Blog Comer Sem Culpa

14/01/2011

A internet pode até ajudar uma consulta médica, mas não substituí-la


Com o livre acesso dos pacientes à informação, há também fatores positivos que enriquecem uma consulta médica e nutricional. A monotonia das consultas unilaterais, onde sempre impera um monólogo tende a acabar.  O médico orienta e o paciente concorda. Os pacientes estão falando mais, perguntando mais e exigindo uma explicação mais convincente dos seus males.

Com um maior esclarecimento, os pacientes tendem a aderir melhor ao seu tratamento. Entendem porque estão tomando esse ou aquele remédio e passam a encarar uma orientação nutricional com uma maior possibilidade de adequação ao plano proposto. Passam a saber trocar alimentos e comer adequadamente em casa, no trabalho e no lazer. Não precisam mais das tabelas e tem maior liberdade de conduzir seu tratamento.

A informação adequada nunca é demais. Não se constitui em um desafio ao médico. Perguntar enriquece a consulta e não ofende. Pelo contrário, dá ao médico e à nutricionista a chance de estreitar os laços da relação e fidelizar o paciente. Com isso o paciente pode entender a diferença entre uma consulta virtual e uma consulta real. Isso será muito bom para ambas as partes.

Apesar das freqüentes solicitações dos e-pacientes em serem consultados e medicados pela internet, eles precisam entender o risco dessa atitude. Nada substitui a consulta médica, pois ela define as sutis diferenças entre as pessoas e suas doenças e comprovam que diferentes pessoas com doenças semelhantes muitas vezes devem ser tratadas de maneiras diferentes. Assim, as descrições superficiais dos problemas médicos expostos pela internet nunca poderão substituir a riqueza de uma consulta médica tradicional. 

 

 

Por Citen às 09h26

12/01/2011

Os e-pacientes dos outros

Constantemente estão a procura de informações. Passam longos períodos navegando pela rede mundial de computadores. Deixam mensagem em nossos Blogs e perguntas em nossos Sites. Querem saber diagnósticos, entender o resultado de exames, saber como seria a nossa conduta se fôssemos nós os seus médicos. Esses pacientes nos preocupam um pouco mais que os nossos e-pacientes. Parecem vagar em busca de alguém que os informe sobre determinado assunto e geralmente assumem como corretos aqueles que os dizem as coisas que eles gostariam de ouvir. Mesmo que já tenham ouvido muitas outras opiniões diferentes.

Sempre ficamos pensando como seria a relação desses e-pacientes com seus médicos reais. Será que eles não confiam? Será que ficaram receosos ou envergonhados de fazer aquelas perguntas a eles? Será que lhes foi dado a chance? Estranho o fato desses e-pacienets fazerem perguntas a profissionais que não conhecem e que, por sua vez, não conhecem seus problemas como seus médicos.

O resultado é sempre uma grande confusão, pois como muitos tratamentos em medicina não são consenso, esses pacientes acabam ouvido opiniões muito diferentes sobre determinado assunto, o que faz com que eles fiquem ainda mais confusos e desamparados.

A solução para esse impasse seria estimular esses pacientes internáuticos a conversarem com seus médicos e deixarem que eles saibam das suas dúvidas e inseguranças. Alargar o canal de comunicação da relação médico-paciente e evitar que eles busquem em locais desconhecidos a solução para seus problemas.

 

Por Citen às 10h46

10/01/2011

Nossos e-pacientes

O mundo virtual chegou pra valer. Não poupou os consultórios médicos e de nutrição. Estamos aprendendo a lidar com isso. Estamos nos adaptando à nova era. Nossos pacientes não retornam mais com os exames solicitados, enviam por e-mail. Seguem-nos pelo Twitter, são assíduos internautas de vários Blogs e buscam  informações de saúde assiduamente. Sabem de remédios que nem nós sabemos e de formas alternativas de tratamento que tem dado certo em casos como o seu. Buscam avidamente por informações na internet e chegam ao consultório munidos de conhecimentos e questionamentos para serem discutidos. Querem fazer tais e tais exames e sugerem seu tratamento.

Nada contra a tecnologia, mas ela precisa ser analisada e filtrada. Há muito lixo eletrônico que seus olhos não vêem e muita informação tendenciosa que seus conhecimentos não permitem que entendam. O melhor exemplo disso é o grande volume de medicamentos para emagrecer veiculados pela rede e que infelizmente não funcionam, ou, o que é pior, podem ter efeitos deletérios à saúde das pessoas. Além do mais, de nada adiantam mil informações, muitas vezes contraditórias, mas que não os deixam confortáveis ou seguros.

Cerca de 61% dos americanos são considerados e-pacientes e o número tende a se elevar. Entre nós a história está próxima disso. A relação médico-paciente, já muito desgastada pelos planos de saúde, tende a piorar. Os pacientes não são mais pacientes dos seus médicos, mas sim de tal e tal plano de saúde. Por outro lado, os médicos não são mais os médicos desse ou daquele paciente, mas os médicos de tais e tais planos de saúde. Agora, o Dr Google vem complicar ainda mais a relação. Mesmo assim, as pessoas estão cada vez mais inseguras com seus médicos virtuais e cada vez mais distantes de seus médicos reais.

