Blog Comer Sem Culpa

15/04/2011

A rejeição aos remédios para emagrecer

Recentemente o FDA rejeitou mais um medicamento para emagrecer, o Contrave. O argumento da agência reguladora americana é que haveria um risco do medicamento causar infarto quando usado a longo prazo.

Esse cuidado excessivo do FDA pode decorrer, pelo menos em parte, do trauma causado por um medicamento chamado Fen- Phen. Ele foi comercializado apenas nos Estados Unidos, na década de 90, e após alguns anos de uso foi constatado que causava problemas cardíacos graves e fatais. Esse medicamento era a associação de duas drogas potentes emagrecedoras, a fentermina e a dextrofenfluramina. Desde então a responsável pelos efeitos colaterais cardiovasculares, a dextrofenfluramina, foi suspensa do mercado. No Brasil, nós nunca tivemos essa associação de drogas, mas tínhamos a dextrofenfluramina produzida separadamente, que também foi suspensa.

Os Estados Unidos continuam a fabricar e comercializar a fentermina, que é um derivado anfetamínico, como os nossos femproporex e anfepramona, que a Anvisa está pretendendo suspender a comercialização.

A nova droga em questão, o Contrave, que ainda não recebeu o registro do FDA, é a associação de duas drogas utilizadas separadamente há muitos anos, no Brasil e também nos Estados Unidos. A bupropiona (o nosso Welbutrim) e a naltrexona (o nosso Revia). Os psiquiatras tem grande experiência de uso dessas duas drogas. Usam a bupropiona para depressão e como coadjuvante dos tratamentos antitabagismo e a naltrexona para o tratamento do alcoolismo. O primeiro deles já é, inclusive, muito utilizado sem indicações de bula, para o tratamento da obesidade.

Os estudos com o Contrave já comprovaram seu efeito. Em estudos clínicos bem controlados, o uso do Contrave resultou em perda de 5% do peso em 50% dos pacientes obesos, comparados com a perda de peso em apenas 10% dos pacientes que foram tratados com placebo (cápsula sem medicamentos). O painel consultivo do FDA recomendou a aprovação, mas o FDA negou, alegando que a empresa Orexigen deveria fazer um estudo muito maior para comprovar a sua segurança.

O que causa estranheza é que os componentes do Contrave são medicamentos já comercializados separadamente nos EUA, como também no Brasil há muitos anos. Os estudos sugeridos pelo FDA são normalmente realizados após a aprovação do medicamento pelos órgãos de vigilância e durante o uso da droga pela população. Chama-se fase IV de avaliação ou farmacovigilância. O que não entendemos é a exigência antecipada do FDA. 

As exigências redobradas quando se trata da aprovação de medicamentos para emagrecer, assim como as ameaças de suspensão de comercialização das mesmas, não leva em conta a gravidade e as ameaças da obesidade para a saúde pública mundial. 

Por Citen às 08h11

13/04/2011

Precisamos reduzir o sal dos alimentos para seguir a ordem mundial

As pessoas já ouviram falar do assunto muitas e muitas vezes. Sabem da necessidade de reduzir o sal dos alimentos. Entretanto, mesmo muito conscientes do problema, elas não conseguem realizar tais mudanças. Não adianta reduzirem o sal de mesa, pois a maioria dos alimentos consumidos já chega até elas salgados, e muito salgados. Os alertas dos profissionais de saúde nunca encontraram ressonância entre os fabricantes de alimentos nem espaço nas políticas de saúde.

Sempre soubemos que essas mudanças em relação ao teor de sal dos alimentos seriam muito difíceis de serem implementadas. O sal, além de melhorar o sabor dos alimentos, é muito importante na preservação e na durabilidade dos mesmos nas prateleiras dos supermercados. Esse talvez seja o maior desafio que nos aguarda.  Além disso, comer muito sal se torna um hábito e um vício que se traduz pela sensação de que qualquer comida com pouco sal pareça sem graça e sem sabor. Livrar-se  desse vício faz com que a pessoa passe a sentir a sutileza e a delícia do sabor natural dos alimentos e perceber sabores esquecidos ou camuflados pelo forte sabor do sal.

