Blog Comer Sem Culpa

13/05/2011

A terapia nutricional pode mudar o curso da doença gordurosa do fígado

Quando pensamos em uma dieta para reduzir a gordura acumulada no fígado, a primeira idéia que temos é que deveríamos reduzir o teor de gordura do nosso cardápio. Mas não é bem assim. Aqui o alimento de maior risco é o carboidrato. Ele interfere e agrava todos os passos do depósito anormal de gordura no interior do fígado através de um estímulo à produção de insulina. Essa, por sua vez, intensifica esse depósito gorduroso.

A dieta continua sendo o nosso maior aliado no tratamento da doença gordurosa do fígado. A maioria dos pacientes são obesos e a dieta deve promover a necessária perda de peso. Isso é mesmo mais importante do que a proporção dos nutrientes. Com o emagrecimento, há uma concomitante perda da gordura visceral e do fígado.

 Além de levar a perda de peso, uma dieta deve ser balanceada, ou seja, deve conter carboidratos, proteínas e gorduras numa proporção de 50, 15 e 30% respectivamente. O que estamos aprendendo é que nos casos de fígado gorduroso, nós conseguimos melhores resultados quando reduzimos o teor de carboidratos para cerca de 40% e aumentamos o teor das gorduras para cerca de 45%. Isso para minimizar o efeito dos carboidratos sobre a produção de insulina e, consequentemente, sobre os depósitos de gordura. 

Essa conduta nutricional não significa seguir uma dieta de proteínas que ensina abolir os carboidratos. Pelo contrário, a porcentagem de proteínas continua a mesma, o que fazemos é aumentar o teor de gorduras. Nesse caso, utilizamos uma seleção de gorduras do bem, presentes nos óleos vegetais como soja, canola, milho e girassol; azeite, abacate, castanhas e nozes, sementes oleaginosas como a linhaça, peixes de água gelada como salmão, cavala, arenque, truta, atum e bacalhau frescos.

Nos raros casos de pacientes com esteatose hepática e peso normal, lançamos mão de uma dieta com a mesma composição de nutrientes descrita acima, mas com o valor calórico adequado à manutenção do peso. 

Devemos encarar os depósitos anormais de gordura no fígado como um dos sinais de diabetes e doenças cardiovasculares em progressão. O tratamento desse acúmulo de gordura representa uma real oportunidade de corrigir o seu curso clínico. Atualmente, dispomos de medicamentos que facilitam a mobilização das gorduras do fígado, através de uma melhora da ação da insulina. Quando, além dos medicamentos, podemos contar com a perda de peso, a adequação dos nutrientes e a prática regular de atividade física, as chances de sucesso passam a ser ainda maiores, tanto no sentido de controlar os depósitos de gordura, quanto de evitar a progressão para doenças graves como o diabetes

Por Citen às 09h38

11/05/2011

O fígado pode revelar nossa saúde

Se há obesos saudáveis, eles seguramente podem ser detectados pelo fígado. Por outro lado, se há magros com risco cardiovascular e de diabetes, eles também podem se revelar por alterações no fígado. O sinal que determina o risco hepático é o acúmulo de gordura no interior de suas células, a esteatose hepática. Essa descoberta foi discutida em um recente artigo de revisão publicado esta semana na revista Diabetes Care.

Nesse contexto, o fígado passou a ser estreitamente relacionado à endocrinologia e à cardiologia, na medida em que passamos a entender, que o maior risco inerente à presença de excesso de gordura no fígado não está em sua possível evolução para a cirrose ou câncer hepático, mas para a sua muito mais provável sinalização de doenças muito distantes do trato digestivo, como o diabetes e o infarto agudo do miocárdio.

Há vários estudos descritos na referida revisão que elegem a presença de gordura no fígado como o mais importante marcador de uma condição metabólica chamada resistência insulínica, que seria o denominador comum para a ocorrência de diabetes e para a aterosclerose das artérias coronárias e o infarto.

Apesar da obesidade ser um dos fatores mais importantes para a ocorrência de acúmulo de gordura no fígado, principalmente quando há ingestão de quantidades excessivas de carboidratos, recentemente foi encontrado um fator genético que predispõe a ocorrência do fígado gorduroso sem a presença de obesidade ou de outros sinais de resistência insulínica. Nesses casos, o risco maior seria pelo acúmulo de gordura dentro das células do fígado e sua evolução para a cirrose.

Seja qual for a progressão, o fígado passa a constituir um importante órgão de avaliação para a prevenção de diabetes e doenças cardiovasculares. Por isso, precisamos prestar mais atenção a ele. 

Por Citen às 09h22

06/05/2011

As vitaminas antioxidantes na prevenção do envelhecimento

A procura das razões que nos fazem envelhecer e adoecer nos levou à formulação da teoria do chamado estresse oxidativo. A nomenclatura estranha nada mais é do que a lesão contínua e crônica de nossas células provocada por radiações ionizantes, luz ultra violenta e até pelo próprio oxigênio que respiramos, ou seja, viver e manter a vida geram naturalmente os famosos radicais livres. E não há como viver sem produzi-los.

Essa lesão contínua provocada pelos radicas livres é a base da teoria mais aceita até o momento para explicar o envelhecimento e as doenças crônicas.

Com base nessa teoria do envelhecimento, nada mais natural do que tentar minimizar os efeitos do tempo em nossas vidas e em nossa saúde utilizando substâncias com efeito antioxidante. Entre elas, as mais estudadas são as vitaminas C, E e carotenóides precursores da vitamina A.  Mas o resultado não seguiu a lógica desse raciocínio e foi um banho de água fria em nossos sonhos de prolongar a juventude.