Por Citen às 20h50

07/01/2011

A responsabilidade individual pelo combate à obesidade

Invariavelmente, o paciente obeso que nos procura precisa de ajuda para alcançar seus objetivos. O grande problema que enfrentamos em ajudá-lo é convencê-lo de que suas escolhas alimentares são as verdadeiras  causas do ganho de peso. Só assim ele poderia entender o seu o papel no seu tratamento e o quanto precisaremos dele. Parece simples, mas o paciente já vem em consulta como uma vítima. Como se ele não pudesse fazer nada contra isso e esperasse tudo dos profissionais que o assistem.

Cerca de 80% dos pacientes que nos procuram para emagrecer, vem em busca de uma causa orgânica que justifique o ganho de peso. Apesar do conflito que isso pode gerar, nós precisamos convencer. Convencer a cada um deles de que ansiedade não engorda, faz comer. Explicar que não estamos dizendo que eles mentem, nem estamos  julgando seus comportamentos. Queremos descobrir um caminho por onde começar ajudá-los. Não há como corrigir uma falha sem identificá-la de antemão.

Mesmo que as políticas públicas fossem suficientes e autônomas para impedir a veiculação de propagandas de alimentos engordativos. Mesmo que proibissem o excesso de açúcar e gorduras dos alimentos. Mesmo que fosse obrigatória uma hora de atividade física diária para as pessoas em geral, nada seria eficaz caso as vítimas da obesidade continuassem se omitindo do seu papel principal no combate à doença. Assim, enquanto procurarmos um culpado para a obesidade sem incluir o próprio obeso, continuaremos impossibilitados de combater esse mal.

Por Citen às 09h08

05/01/2011

As estatísticas e a responsabilidade de todos no combate à obesidade

De acordo com o IBGE em seu recente Censo, o Brasil, como todos os demais países emergentes, vem liderando o ritmo de crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade em todo o mundo. Por aqui, cerca de 50% dos adultos e 30% das crianças e adolescentes encontram-se acima do peso normal. Nos Estados Unidos, as estatísticas dão conta de que o número de obesos tende a dobrar nos próximos 25 anos. O saldo disso tudo é uma conta amarga de se pagar, tanto para os governos, quanto para a sociedade civil, com o alto custo do tratamento das complicações da obesidade.

A verdade é que a grande maioria dos casos de obesidade poderia ser prevenida. Os governos não podem se omitir. As escolas devem dar sua contribuição e os subsídios devem premiar os alimentos saudáveis, normalmente mais caros, e taxar, duramente, os alimentos ricos em gordura e açúcar. Além disso, cada um de nós deve fazer sua parte, entendendo que a responsabilidade é primordialmente nossa e que uma escolha alimentar ruim é, quase sempre, fruto de uma opção pessoal.

Os entraves ao tratamento da obesidade são mesmo difíceis de serem transpostos. Tratamentos milagrosos, falsos remédios, profissionais inescrupulosos dão sempre a impressão de que não há mesmo saída, pois enchem de ilusão e desilusão o sonho de perder peso. A opção pela estética e não pela saúde agrava ainda mais a perspectiva do obeso em alcançar seus objetivos, principalmente quando ele tem metas impossíveis de serem alcançadas.

Por Citen às 08h31

03/01/2011

Seria o obeso uma vítima?

Engordamos quando comemos mais do que gastamos. Isso é um fato, incontestável. Mesmo assim, a maioria das pessoas não reconhece como sua a responsabilidade pelo ganho de peso. Há sempre uma justificativa, fora do seu controle, para o curso progressivo da obesidade. O pior é que há uma crença, generalizada, de que esse estado de coisas vem impondo a algumas pessoas a triste sina de uma doença. Trazendo consigo estigma e limitações.

Quando observamos a literatura médica, lá estão, novamente, as explicações para o avanço da obesidade, sempre com um foco em industrialização dos alimentos, globalização, stress, carga horária extenuante e estilo de vida. Justificativas que apresentam o obeso como vítima e retiram dele suas chances de mudar sua história. 

Apesar de bem conhecida a natureza multifatorial da obesidade, ainda se fala em poder aditivo dos alimentos industrializados e de uma força demoníaca que nos faz comer sem parar. Até quando continuaremos culpando forças sobrenaturais e alheias à nossa vontade para justificarem nossas escolhas alimentares? Questiona o Dr David Gratzer, médico do Manhattan Institute. O pessimismo é tamanho, que alguns estudiosos do assunto aconselham os governos a desistirem dos adultos, pois eles não teriam mais salvação e focarem seus esforços nas crianças.

Vendo por esse lado, o obeso seria uma grande vítima. Governos, escolas, indústrias de alimentos e agronegócios, supermercados, redes de fast food e até a poluição do ar estariam conspirando contra ele. Como se fosse possível que lhe fosse retirado todo o poder de escolha. Essa cultura de “vitimização” do obeso retira dele a sua responsabilidade pelo quadro de obesidade e ensina-o a pensar que o seu mal seria causado por fatores externos à sua vontade e que alguém deveria dar a ele a solução.

Por Citen às 16h34

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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