Praticamente todos os alimentos industrializados contem sódio. Do pão integral ao refrigerante e até mesmo os sucos artificiais em pó. Os campeões são os embutidos (presunto, salame, mortadela, salsicha) e defumados, os caldos concentrados e temperos prontos, as sopas instantâneas, os salgadinhos industrializados em pacotes, os queijos amarelos, os pratos prontos congelados e as conservas. Com os níveis atuais de sódio nesses alimentos é praticamente impossível os povos industrializados atenderem às recomendações de ingestão de sódio dentro das faixas de segurança.

O Reino Unido tomou a frente em medidas concretas e teve a ousadia de buscar a incrível redução de 40% do teor de sódio nos alimentos industrializados até o ano de 2012. Outros países adotaram políticas semelhantes como Japão, Finlândia, Canadá e Austrália. Recentemente, os Estados Unidos aderiram à campanha, encabeçados pela cidade de Nova York. A meta americana é reduzir o consumo de sódio em 25% em 5 anos e em 50% em 10 anos.

No Brasil, seguindo a tendência mundial, o Ministério da Saúde firmou um termo de compromisso com a indústria de alimentos, com o objetivo de reduzir o teor de sal em 16 itens alimentícios . Apesar de tímidas, nossas metas já são um grande passo. As primeiras reduções vão ocorrer em massas instantâneas, pães e bisnaguinhas a partir de 2012.

Nesse contexto, estamos aguardando o cumprimento desse acordo que há muito temos reivindicado. Certamente, estaremos vigilantes como fizemos com a gordura trans.

Por Citen às 08h20

11/04/2011

Estatura normal ao nascer e deficiência de hormônio do crescimento

A o nascer a estatura do bebê está intimamente ligada à saúde e nutrição maternas e à sua produção de insulina. Nessa fase da vida, o hormônio de crescimento propriamente dito tem pouca ou nenhuma influência em seu crescimento.

Somente a partir dos dois anos de idade é que os fatores hormonais passam a ter importância no crescimento infantil. Dentre eles, os mais importantes são os hormônios tireoideanos e o próprio hormônio de crescimento (GH). Nesses casos, as doenças tireoideanas, principalmente o hipotireoidismo e a deficiência de GH  podem causar retardo no crescimento.

Logo, nascer com estatura normal, não significa suficiência do hormônio de crescimento, pois na ausência desse hormônio, nós só poderemos observar a desaceleração do crescimento a partir dos dois ou três anos de idade, quando o médico poderá lançar mão dos testes diagnósticos.

Crescer é a principal característica da infância e adolescência. Tão importante a ponto de ser um dos principais marcadores do estado de saúde das crianças. Apesar de normal ao nascer, as curvas de crescimento podem revelar alterações durante a infância que permitem o diagnóstico da rara condição de deficiência do hormônio de crescimento.  Esse diagnóstico precoce permite o tratamento eficaz e dá à criança a possibilidade de alcançar uma estatura final próximo do normal.

Por Citen às 08h58

07/04/2011

Crianças que nascem grandes e risco de obesidade e diabetes

 

A nutrição e o ganho de peso fetal dependem muito das oscilações da glicose materna e de sua capacidade de estimular a insulina fetal. Isso mesmo, a insulina do bebê é o principal hormônio de crescimento durante a vida intra uterina e é intensamente estimulada pela alimentação da mãe.

Gestações em mulheres diabéticas ou simplesmente em mulheres com consumo exagerado de calorias, principalmente carboidratos, tendem a estimular o ganho de peso dos fetos que desenvolvem nesse ambiente. Dessa forma, são geradas crianças com mais 4.000g ao nascer. Os bebês macrossômicos.

Eles costumam se destacar no berçário por serem os mais belos, mas durante a infância já demonstram uma grande tendência à obesidade e mais tarde ao diabetes. Essa condição se deve ao fato de que a hipersecreção de insulina persiste fora do ambiente uterino.

Dessa forma, é muito importante a orientação nutricional das gestantes no sentido de que elas não comam por dois, evitem o ganho de peso excessivo durante a gestação e priorizem uma refeição balanceada controlando o consumo de carboidratos. 

 

Por Citen às 18h03

05/04/2011

Crianças com baixo peso ao nascer e risco de obesidade

Muitos adultos obesos não entendem como podem ser eles os únicos obesos da família. Pais e irmãos magros revelam que fatores além da hereditariedade e do comportamento alimentar podem estar interferindo no ganho de peso de muitos deles.

Um dos fatores sabidamente relacionados à obesidade na infância e adolescência é o baixo peso ao nascer. Essa condição parece direcionar o metabolismo da criança a priorizar o armazenamento dos nutrientes em detrimento da queima calórica e isso pode ocasionar uma maior incidência de obesidade na infância e adolescência.

