Blog Comer Sem Culpa

31/01/2011

A polêmica sobre os riscos e benefícios do álcool

Nos últimos 10 anos, uma verdadeira polêmica tem sacudido as discussões médicas e seus debates acadêmicos. No centro do debate, o álcool, suscitando posições diametralmente opostas, expondo a verdade sobre o tema: não há consenso, portanto o mais correto é dizer que não sabemos ao certo, se os benefícios superam os riscos.

Tudo começou com um estudo da Organização Mundial de Saúde publicado na revista médica The Lancet em 1992, demonstrando uma menor incidência de infarto entre os franceses, apesar dos conhecidos fatores de risco dessa população como tabagismo e elevada ingestão de gordura saturada. O segredo dos franceses foi atribuído ao seu consumo regular de vinho tinto, que aumentaria a fração protetora do colesterol, o chamado HDL.

Depois desse, muitos outros trabalhos científicos sérios e de alta credibilidade, descrevem as maravilhas do consumo regular e moderado do vinho. Além do vinho, os pesquisadores passaram a descrever os benefícios do próprio álcool, seja ele oriundo de bebidas fermentadas ou destiladas. Um dos estudos de grande relevância no assunto também foi publicado no periódico The Lancet em 1994, mostrando uma queda progressiva da mortalidade por doenças cardiovasculares em povos com maior índice de ingestão de bebidas alcoólicas em geral.

A polêmica continua nos dias de hoje como a recente publicação da revista Internal and Emergency Medicine nesse mês, recomendando o consumo de álcool para melhorar a saúde do coração e concluindo que quem bebe pouco deve ser encorajado a continuar.

Apesar do sucesso entre o público leigo, os benefícios do álcool são constantemente questionados pela comunidade científica e a polêmica continua. 

Por Citen às 08h43

24/01/2011

O hábito do consumo de esteróides e suas conseqüências

Uma pesquisa publicada em 2009 na revista Current Opinion in Endocrinology Diabetes e Obesity, realizada com 500 usuários de hormônios masculinos, nos Estados Unidos, revelou que 78% deles não tinham motivos esportivos para o consumo, 60% usavam doses consideradas muito altas, 99% usavam formulações injetáveis que eles mesmos aplicavam e 13% admitiam práticas de risco, como o reuso de seringas e o compartilhamento de agulhas. Além disso, 25% dos usuários de hormônios masculinos associavam outras drogas aos esteróides, como o hormônio de crescimento, por exemplo.

Um dos primeiros efeitos colaterais do abuso de androgênios é a acne. Esses hormônios levam à hipertrofia das glândulas sebáceas com aumento de sua secreção e proliferação de bactérias causadoras da acne. Os suplementos de proteína Whey, usados largamente em academias e fora delas, agravam esse efeito colateral dos hormônios masculinos, pois a proteína do soro do leite, utilizada nesse produto, tem um forte efeito estimulante da insulina e um efeito sinérgico aos andrógenos, causando acne.

Ao lado da hipertrofia das glândulas sebáceas, a preocupação com relação ao abuso de andrógenos, principalmente em associações hormonais, é a potencial indução de proliferação celular, envolvendo outras glândulas e órgãos, aumentando a possibilidade do câncer, aterosclerose e infarto.  Não é rara a veiculação através da mídia de casos de jovens atletas que sucumbem diante da toxicidade cardiovascular do hormônio masculino e suas associações milagrosas, com infartos e mortes súbitas mal explicadas, acometendo corpos jovens com corações hipertrofiados como seus bíceps.

O uso de suplementos de hormônios masculinos no homem pode levar também à redução da produção de espermatozóides e do volume testicular, aumento da próstata, desenvolvimento de mamas e sinais de feminização. Na mulher ocorre o oposto: aumento dos pelos corporais, suspensão das menstruações, atrofia mamária, calvície, engrossamento da voz e sinais mais graves de masculinização. Finalmente, chama atenção também entre os usuários de esteróides, várias complicações psiquiátricas, como o abuso de outras drogas ilícitas, transtornos do humor e comportamento agressivo com violência doméstica, além de crimes contra o patrimônio público.

Atualmente, estamos perto de ver o que aconteceu nesses últimos 20 anos de abuso de hormônios masculinos e suas associações malucas, pois os primeiros usuários ou ex-usuários estão chegando à média idade e sabemos que os efeitos tóxicos desses preparados tem efeitos a longo prazo. Ainda temos muito o que aprender para que nossos argumentos contra o uso destas drogas sejam mais convincentes para as gerações futuras, que buscam nossos consultórios com o objetivo de alcançarem ‘aquele corpo perfeito’, praticamente ainda na infância.

Por Citen às 13h28

21/01/2011

A venda ilegal e o comércio criminoso dos esteróides anabólicos

Há cerca de dois meses, recebemos um telefonema de uma farmácia de Bragança Paulista com a informação de que eles estavam de posse de cerca de dez receitas de anabolizantes com um carimbo com o meu nome e CRM, além de uma falsa assinatura, é claro. Foram utilizados receituários de uma importante instituição médica de ensino daquela cidade. Apesar de conhecermos situações semelhantes a essas, a sensação que tivemos foi de total insegurança e risco profissional. Primeiro, porque receitas de anabolizantes nunca seriam nossas e segundo, porque pessoas poderiam apresentar efeitos colaterais graves e nós poderíamos ser indiciados por isso. Além do mais, quantas outras receitas como essas já não foram aviadas com o meu CRM? Nas outras farmácias da mesma cidade e em outras cidades. Restou-me fazer um Boletim de Ocorrência e conviver desde então com clara percepção do poder paralelo da venda ilegal dos anabolizantes.  

