Blog Comer Sem Culpa

15/12/2010

Retenção de líquidos e peso feminino:

As queixas são as mesmas entre algumas mulheres: elas retêm líquidos e por isso não perdem peso, incham mãos e pernas, uma roupa que veste bem pela manhã fica apertada à tarde, não urinam o suficiente durante o dia e por isso acabam tomando diuréticos. Para resumir a história: conclusões equivocadas e condutas impróprias.

A primeira lição dessa história é a seguinte: o nosso corpo é dotado de um sistema de controle muito fino da água corporal, de maneira que o balanço hídrico não se altere muito, nem para mais, nem para menos. O primeiro sinal que algo se alterou é a sede.  Ela garante a procura de água sempre que o nosso balanço hídrico estiver negativo e nos faz recusar água sempre que nossa hidratação estiver normal.

Além deste sistema, nossos rins garantem a eliminação de uma urina mais aquosa e menos concentrada, quando estamos bem hidratados e uma urina mais escura e de menor volume, sempre que nosso estoque de água estiver escasso. Finalmente, ainda eliminamos um volume de água de cerca de 1 litro nas 24 horas através da perspiração, que é a água perdida em forma de vapor quando falamos, sendo esse volume ainda maior nos dias quentes. Isso sem mencionar a perda pelo suor e a água gasta pelo nosso corpo em suas reações químicas.  

Finalmente, é importante que as mulheres saibam que se elas têm boa saúde, dificilmente terão retenção de líquidos a ponto de modificar o peso corporal. Para explicar as oscilações de peso, elas devem rever suas dietas e seus etilos de vida e evitar atitudes equivocadas como o uso de diuréticos.  

Por Citen às 13h03

13/12/2010

A obesidade como um transtorno do impulso

A fome está em baixa. Ela tem perdido terreno entre os estudos da obesidade e as pesquisas que buscam por remédios eficazes. O nosso hábito de comer tem mudado muito e passamos a comer por todos os outros motivos, menos por fome. Comemos aflitos e ansiosos. Comemos impulsivamente.

Os transtornos do impulso tem merecido muita atenção dos estudiosos e atualmente temos medicamentos eficazes para todos eles: tabagismo, alcoolismo, jogo patológico e as várias outras formas de impulsividade. Agora é a vez do comer compulsivo.

A aprovação do Contrave pelo FDA, o novo medicamento no combate à obesidade é a maior comprovação de que as agências reguladoras estão preocupadas com o avanço da obesidade relacionada aos comportamentos alimentares inadequados. Esse medicamento é justamente a associação da bupropiona com o naltrexone, medicamentos usados em outros quadros de impulsividade e que se mostraram eficaz também no controle da impulsividade do comer patológico.

Quando avaliamos os pacientes que procuram tratamento para emagrecer, nós encontramos taxas de comer compulsivo da ordem de 30%. Essas taxas aumentam ainda mais, quanto mais grave for a obesidade. Assim, quando observamos os pacientes que procuram tratamento cirúrgico da obesidade, os obesos mórbidos, nós encontramos taxas de 50 a 70% de compulsão alimentar.

Assim, em meio à escassez de medicamentos que ajudem no tratamento da obesidade, a aprovação do Contrave nos traz uma esperança. A possibilidade de podermos tratar realmente quem nos procura para emagrecer, ao invés de pedir a eles que tenham força de vontade.

Por Citen às 11h14

10/12/2010

Um novo medicamento contra a obesidade

Nos últimos 15 anos, apenas quatro medicamentos para a obesidade receberam registro das agências reguladoras em todo o mundo, a dexfenfluramina, o rimonabanto, a sibutramina e o orlistat. No Brasil, a primeira foi suspensa após cinco anos de uso, devido a constatação de causar lesões nas válvulas cardíacas, o segundo foi suspenso em menos de um ano, após as observações de causar problemas psiquiátricos e a cada dia aumenta o cerco à sibutramina. Ela já foi suspensa na Europa, Canadá, EUA e outros países da América Latina.

Para uma droga nova ser aprovada para o tratamento da obesidade, ela deve se mostrar eficaz em relação ao placebo (cápsulas sem medicamento ativo), ou seja, levar a uma perda de peso maior que 5% do peso corporal e propiciar manutenção do peso alcançado por no mínimo um ano; deve ser segura em relação aos efeitos colaterais e deve levar à redução dos vários fatores de risco relacionados à obesidade.

Esses são parâmetros rigorosos e avaliados em 3 fases antes da droga poder ser comercializada, o que pode levar mais de 10 anos de pesquisa. Após a aprovação pelos órgãos de vigilância, começa uma 4ª fase de avaliação, chamada de farmacovigilância, quando os órgãos reguladores, como o FDA nos Estados Unidos, a Anvisa no Brasil e a EMEA na Europa podem exigir mais estudos e suspender a comercialização do medicamento.  

