Blog Comer Sem Culpa

15/11/2010

O fantasma da hipoglicemia na vida dos diabéticos

De repente, quando menos se espera, durante o passeio no parque, as compras no supermercado ou a ginástica da academia  o mal estar aparece. Pode ser sutil como uma sensação de fome súbita, uma dor de cabeça leve, uma certa irritabilidade.  Mas pode nos surpreender pela agressividade dos sintomas como fadiga, tremores, tonturas, palpitações, sudorese intensa, visão embaçada ou dupla, dormência nos lábios, desorientação, mudança de comportamento, podendo chegar à convulsão e o coma. Estamos diante de um quadro de hipoglicemia com todas as suas possibilidades de complicações. Considera-se hipoglicemia os níveis de glicose abaixo de 70mg/dL.

A hipoglicemia pode ocorrer nas seguintes condições:

(1)        Atividade física além do normal

(2)        Redução do volume, atraso  ou falta de uma refeição

(3)        Vômitos ou diarréia

(4)        Consumo de bebidas alcoólicas

(5)        Uso de insulina ou medicamentos orais em doses maiores que as necessárias.

Para a maioria das crianças diabéticas e seus pais, a hipoglicemia noturna é a complicação aguda mais temida. As necessidades de insulina durante o sono não são constantes. Isso propicia quedas glicêmicas perigosas entre 2 e 4 horas da madrugada que podem passar despercebidas, devido ao próprio sono e à uma natural elevação da glicemia pela manhã.

O mais importante seria a prevenção de episódios hipoglicêmicos.  Quanto mais rigorosamente for tratado um paciente com diabetes, maior a probabilidade de ele vir a ter algum quadro de hipoglicemia. Pacientes com glicemias elevadas geralmente não têm esses episódios. Isso não deve ser levado em conta para se justificar uma glicemia basal elevada, pois sabemos que é possível deixar o paciente bem controlado e sem hipoglicemias. Essa será sempre a nossa meta.

 

 

Por Citen às 11h08

11/11/2010

Diabetes Gestacional (DG)

Os critérios para o diagnóstico do DG tem se tornado mais e mais rigorosos. Isso provem da constatação de que pequenas variações no açúcar do sangue das mães podem influenciar a adiposidade do corpo do bebê e a sua produção de insulina, programando uma maior susceptibilidade deste ao diabetes.

No Brasil, o Projeto Diretrizes de 2006, organizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, definiu estimativas de prevalência do DG em 2,4 a 7,2% das gestantes. Isso é especialmente preocupante, uma vez que é sabido que cerca de 45% dessas pacientes terão uma evolução para o diabetes definitivo nos próximos 10-12 anos.

Os critérios diagnósticos do DG nunca obtiveram um consenso das várias sociedades de diabetes no mundo. Recentemente, foi publicado um último guia cujos critérios aumentam a incidência de DG em 3 vezes em relação ao que temos hoje. Esse rigor se deve ao fato do conhecimento atual de que as complicações fetais podem ocorrer nas gestações livres do diabetes, mas sujeitas a maiores oscilações glicêmicas, anteriormente consideradas inofensivas.

O objetivo do tratamento do DG é alcançar as metas de glicemias consideradas seguras para ela e seu bebê. Para tanto, a orientação nutricional é eficiente na maioria dos casos. No demais, a associação de insulina com monitorização rigorosa das glicemias maternas garante saúde materno-fetal.

Por Citen às 16h55

10/11/2010

Orientações para as crianças e adolescentes diabéticos em relação à prática de esportes.

