Blog Comer Sem Culpa

25/02/2011

Suplementos Alimentares e Exercícios Físicos

Proteína do soro do leite e albumina da clara do ovo

A maior vedete dos suplementos alimentares, a proteína do soro do leite, tem adeptos em todos os níveis de atividade física, mas acreditem, a maior parte desse consumo felizmente é eliminada pelos rins sob a forma de compostos nitrogenados, pois trata-se de complementação excedente às necessidades individuais que o corpo sabiamente descarta . Saibam que o nosso corpo não estoca proteína como acontece com os carboidratos e as gorduras.

A adequação do consumo protéico é fundamental para a   hipertrofia muscular, quanto a isso não há dúvidas. Mas o brasileiro já ingere em seu cardápio uma média de proteínas muito superior às recomendações de uma dieta saudável e muito além das suas necessidades individuais para o grau de atividade física realizado. Para se ter uma idéia, um indivíduo sedentário requer 0,8g de proteínas por kg de peso por dia e essa necessidade aumenta progressivamente, alcançando cerca de 1,8g para aqueles indivíduos em busca de hipertrofia muscular, sendo eles atletas ou não.  O consumo adicional, acima desse valor máximo, não  determina ganho de massa muscular nem melhora o desempenho.

Quando sabemos que a ingestão média protéica do brasileiro gira em torno de 2g por kg por dia, nós podemos imaginar quantas pessoas estão ingerindo e descartando excessos protéicos ingeridos através de suplementos alimentares.

A ingestão protéica, após exercícios de musculação realmente favorece o aumento da massa muscular quando associado à ingestão de carboidratos, reduzindo a degradação protéica. Recomenda-se 10g de proteínas para 20g de carboidratos. Isso equivale à ingestão de um copo grade de vitamina de frutas com leite. Essa necessidade pode ser muito maior apenas em atletas em treinamento e competição, que geralmente requerem dieta hipercalórica. “O aumento da massa muscular ocorre como conseqüência do treinamento, assim como a demanda protéica, não sendo o inverso verdadeiro” de acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. 

Por Citen às 08h40

23/02/2011

Suplementos Alimentares e Exercícios Físicos

Aminoácidos

Assim como a glicose é unidade formadora dos carboidratos, os aminoácidos são as unidades que se agrupam, em grande número, formando as moléculas de proteína. A idéia é que a ingestão dessas unidades protéicas após um treino intenso, adicionadas a soluções de carboidratos, determinaria maior recuperação após esforço, seguido de aumento da massa muscular. Os aminoácidos mais utilizados são o BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada) e a creatina. 

O BCAA, apesar de muito utilizado, não recebeu a aprovação da Anvisa por falta de comprovação científica. A hipótese é de que esse composto poderia aumentar a tolerância ao esforço físico prolongado. Os fabricantes recomendam a sua utilização antes e após o treino, mas a opinião dos estudiosos no assunto, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte,  é discordante. A maioria dos estudos realizados parece não demonstrar benefícios do BCAA e os resultados favoráveis, principalmente no que diz respeito à recuperação muscular, talvez sejam atribuídos às soluções ricas em carboidratos adicionadas ao esquema de suplementação pós- treino.

A creatina foi recentemente aprovada pela Anvisa como parte de um programa específico para atletas. Nesse grupo, ela tem sido apontada como o suplemento nutricional de maior eficiência no desempenho físico em exercícios de força de alta intensidade e curta duração. De acordo com alguns estudos, a creatina ingerida chega aos músculos onde promove retenção de líquidos e uma aparência muscular definida e hipertrofiada, além de promover estímulo energético para um intenso trabalho muscular. Esses estudos são ainda preliminares e  envolvem um número muito pequeno de paciente. Por isso devem ser ampliados para que possamos obter maior embasamento em suas indicações e contra-indicações

Em relação aos efeitos colaterais da creatina, eles parecem não ser importantes. Por outro lado, também sabemos que esse suplemento não tem indicação para praticantes de atividade física sem finalidades competitivas. Para esses, bastam 2g de creatina ao dia, encontrados facilmente em dois deliciosos bifes de carne bovina.  

Por Citen às 12h31

21/02/2011

Suplementos Alimentares e Exercícios Físicos

 

Suplementos de Carboidratos

Apesar do suplemento protéico ter alcançado fama entre os atletas e praticantes de atividade física, sua ação está intimamente relacionada à sua associação com doses variáveis de carboidratos. São eles os principais nutrientes responsáveis pela  performance dos exercícios, garantindo o combustível necessário para os treinos de curta e longa duração. Além disso, os carboidratos são fundamentais na hipertrofia e recuperação muscular pós-treino, pois permite que a repetição dos exercícios sob força seja eficiente o bastante para promover a definição e a hipertrofia muscular.

Toda atividade física deve ser precedida por uma refeição rica em carboidrato complexo e, na maioria das vezes, essa refeição atende, perfeitamente, as necessidades de pessoas submetidas a treinos de até uma hora de duração. Durante esse período não há riscos de se escassear as reservas musculares, queda de rendimento ou perda de massa magra. Logo, não há nenhum benefício em suplementar carboidratos nesses casos.

A partir de uma hora, as necessidades crescentes de carboidratos podem comprometer o rendimento e reduzir acentuadamente os estoques de energia muscular. Nesses casos, a suplementação de carboidratos é fundamental para a continuidade dos exercícios. O maior exemplo dessa necessidade de suplementação de carboidratos são as maratonas.