Para conseguir um medicamento eficaz e seguro, que cumpra com as normas do FDA nos Estados Unidos, por exemplo, são necessários cerca de cinco mil a 10 mil compostos químicos, no mínimo oito a 12 anos de estudos e avaliações, entre 350 a 500 milhões de dólares de investimento. Mesmo assim, a aprovação desses medicamentos pode ser suspensa caso os pré-requisitos acima não sejam atendidos. 

Acaba de ser aprovado pelo FDA nos EUA uma nova associação de medicamentos para o tratamento da obesidade. Trata-se do Contrave, uma associação de medicamentos já existentes, inclusive no Brasil. A bupropiona, até então usada na luta contra o tabagismo e o naltrexone, usado no tratamento do alcoolismo.

Atualmente, outros quatro medicamentos estão em fase adiantada de pesquisa, na chamada fase III. São eles:

1- Celistat: Um inibidor da lipase semelhante ao nosso orlistat, que leva à perda de peso pela inibição da absorção intestinal das gorduras da dieta.

2- Locaserina: Uma droga que imita os efeitos da serotonina, semelhante à sibutramina, mas sem alguns efeitos estimulantes desta.

3- Qnexa: Uma associação do topiramato com a fentermina. O primeiro, um anticonvulsivante e antienxaquecoso já em uso no Brasil e com comprovados efeitos na impulsividade do comer compulsivo. A segunda, em uso nos Estados Unidos, um derivado anfetamínico com efeitos supressores do apetite. Infelizmente, essa associação acaba de ser reprovada pelo FDA na fase III.

4- Tesofensina: uma droga semelhante à sibutramina com efeitos na saciedade e no gasto energético.

Por Citen às 13h21

08/12/2010

Dietas Desintoxicantes para eliminar impurezas e emagrecer. O que há de errado nisso?

Inicialmente elas eram sutis e propunham eliminar toxinas. Mas não passavam de dieta líquida, com o objetivo de hidratar o corpo após períodos de ingestão alcoólica pesada e exageros alimentares. Posteriormente, elas foram se tornando mais invasivas e  perigosas. Passaram a pregar longos períodos de ingestão líquida, interromper ou aumentar a ingestão de sal, usar laxantes potentes, capazes de impor ao corpo uma perda enorme de água e eletrólitos. Como se não bastasse, a ousadia dessas dietas foi além, pois passaram a incluir várias sessões diárias de lavagem intestinal, que deram o nome de hidroterapia do cólon. A alegação das pessoas que fazem ou ensinam tais tratamentos é a de que eles eliminam toxinas, impurezas e “sujeiras” do corpo e emagrecem.

Nessa fase do ano, são comuns as adesões a dietas malucas e tratamentos alternativos arriscados. Por isso mesmo é bom que vocês saibam que as dietas de desintoxicação não tem base endócrina ou nutricional nenhuma. Primeiro, porque não estamos intoxicados. Segundo, porque nosso corpo é capaz de eliminar as substâncias potencialmente nocivas a ele através do fígado e dos rins. Terceiro, porque essas dietas podem nos causar complicações  graves.

Elas são capazes de levar a um grande desequilíbrio metabólico, desidratação, arritmias cardíacas e lesões neurológicas relacionadas ao desequilíbrio hídrico e eletrolítico dos fluidos corporais.  O que não ocorre é a tal desintoxicação.

Essas dietas desintoxicantes nada mais são do que mais um modismo. Uma forma muito pouco convincente e arriscada de nos redimir dos excessos alimentares e da culpa que eles nos causam. Ao invés de seguir as orientações pouco ortodoxas dessas dietas esdrúxulas, as pessoas devem entender que um erro não justifica outro, e que elas devem rever seus conceitos nutricionais e serem mais críticas quando se depararem com mais um modismo de dieta.

Assim, desacreditem das perdas de peso fáceis, dos medicamentos milagrosos, das práticas médicas não consagradas e não avalizadas pelo mundo acadêmico. Desacreditem dos procedimentos que não têm consenso. Que são praticados por uns poucos. Que não são ensinados nos bancos das escolas de medicina. E acreditem muito no poder de cada um em mudar a própria história e a própria doença, principalmente quando a nossa doença está sendo causada por nossos maus hábitos.

Por Citen às 09h32

06/12/2010

Festejar sem sofrer e depois recomeçar

Sem comida e bebida, não tem festa! Ah! Amigos também  fazem parte e são importantes nas comemorações de dezembro. E quantas comemorações! Primeiro, a festa geral da empresa, depois o departamento se reúne e finalmente, as panelas. Isso sem falar na família e nos amigos pessoais. O resultado de tudo isso são festas e mais festas ao longo do mês de dezembro, todas com muita comida e bebida. Haja bom senso e equilíbrio para não por a perder todo o esforço ao longo do ano para alcançar o peso ideal.

