Blog Comer Sem Culpa

26/10/2010

Evitando a obesidade e desnutrição

O mais arriscado da situação que associa obesidade e desnutrição é a falsa idéia de que o padrão alimentar está normal. Como suspeitar de crianças com peso normal ou até gordinhas? Como avaliar os adolescentes que passam a utilizar regularmente as redes de fast food e consumir os pacotes de salgadinhos e bolachas recheadas? A melhor marca da boa nutrição nessa faixa etária  ainda é a velocidade de crescimento dessas crianças e adolescentes. Muitas tem peso normal mas estão abaixo dos padrões de altura para a idade.

O consumo dos alimentos industrializados já é uma realidade entre nós. Não há como reverter esse processo. Devemos, entretanto lutar para que eles sejam mais saudáveis. No Brasil dois exemplos bem sucedidos são  iodação do sal e a suplementação da farinha de trigo com ferro e ácido fólico. Isso poderia ser ampliado com novos suplementos através de parcerias do governo com a indústria. Além disso, é necessário que nossa agência reguladora estabeleça padrões mais rigorosos dos alimentos que chegam aos supermercados, para que bolachas e refrigerantes suplementados não sejam considerados alimentos saudáveis.

Um dos principais problemas do Brasil não é a falta de oferta de alimentos, mas a dificuldade na escolha dos mesmos. Nosso País não sofre com problemas de carência alimentar crônica grave ou de larga escala. Pelo contrário, o Brasil é um grande produtor de alimentos, mas a população ainda precisa aprender a importância de desenvolver bons hábitos alimentares. Nesse sentido, a educação alimentar deveria fazer parte consistente dos currículos escolares, dando às nossas crianças um conhecimento que seus pais muitas vezes não tiveram a chance de ter.

Por Citen às 15h37

Desnutrição e obesidade pós cirurgia bariátrica

A cirurgia de redução do estômago veio para ficar. Hoje sabemos que ela é uma das mais eficientes alternativas para o tratamento da obesidade mórbida, se não a única. Entretanto, por mais que se tente esclarecer os pacientes sobre o fato de que tal procedimento não trás a cura da obesidade e que ele precisa fazer um acompanhamento nutricional para o resto da vida, muitos deles abandonam o seguimento e se tornam irremediavelmente desnutridos. Com peso normal, sobrepeso ou obesidade, mas desnutridos.

O processo de desnutrição ocorre com o passar do tempo. Geralmente após o primeiro ano da cirurgia, mas é progressivo. Isso ocorre porque as pessoas em geral tem um grande estoque de vitaminas e minerais no corpo e vai utilizado essas reservas até que elas se acabem.

As causas da desnutrição são várias. A mais importante, entretanto, é a perda do leito absortivo gastrintestinal, por onde o organismo absorve ferro, cálcio e vitamina B12. Infelizmente, esse quadro é irreversível. Entretanto, podemos atuar nas outras causas de desnutrição, que são os vômitos, a diarréia e os erros alimentares. Não há como manter o estado nutricional sem as suplementações. Muitas vezes, elas devem ser feitas por via intramuscular ou endovenosa, pois mesmo os suplementos deixam de ser absorvidos.

Outro drama desses pacientes é a perda de massa magra. A musculatura também vai se perdendo, e esse talvez seja um das formas mais agressivas de desnutrição. Há perda de cabelos, enfraquecimento de unhas, comprometimento da imunidade e saúde em geral.

Por Citen às 15h36

25/10/2010

Obesidade e desnutrição na terceira idade

 

Na terceira idade, nós encontramos o outro extremo de desnutrição associada à obesidade. A maioria das pessoas após os 60 anos não se alimenta adequadamente. Geralmente, nos deparamos com  idosos que comem mal, adoram guloseimas, evitam carne, verduras e legumes e passam a beliscar mais e comer menos nas refeições básicas. Por conta própria, eles reduzem a ingestão de vitaminas, minerais e proteínas necessários para atender às suas necessidades nutricionais. Uma das explicações para esse fato é a progressiva perda de apetite e de papilas gustativas, que faz com que muitos alimentos naturais sejam percebidos como ‘sem graça’ e ‘sem sabor’, e aqueles mais condimentados, mais salgados ou mais doces, picantes e fritos, se transformem em objeto de desejo.

Associado a isso, com o envelhecimento, há perda progressiva da massa magra e ganho de gordura. Muitas vezes o idoso tem peso normal, mas quando submetidos a um exame de bioimpedância para avaliar a composição corporal, nós podemos observar que eles tem realmente sobrepeso ou obesidade. A perda de massa magra mascara o fato.

O idoso, geralmente, tem a necessidade de um maior aporte de micronutrientes e de algumas vitaminas, como é o caso do cálcio e da vitamina D, que afetam a densidade mineral óssea e expõem o idoso ao risco de sofrer com osteoporose e fraturas. Para muitos, é necessária uma suplementação destes micronutrientes.