1)     Medir a glicose antes, durante e após a atividade física;

2)     Evitar iniciar atividade física com glicemia > 250mg/dL com cetonúria ou > 300mg/dL mesmo sem cetonas na urina;

3)     Acrescentar carboidrato antes do exercício se a glicemia < 100mg/dL;

4)     Quando a atividade física for realizada após as refeições, reduzir em 50% a dose da insulina Regular ou Análogo de ação rápida utilizado  antes dessa refeição;

5)     Não realizar atividade física em jejum;

6)     Quando a atividade física for realizada antes do almoço e jantar, deve ser adicionado um lanche extra se a glicemia antes do exercício for normal;

7)     Sugestões para o lanche extra:

Para cada 30 minutos de atividade física intensa, oferecer uma porção extra de 15g de CHO (2 bolachas cream cracker ou 1 fatia de pão de forma ou 1 maçã ou laranja ou banana);

Para cada 60 minutos de atividade física intensa, oferecer 30g de CHO + 1 porção de proteínas (2 fatias de pão de forma + 1 fatia de queijo);

8)     Evite aplicar a insulina nos membros utilizados para a prática de exercício físicos relacionados a eles; por exemplo não aplicar nos braços quando a criança for nadar ou não aplicar na coxa quando ele for jogar futebol;

9)     Pode haver a necessidade de reduzir a dose total de insulina, mesmo nos dias que a criança não fizer ginástica;

10)  Se a criança for fazer atividade física por período prolongado como em maratonas ou competição, pode ser necessário reduzir em até 20 a 30% a dose total da insulina, lembrando-se de que nesses casos é importante reduzir em 20 a 30% a dose de insulina de ação intermediária (NPH) ou lenta (Lantus ou Levemir) na noite anterior;

11)  A glicemia pode cair várias horas após o exercício ter terminado – até 24 horas após – pois a glicose passa do sangue para o músculo para repor os estoques de energia que foram usados durante a ginástica;

12)  A criança não deve se exercitar se estiver doente, pois isso pode elevar a glicose e cetonas do sangue;

13)  No dia que a criança se exercitar, se a glicemia for menor do que 120mg/dl ao deitar, dobre a quantidade do lanche antes de dormir e use sempre proteína (iogurte ou leite) associada ao carboidrato.

Por Citen às 08h27

08/11/2010

As dificuldades dos adolescentes frente ao diabetes

Na adolescência parece impossível o tratamento do diabetes. O controle glicêmico passa a oscilar de acordo com o humor, a rebeldia e a própria instabilidade do adolescente. As doses de insulina e monitorização das glicemias, que antes eram atentamente seguidas pelos pais, deixam de ter a regularidade necessária ao tratamento desses pacientes.

Os problemas vão desde os excessos alimentares até o jejum prolongado. Isso propicia tanto os picos de hiperglicemia como episódios hipoglicêmicos perigosos. Além disso, omissões nas doses da insulina tornam praticamente impossível a adequação do açúcar no sangue.

Nessa fase da vida, é preciso que o adolescente diabético se sinta engajado em grupos sociais que o respeite, aos quais ele se identifique. Precisa ainda de certo grau de autonomia responsável, que dá a ele a noção das possibilidades de sua vida frente às diferentes formas de encarar a doença.

A evolução do tratamento do diabetes trouxe maior flexibilização em sua dieta e na dosagem de insulina. Atualmente, as novas insulinas e opções de contagem de carboidratos tem dado a eles uma condição ímpar no sentido de alcançarem um controle glicêmicos  razoável a um grau de dificuldade muito menor que antes. Agora, eles podem participar dos eventos sociais de sua idade, praticar atividade física e se sentir menos excluídos.

Por Citen às 08h10

05/11/2010

Diabetes na infância:um desafio para a equipe de saúde a para a família

Não há como fazer a prevenção, a doença se instala abruptamente. Não há antecedentes familiares. Sede intensa, urina em excesso e perda peso chamam a atenção para algo errado. Geralmente coincide ou sucede um quadro infeccioso que pode mascarar o processo e dificultar o diagnóstico.  Quando isso ocorre, a criança pode evoluir rapidamente para a desidratação e o coma.

Na infância, o diabetes é uma doença auto-imune, onde uma produção maciça de anticorpos contra o pâncreas destrói as células produtoras de insulina,  inviabilizando a vida sem as aplicações desse hormônio. Há um grande reboliço na família. Muita coisa deverá mudar e as limitações deverão valer para todos, com restrições nutricionais e horários mais rigorosos.  A vida continua, mas com aplicações de insulina, medições de glicemia e maior controle nutricional.