Tendo em vista essa predisposição, as crianças prematuras e com baixo peso ao nascer devem receber atenção redobrada e serem estimuladas desde cedo a serem mais ativas e se alimentarem corretamente, ao invés de serem poupadas e superalimentadas. Essa atitude não irá beneficiá-las nem recuperar o tempo que elas deixaram de nutrir no útero materno.

Por Citen às 19h26

04/04/2011

Crianças que nascem pequenas e risco de baixa estatura

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 8 a 26% das crianças nascidas em todo o mundo são pequenas ao nascer, ou seja, tem peso abaixo de 2500g. A maioria delas, não tem deficiência do hormônio do crescimento e recuperam o peso e a altura ao longo da infância. Entretanto, 10 a 15% dessas crianças não se recuperam e persistem baixas em relação aos parâmetros normais para a idade e sexo.

Esses dados chamam a atenção para a importância do acompanhamento de crianças nascidas pequenas, para que possamos detectar precocemente uma evolução desfavorável no seu crescimento. 

Nascer pequeno, não significa ser pequeno durante toda a vida, pois a maioria dessas crianças tem a capacidade de recuperar uma altura considerada normal na vida adulta, vencendo uma aparente estagnação trazida da vida intra-uterina.

Entre essas 10 a 15% de crianças que não recuperam a estatura normal, não há relatos de desnutrição, deficiência hormonal ou de familiares baixos. Elas simplesmente  não crescem normalmente como seus pares. Precisam de ajuda para isso.

O que se sabe hoje é que 20% de todos os adultos com baixa estatura pertenceram a esse grupo especial de crianças que  nasceram muito pequenas. Logo, o que temos a fazer é acompanhar de perto suas curvas de crescimento para que possamos intervir a tempo de evitar a baixa estatura na vida adulta. 

Por Citen às 08h44

01/04/2011

Como alcançar a façanha de mudar o estilo de vida?

 

Todos os anos nós ouvimos nossos pacientes fazerem as mesmas avaliações e tomarem as mesmas resoluções, tão conhecidas como benéficas, mas tão difíceis de serem incorporadas em suas vidas. Precisam melhorar sua alimentação, reiniciar atividade física, equilibrar demandas profissionais, familiares e pessoais com descanso e sono adequados... Na verdade, eles são bem intencionados.

Estamos em abril e todos os dias nós observamos que o cansaço vence a boa intenção e mina a resistência dos nossos pacientes. Diante dessas dificuldades, nós estamos em busca de mecanismos que realmente os ajude. Recentemente, esse tema foi objeto de duas pesquisas científicas muito interessantes que visaram avaliar alguns métodos de motivação que poderiam ser úteis aos nossos pacientes.

O primeiro deles foi publicado em janeiro de 2011 na revista Annals of Family Medicine. Esse estudo acompanhou 4000 pessoas de 35 a 65 anos, após avaliação individualizada com história familiar e pessoal e estilo de vida. Eles foram orientados de duas maneiras diferentes. Um grupo recebeu orientação baseada nos dados individualizados colhidos de seus relatos e o outro grupo recebeu uma orientação de prevenção genérica. Após 6 meses, aqueles que receberam as orientações individualizadas conseguiram com muito mais freqüência ingerir as cinco ou mais porções de frutas e vegetais ao dia  e se exercitar 30 minutos pelo menos cinco vezes por semana.    

O segundo trabalho científico foi publicado no The New Englang Journal of Medicine e acompanhou 2000 participantes. Nesse grupo foi utilizada a mais alta tecnologia de avaliação de saúde,  através de amostras de saliva para análise do genoma. Esse grupo foi orientado a partir do risco revelado em seus exames e após 3 meses não demonstraram mudanças significativas em seus estilos de vida.

Essas duas pesquisas são claras em demonstrar que a boa e velha conversa médico-paciente é ainda o melhor recurso de motivação para a mudança de hábitos e supera a alta tecnologia dos exames sofisticados e a orientação genérica. Sempre que as pessoas se sentirem inseguras quanto às suas reais condições de por em prática seus projetos de saúde, nós recomendamos que elas conversem com seus médicos para programarem metas e estratégias realistas para alcançarem seus objetivos. É claro que nós podemos identificar os seus riscos individuais e propor as formas de prevenção. O resto é com elas. 

 

Por Citen às 08h20

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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