 A internet facilitou a expansão desse mercado paralelo e tem distribuído milhares de caixas de esteróides em todo o mundo. Diversas plataformas e serviços da rede mundial oferecem a troca de informações acerca da combinação de drogas, dosagens, efeitos colaterais, além de venderem os produtos. Com a disseminação promovida pela Internet, tais drogas, anteriormente muito caras e difíceis de serem encontradas, passaram a ser comercializadas a preços competitivos e acessíveis, sendo distribuídas para o mundo todo. Uma pesquisa no Google, em março de 2007, revelou 47.500 novas citações acerca do tema, um aumento de 400%, em relação à mesma busca realizada em 2002.

A gravidade do problema requer um esforço conjunto da polícia, órgão de vigilância sanitária, médicos e Conselhos de Medicina, farmácias de manipulação, academias de ginástica e sociedade civil. Além disso, a informação deve ser a primeira medida de combate ao uso dessas drogas, sendo a família e as escolas as primeiras responsáveis por sua veiculação. Somente assim podemos impedir a venda ilegal e o comércio criminosos dos esteróides anabólicos. 

Por Citen às 09h51

19/01/2011

O surgimento e a propagação dos esteróides anabólicos

A partir dos anos 50, os atletas conheceram os hormônios masculinos  ou esteróides anabólicos ou andrógenos, em linguagem médica. O abuso dessas substâncias se espalhou por todas as modalidades esportivas, principalmente, entre aquelas cujo sucesso depende da força muscular ou da velocidade de recuperação durante os treinamentos. Nos anos 60 e 70, o abuso dos hormônios masculinos ficou restrito ao mundo dos esportes e à sua elite, mas, em 1976, o Comitê Olímpico Internacional proibiu o uso dos esteróides nas olimpíadas.  

A história estava apenas começando, pois no final dos anos 70, o fisiculturismo competitivo ganhou popularidade e conquistou a mídia de massa, encantando os jovens com a possibilidade deles terem aqueles corpos que eles viam nas revistas e na TV. Nos anos 80, o abuso dos andrógenos se propagou no mundo esportivo e nos lares dos jovens ocidentais. Adolescentes e adultos jovens passaram então a usar hormônios masculinos com o objetivo de melhorar a aparência e não para o engajamento em competições atléticas.

O reconhecimento público do uso dessas drogas nos esportes data de cerca de 20 anos atrás, quando Ben Johnson perdeu sua medalha de ouro no atletismo, após um exame anti-doping nos Jogos Olímpicos de Seul. Esse fato levou o Congresso dos Estados Unidos a classificar os esteróides como drogas controladas, em 1991. Em 1999, os americanos criaram uma agência mundial de anti-doping, a WADA – World Anti-Doping Agency. A despeito de todas essas medidas, a droga usada por Ben Johnson, um hormônio masculino usado em medicina veterinária,  ficou famosa em todo o mundo. E o abuso desses hormônios se propagou das elites esportivas para as academias, colégios e universidades, seduzindo a garotada, inclusive as meninas.

Por Citen às 08h28

17/01/2011

Um sonho de beleza e uma ilusão de saúde

O abuso de hormônios em nome de um corpo perfeito


Quem passou pela puberdade há mais de 20 anos pode comparar os jovens e adolescentes de hoje com aqueles daquela geração. Os últimos não faziam o tipo atlético, tão comum nos dias de hoje... Tipos atléticos estão em todos os lugares, dentre os nossos parentes, vizinhos e  ídolos de TV e cinema. Reparem em seus corpos, em seus músculos e no orgulho deles em relação aos seus atributos. O que vem acontecendo com os meninos, hoje? De onde vêm bíceps, tanquinhos e peitorais bem definidos e depilados?

De uma maneira geral, adolescentes e jovens rapazes não conseguem desenvolver naturalmente músculos tão hipertróficos apenas por meio da realização de atividades físicas. Nos meninos, os hormônios masculinos e o estirão de crescimento é inclusive mais tardio, em relação ao que acontece com os corpos das meninas. E não há hipertrofia muscular sem hormônios masculinos em excesso. No homem adulto isso pode ocorrer após muita musculação, mas até nesses casos, as proporções da musculatura alcançam um limite, normalmente imposto pelo tempo que se dispõe para freqüentar as academias. Assim, quando observamos as proporções corporais desses meninos, chegamos à conclusão de que alguma coisa não fisiológica está acontecendo com eles.

Em nossa prática clínica, tem sido cada vez mais comum atendermos esses meninos, tão ansiosos por músculos e proporções corporais incompatíveis com suas idades. Juntos deles, vem os pais, aflitos, perdidos e com a expectativa de que consigamos convencer seus filhos a não usar os suplementos e esteróides anabólicos. Infelizmente, nossos argumentos encontram muito pouco eco nas opções desses meninos. Eles já chegam com um padrão de beleza e uma ilusão de saúde fortemente arraigados, os mesmos que vemos todos os dias estampados nas capas de várias revistas em uma apologia insana e cruel.

 

Por Citen às 21h33

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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