Isso explica o grau de ansiedade e preocupação que as pessoas engajadas em dietas chegam ao consultório no mês de dezembro. Ao invés da expectativa boa, as pessoas demonstram muita apreensão com situações que deveriam suscitar alegria e diversão. Relaxa gente! Não sofram tanto! O certo é que vocês vão comer e beber mesmo! Talvez até um pouco mais do que deveriam! Mas dezembro não é mês de perder peso... Também  não é mês de ganhar!

Vamos lá! Vamos tentar organizar a programação e as estratégias. A primeira coisa a pensar é que a comelança das festas não representa o fim da dieta ou que tudo está perdido. Após as festas, vocês precisam estar preparados para dar continuidade à meta de alcaçar e manter o peso ideal. O que observamos é que quando uma situação é planejada, ela não é sentida como um deslize e não traz a sensação de culpa ou de fracasso da dieta. Assim, é melhor que planejem os eventos, se permitam festejá-los e se cuidem muito nos dias normais.

A segunda regra é tentar seguir a dieta nos dias que intercalam as festas. Tentem não prolongar a festa para o dia seguinte e procurem viver dias normais fora das datas comemorativas. Isso certamente irá ajudá-los a recomeçar a vida normal quando chegar o Ano Novo.

Por Citen às 11h43

03/12/2010

A hora e a vez da Caralluma

Emagreça nesse verão - Oferta de Natal - Pague 2 leve 3 e parcele em 12 vezes! Esse é um dos muitos anúncios encontrados do Google quando pesquisamos pelo nome da planta milagrosa! Além dele, em muitos Blogs e Sites, lá está ela, no rodapé, emagrecendo a Ivete Sangalo. Quatro quilos em uma semana!

Minha gente, como as pessoas são inocentes! Como são vulneráveis e pouco cautelosas com a própria saúde. Por isso são vítimas fáceis de tratamentos alternativos, sem nenhuma evidência que comprove seus reais benefícios. Assim, a cada 6 meses aparece uma novidade no mercado emagrecedor dos suplementos.

Nós gostaríamos de recomendar aos pacientes uma medicação natural e realmente eficaz na luta contra a obesidade. Todos os dias eles nos questionam sobre os reais benefícios da Caralluma. Infelizmente, passamos horas do nosso dia de trabalho esclarecendo propagandas enganosas e atribuições irreais a tais suplementos.

A obesidade é uma doença desafiadora pois trás consigo inúmeras outras doenças. Tem sido motivo de investimentos astronômicos dos governos, laboratórios e comunidade científica. Não pode ser abordada de maneira tão simplista e empírica. Esses suplementos vendem uma ilusão que deixam os pacientes mais e mais descrentes na real possibilidade de tratamento desse mal.

Diante de tamanha  facilidade prometida pela Caralluma e suplementos afins, não há como convecer os pacientes da realidade. A obesidade é uma doença grave e de difícil tratamento. Requer mudanças de habito e um enorme esforço individual. E tende a crescer diante da decepção das pessoas ao descobrirem que não passa de mais uma ilusão!

Por Citen às 08h15

01/12/2010

Agora o vilão é o glúten

 

Certamente você já ouviu falar sobre ele. Se não ouviu, já leu o alerta obrigatório nos rótulos dos alimentos e já percebeu a sua importância. Mas você sabe o que é o glúten? Acha que ele pode estar te engordando ou dificultando sua digestão? Acha por acaso que há alguma vantagem em retirá-lo do seu cardápio?

O mundo das dietas de moda quando elegem um vilão, torna praticamente impossível reabilitá-lo. Agora é a vez do glúten. Por isso, antes que você caia em mais uma armadilha dietética, está na hora de entender o que é esse tal de glúten.

Ele é um pedacinho da proteína de alguns cereais como trigo, aveia, centeio, cevada, malte e seus derivados. Integram o abundante grupo de alimentos e bebidas que “contêm glúten” os pães, bolachas, massas, cerveja, uísque e uma infinidade de produtos industrializados. Ele passou a chamar muita atenção nos últimos sete anos quando a legislação brasileira passou a exigir que qualquer produto alimentício deva exibir na embalagem a indicação "contém glúten" ou "não contém glúten".

Saber se um alimento contém ou não contém glúten é mesmo muito importante para algumas pessoas. Nelas, essa proteína causa uma reação imunológica tão grave que compromete todo o trato digestivo levando desde anemia e carências nutricionais até o câncer de intestino. Estamos falando da Doença Celíaca, uma condição clínica bem definida.

Para a grande maioria das pessoas não há nenhuma vantagem em se retirar o glúten da dieta. Ele não está associado ao ganho de peso e não causa má digestão em ninguém. Se por acaso há alguma suspeita de que você seja um celíaco, antes de retirar os alimentos que contém glúten da sua dieta, você deve ser submetido a uma biópsia intestinal, pois é a única forma definitiva de diagnóstico. Se não houver a comprovação, esqueça o glúten e não abra mão da variedade nutricional, que é um dos pilares da boa nutrição.

Por Citen às 09h04

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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