As doses desses suplementos variam de acordo com o peso do atleta e com a duração do exercício. Em média, recomenda-se 30 a 60g de carboidratos simples (glicose) por hora de exercício físico, para evitar a depleção do glicogênio e hipoglicemia. Eles podem ser ingeridos sob a forma de gel ou de bebidas isotônicas especialmente desenvolvidas para atletas. 

A maltodextrina é á base de carboidrato complexo e deve ser ingerida antes do treino, pois essa forma de carboidrato não oferece a glicose imediata para o consumo muscular e requer um tempo de digestão para que ela seja liberada e utilizada como substrato. Daí é fácil compreender que esse suplemento é totalmente dispensável quando o atleta tem a possibilidade de se alimentar antes do seu exercício.  

 

Por Citen às 08h57

18/02/2011

A grande ilusão dos suplementos emagrecedores


Eles invadiram as farmácias, as páginas da internet, nossos e-mails e os sonhos de emagrecer das pessoas. Utilizam a idéia do natural e prometem emagrecer rapidamente. Não tem nenhum efeito colateral e nem precisam de receita médica para serem adquiridos.

Uma das suas estratégias infalíveis é a sua vinculação à perda de peso de pessoas famosas. Assim, a caralluma emagreceu a Ivete Sangalo antes de ter sua comercialização suspensa pela Anvisa. Várias revistas estampavam em suas capas, blogs famosos traziam em suas home pages a publicidade desse suplemento ligada à imagem da cantora.  Os pacientes chegavam ao consultório e invariavelmente solicitavam a possibilidade de também utilizar a “maravilha de emagrecer” e muitos deles tomavam independente da nossa orientação contrária.

Essa invasão de suplementos emagrecedores não ocorre apenas no Brasil. Na Europa e na América do Norte eles já nadam de braçada e tem seu comércio em franca ascensão sempre que há  um endurecimento das agências reguladoras em relação aos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade. As pessoas tentam o tratamento que lhes é permitido e esses suplementos gozam de livre trânsito também naqueles países. Nos Estados Unidos, há outdoors, letreiros luminosos nos halls dos hotéis, ônibus e metrô. A publicidade é intensiva e direta aos consumidores e eles estão em toda parte.

Diferente dos medicamentos, os suplementos não tem que provar eficácia para chegar às gôndolas das farmácias e supermercados. Não tem que provar que são seguros ou que atendem às promessas de seus rótulos. Essa brecha na legislação dos órgão reguladores faz com que a comercialização dos suplementos emagrecedores saltem para cifras astronômicas sem nenhum investimento em pesquisa.

Infelizmente, não existe nenhum medicamento natural ou suplemento que realmente conduza ao emagrecimento. Por isso mesmo eles aparecem e desaparecem com a rapidez de algo que não tem nada a acrescentar. São comercializados às custas da boa fé e dos sonhos das pessoas.  Hoodia gordonii, caralluma, folia magra, folia negra, ração humana, faseolamina, quitosana e tantos outros. Nunca passaram por nenhuma pesquisa científica séria e não tem, na verdade, nenhum efeito emagrecedor. 

 

 

Por Citen às 08h11

16/02/2011

A difícil tarefa de tratar a obesidade sem medicamentos

Atualmente temos muito poucos remédios para o tratamento da obesidade e aparentemente vamos perdê-los todos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já vem anunciando a sua intenção de retirar do mercado todos os medicamentos para o tratamento da obesidade que atuem no Sistema Nervoso Central. Acontece que a fome e a saciedade ocorrem no cérebro e todos os medicamentos com algum efeito real no tratamento da obesidade atuam nesse local.

A questão levantada pela Anvisa é a mesma das demais agências reguladoras de medicamentos do mundo: os possíveis efeitos colaterais dessas drogas. Esses efeitos seriam mais arriscados do que os benefícios das mesmas. Essa afirmação tem sido questionada pela maioria das sociedades médicas mundiais que tratam as pessoas com sobrepeso e obesidade.

Na verdade, todos os medicamentos podem causar efeitos colaterais. Quando usamos um medicamento nós pesamos os riscos e benefícios. Basta olharmos as bulas dos antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, antidepressivos, anticonvulsivantes, redutores de colesterol, anti-hipertensivos... Todos são passíveis de efeitos colaterais. Eles devem ser usados com critérios, seu uso deve ter a vigilância apropriada, mas nem por isso devem ser suspensos do mercado.

A obesidade é vista como uma falta de força de vontade e não como uma doença. Uma fraqueza, uma desorganização da vida pessoal, onde a pessoa não consegue se controlar. Quase um desvio de conduta. É claro que essa visão preconceituosa da obesidade tira dela o crivo de uma doença crônica e grave, muito diferente do tratamento rigoroso dedicado à hipertensão arterial, ao diabetes, às doenças do excesso de colesterol e tantas outras. Essas doenças são agraciadas com múltiplas drogas que saem no mercado todos os anos, de maneira que podemos escolher qual delas usar.

Para a obesidade a coisa é muito mais difícil. Temos poucos medicamentos eficazes e provavelmente eles serão retirados do mercado, deixando-nos sem opções no tratamento dos  pacientes obesos. Resta-nos apelar pela força de vontade deles, como se eles fossem doentes "pela falta de força de vontade".

O tratamento da obesidade depende de um conjunto de fatores que envolvem mudanças no estilo de vida, políticas de saúde, regras mais rigorosas para a industrialização, comercialização e publicidade dos alimentos e combate ao sedentarismo. Além disso, ela requer o uso de medicamentos, como qualquer outra doença crônica.

 

Por Citen às 11h43

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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