Uma característica importante da alimentação das pessoas dessa faixa etária é a progressiva redução na ingestão de proteínas, principalmente carnes, e consequentemente, redução do aporte de ferro, vitamina B12 e zinco. 

Por Citen às 14h09

22/10/2010

Obesidade e desnutrição da vida adulta

Quando falamos em desnutrição, todos nós, imediatamente, pensamos em crianças. Acontece que a prática de dietas de moda e o culto ao peso ultra magro tem nos trazido esse personagem da desnutrição em adultos com sobrepeso e obesidade. Aqui a maioria absoluta são as mulheres. Elas são as maiores vítimas de carências nutricionais na vida adulta.

Além do culto à magreza, as mulheres saíram de casa e enfrentaram o mercado de trabalho, passaram a comer fora e recorreram ao delivery. Muitas atribuições domésticas elas foram obrigadas a manter, mas não cozinham mais. O resultado de tudo isso são as freqüentes queixas de queda de cabelos, unhas fracas e quebradiças, infecções ginecológicas de repetição e cansaço crônico.

O público feminino é muito susceptível aos modismos e aderem com muita facilidade a situações alimentares de risco. Um exemplo claro disso, é a crescente restrição ao leite de vaca, sua mais importante fonte de cálcio. Esse fator talvez seja o mais importante para a ocorrência de osteopenia e osteoporose, tão comum entre elas.

Todas as dietas que são veiculadas pela mídia, as mulheres encaram sem o menor constrangimento e nem questionam restrições alimentares absurdas. Para completar o risco de desnutrição na mulher adulta, está o fato de que elas menstruam mensalmente, perdendo assim uma grande quantidade de ferro, e com ele, o risco de anemia.

Por Citen às 14h54

20/10/2010

Obesidade e desnutrição na adolescência

O excesso de peso nem sempre se traduz num bom estado nutricional. Significa apenas a ingestão de muitas calorias, mais do que somos capazes de gastar. Portanto, podemos aceitar a idéia da coexistência de um estado de sobrepeso ou mesmo obesidade e carências nutricionais, em suas mais variadas formas.

Podemos encontrar essa associação com maior freqüência em populações de baixa renda, onde o baixo custo e a praticidade do consumo dos alimentos industrializados - ricos em gordura, carboidratos e calorias - ganha a preferência sobre os alimentos naturais, que necessitam de tempo e disposição para o preparo. Resultado: entre as principais carências alimentares, estão a anemia por deficiência de ferro, vitaminas do complexo B e de cálcio.

Uma pessoa que foi subnutrida na infância e na adolescência tem uma tendência muito grande à obesidade na vida adulta, principalmente porque o organismo, acostumado a trabalhar com um número de calorias muito baixo, parece não conseguir manter um peso normal quando passa a consumir alimentos muito calóricos, como, por exemplo, refrigerantes, bolachas recheadas, frituras, chocolates e guloseimas.

Entre as classes média e alta, o grupo de maior risco são os adolescentes. Entre eles há referências de baixa ingestão de cálcio e alta ingestão de carboidratos e gorduras. Uma vez que a massa mineral óssea é formada até por volta dos 25 anos e o estirão da adolescência requer grande aporte de cálcio, esse grupo se torna vulnerável à desnutrição associada à obesidade. Um tipo de desnutrição difícil de ser diagnosticada, em virtude da coexistência da obesidade.

Por Citen às 11h08

18/10/2010

Obesidade e desnutrição: duas faces da mesma moeda

O estado nutricional das pessoas que estão acima do peso é tão preocupante quanto o daquelas que passam fome.

Especialistas em nutrição de todo o mundo, reunidos, em março de 2008 em Genebra, Suíça, durante o encontro anual da Organização Mundial de Saúde (OMS), concordaram em estabelecer uma nova definição para o termo mal nutrido. O novo conceito, segundo os membros do Comitê Permanente de Nutrição da OMS, englobará não só a escassez, mas também o excesso alimentar.

Segundo o IBGE em sua última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009) divulgada recentemente, cerca de 33% das crianças brasileiras estão acima do peso. Isso faria um sucesso enorme há alguns anos atrás, quando travávamos a luta contra a desnutrição infantil e quando criança gordinha era considerada criança saudável. Hoje a luta é diametralmente oposta, pois sabemos que não há nada de saudável em estar acima do peso.

Os extremos nutricionais se aproximam mais quando analisamos o risco de doenças crônico-degenerativas associado a eles. Os pacientes obesos e desnutridos morrem mais por doenças cardiovasculares e até por câncer, parecendo fazer da desnutrição e da obesidade extremos que se assemelham nas conseqüências, revelando assim um complexo conjunto de alterações inflamatórias e metabólicas que teriam muito em comum.

Por Citen às 13h10

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

Histórico