Na escola, os professores devem estar atentos para os sintomas de hipoglicemia como dispersão, sonolência e irritabilidade; como de hiperglicemia como turvação visual, sede intensa e necessidade de urinar várias vezes.  Com atenção e preparo da escola, essas crianças terão condições de participar de todas as atividades sem discriminação, o que facilitará seu rendimento escolar.

A hipoglicemia noturna é um risco real para essas crianças. As necessidades de insulina durante o sono não são constantes. Este perfil propicia quedas glicêmicas perigosas entre 2 e 4 horas da madrugada. As necessidades noturnas de insulina variam de acordo com a escolha alimentar do jantar e com os exercícios físicos realizados ao entardecer e à noite. Assim, alimentação e atividade física devem ter uma certa regularidade na vida dessas crianças para reduzir o risco de hipoglicemia.

Por Citen às 08h15

03/11/2010

O diabetes que não se vê: sinais precoces e prevenção possível

A glicemia de jejum sempre foi um marco no diagnóstico do diabetes e valores entre 70 e 99mg/dL sempre tranquilizaram médicos e pacientes. O diabetes pode estar disfarçado de glicemia normal e pode evoluir muitos anos até os valores extremos de glicemias dos diagnósticos. Nesse estágio da doença, muito já se perdeu das células produtoras de insulina, um caminho sem volta.

Filho de peixe, peixinho é... Assim um filho de um diabético, pode até se livrar da doença, mas será sempre um paciente de risco. Deverá receber  atenção redobrada para a possibilidade de desenvolver a doença. Neles, uma glicemia de jejum de 80mg/dL não deve ser tranquilizadora, principalmente quando encontramos outros sinais de risco.

O nome “pré-diabetes” deixa claro do que se trata: uma condição em que o sujeito está prestes a se tornar diabético. A alteração mais comum nessas pessoas é o aumento do peso corporal, uma gordura estranhamente localizada na cintura, associada, muitas vezes, a membros normais. Além disso, pode ocorrer  elevação da insulina e dos triglicérides, bem como queda no colesterol bom (HDL colesterol). O pâncreas da pessoa com pré-diabetes passa a produzir níveis progressivamente elevados de insulina, o que garante glicose normal durante muitos anos e impede que o diagnóstico de diabetes seja feito.

Podemos prevenir o diabetes de maneira eficaz através de modificações no estilo de vida. Atividade física regular e perda de peso provaram reduzir em 50% a incidência da doença em pré-diabéticos. Alguns medicamentos também são eficazes, na ordem de 30%. Quando associamos as duas intervenções, nós podemos alcançar em até 58%  a possibilidade de evitarmos a doença nos pré-diabéticos.  

Por Citen às 17h13

01/11/2010

“Com os olhos bem abertos” para o diabetes

O mês de novembro começa sob intensa programação envolvendo o diabetes. Dia 14 de novembro tornou-se uma data de mobilização mundial, o dia mundial do diabetes. Governos, sociedade civil, profissionais de saúde, pacientes e familiares voltam seus olhos sobre a doença crônica de maior impacto no mundo.  São cerca de 300 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo, uma epidemia silenciosa que avança com 7 milhões de novos casos por ano e 3,8 milhões de mortes devido a causas relacionadas à doença.

No mês de novembro, nós abordaremos vários temas relacionados ao diabetes, mas diante da amplitude e da importância do tema, nós podemos responder às questões que deixam dúvidas ou que não foram debatidas no blog.

O tema desse ano, “vamos controlar o diabetes agora”, trás à tona a importância de educar para melhor controlar a doença. Por isso, o blog “comer sem culpa” dará sua contribuição discutindo temas relevantes para os pacientes com diabetes e seus familiares.

Abordaremos a importância da prevenção do diabetes, o dilema da criança com diabetes, as dificuldades dos adolescentes em encarar a doença, os novos valores de referência para o diagnóstico do diabetes gestacional, a importância e os cuidados da atividade física em diabetes, os tabus relacionados ao uso da insulina, a importância da monitorização das glicemias, as complicações agudas e crônicas da doença, a dieta como a grande aliada do tratamento do diabetes, a cirurgia bariátrica como uma forma de tratamento e o sonho da cura pelas células tronco.

Bem vindos ao mês do diabetes!

Por Citen às 11h35

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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