão do volume das fezes, tornando-as mais amolecidas e pesadas e de mais fácil eliminação;

(4) O sedentarismo acentua a lentidão intestinal. Caminhamos menos e nossa atividade, geralmente intelectualizada, nos faz permanecer sentados, a maior parte do tempo, com acomodação intestinal concomitante;

(5) Dietas restritivas e desbalanceadas predispõem à prisão de ventre, pois reduzem drasticamente o volume das fezes;

(6) O uso crônico de alguns medicamentos podem causar prisão de ventre, entre eles  diuréticos, analgésicos, suplementos de cálcio e ferro, megadoses de vitaminas, antiácidos contendo alumínio, antidepressivos como a amitriptilina  e até os próprios laxantes.

(7) Falsos "emagrecedores", tidos como inibidores da reabsorção intestinal de gorduras, podem também levar a quadros de constipação intestinal. Esses suplementos tem inicialmente um efeito laxante, com todos os seus inconvenientes;

(8) Doenças intestinais como a síndrome do intestino irritável são causas importantes de constipação, principalmente na mulher;

(9) Doenças não intestinais como esclerose múltipla, derrame cerebral, hipotireoidismo e diabetes podem causar constipação intestinal por alterações próprias de cada uma delas;

(10) Quando a constipação aparece após os 50 anos,  há que se afastar a possibilidade de câncer colorretal.

Por Citen às 10h27

05/10/2010

Constipação intestinal: um sintoma ou uma doença?

 

 

Muita gente tem dificuldade para ir ao banheiro. Chega a 20% os incomodados.  Entre os que fazem dietas, de uma maneira geral, a incidência é muito maior, mas as mulheres são as campeãs.

O erro inicial é pensar que a ida ao banheiro diariamente seria a única condição de normalidade. Mas, o que as pessoas desconhecem é o fato de que a freqüência normal das  evacuações pode variar de três vezes ao dia a três dias por semana.

Do ponto de vista médico, consideramos constipação intestinal quando a freqüência ou a quantidade de evacuações é reduzida,  quando há necessidade de força excessiva para evacuar, quando as fezes são fragmentadas ou endurecidas e quando há sensação de evacuação incompleta ou de obstrução ao evacuar.

Por si só, a constipação intestinal não é uma doença, mas um sintoma que geralmente revela alterações funcionais do intestino. Na maioria das vezes, são os nossos maus hábitos alimentares e o nosso estilo de vida que influencia o nosso ritmo intestinal. Entretanto, algumas vezes, a constipação pode servir de alerta para patologias de gravidade variável e até então não diagnosticadas como diverticulite, síndrome do intestino irritável e até o câncer do intestino.

Por Citen às 08h25

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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