A maior vedete das vitaminas antioxidantes já havia sofrido um grande abalo em 2005, quando um estudo  publicado na revista Annals of Internal Medicine, analisando 136.000 pacientes, revelou que doses iguais ou superiores a 400UI de vitamina E poderiam aumentar a taxa de mortalidade por todas as causas e deveriam ser evitadas.

Muito antes disso, o beta caroteno, muito utilizado em fórmulas vitamínicas milagrosas, já demonstrava seu poder deletério ao aumentar a incidência de câncer de pulmão, de acordo com os dados do estudo ATBC – The alpha-tocopherol, beta carotene câncer prevention study group, publicado no New England Journal of Medicine. A pesquisa chegou a ser interrompida muito antes da data programada devido ao aumento da incidência de câncer de pulmão e da taxa de mortalidade dos pacientes que tomaram o suplemento. Os autores chegaram a conclusão que esse carotenóide não deveria nunca ser utilizado em cápsulas vitamínicas.

Para reforçar o coro contra os suplementos vitamínicos, em fevereiro de 2007 uma publicação da revista American Medical Association resumiu em uma grande revisão  os resultados de nada menos do que 385 trabalhos científicos com 232.600 pacientes, avaliando o efeito antioxidante dos suplementos vitamínicos sobre a taxa de mortalidade por doenças em geral. O resultado só vem confirmar os estudos anteriores: “o tratamento com beta caroteno, vitamina A e vitamina E pode aumentar a taxa de mortalidade. Não há evidência de que a vitamina C possa aumentar a longevidade. O papel potencial do selênio ainda necessita de futuros estudos.

Todas essas evidências são claras em nos demonstrar que essa teoria do envelhecimento pode até ser verdadeira, mas infelizmente ainda não alcançamos o elixir da longa vida nas cápsulas vitamínicas. 

Por Citen às 11h22

04/05/2011

Evidências do efeito das dietas sobre a expectativa de vida

Vamos conhecer dois personagens que nos deixaram perplexos. Trata-se de Canto e Owen, dois macacos rhesus de 25 anos de idade e que mais parecem pai e filho. Canto, à esquerda, magro e com aparência saudável, foi submetido a uma restrição calórica conduzida pelo gerontólogo Richard Weindruch. Owen, à direita, gordo e envelhecido, sempre recebeu ração farta. Essa imagem pode revelar a expectativa do autor frente às possibilidades e benefícios de se comer pouco.

A restrição calórica sem desnutrição pode mesmo retardar o envelhecimento, pelo menos é o que mostram muitos estudos científicos, tanto em animais, quanto em humanos. Esse efeito parece ocorrer devido à redução do metabolismo basal e, consequentemente, da produção dos radicais livres. Além disso, essa intervenção nutricional pode levar a mudanças na demanda hormonal, principalmente de insulina, bem como interferências na função neuroendócrina e resposta ao stress. Isso pode parecer estranho, mas já temos marcadores laboratoriais e clínicos desses efeitos.

Em 2006, o primeiro estudo em humanos submetidos à restrição calórica durante 6 meses  foi realizado no estado americano de Louisiana pelo Dr. Eric Ravussin e sua equipe. Eles encontraram dois marcadores de longevidade positivamente relacionados à intervenção nutricional de baixas calorias. Os pacientes foram submetidos à redução calórica de até 25% da deita. Nesse estudo, houve redução da temperatura basal e da insulina em jejum dos pacientes estudados, revelando uma interferência real da restrição dietética nos marcadores metabólicos conhecidos.

Esta teoria não preconiza atitudes extremas, não ensina a reduzir drasticamente calorias e nutrientes, não pretende deixar ninguém desnutrido. Até porque também é bom lembrar que os extremos de magreza também estão relacionados à maior incidência de doenças crônicas, ao câncer e ao aumento da mortalidade por essas causas. A teoria da menor ingestão de calorias tenta elucidar e explicar o porquê do envelhecimento. É um ponto de partida para começar a entender a vida e as possibilidades de preservá-la.

Comer pouco parece benéfico, enquanto comer muito, já não temos dúvida, é maléfico. O sobrepeso e a obesidade são problemas sérios e estão associados às alterações na insulina, nas gorduras do sangue, no aparecimento da aterosclerose e do câncer. As evidências de que a obesidade está relacionada com a aceleração do envelhecimento e a redução da expectativa de vida das pessoas já são certezas científicas.

Por Citen às 14h25

02/05/2011

A relação entre o metabolismo celular e o envelhecimento das células

Há cerca de 100 anos, o fato de que animais com maior taxa metabólica viviam menos, já despertava a atenção dos pesquisadores. Esse achado já indicava que o metabolismo celular pudesse acelerar o processo de envelhecimento. Nos anos 50, a primeira teoria sobre o envelhecimento foi baseada nessa hipótese e explicava que o metabolismo celular, gerado a partir da respiração das células daria origem aos famosos radicais livres e esses seriam os agentes que envelheciam as células. Logo, quanto maiores as taxas metabólicas, mais acelerado seria o envelhecimento.  

Foi partindo do princípio de que o metabolismo celular geraria radicais livres e que esses elementos se acumulariam nas células, levando ao seu envelhecimento, que cientistas levaram adiante um pesquisa para tentar relacionar metabolismo e envelhecimento em humanos. Esse estudo foi recentemente aprovado para publicação na conceituada revista médica  Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism  e encontrou em humanos, os resultados já revelados em estudos em animais.

Os pesquisadores acompanharam durante cerca de 15 anos a vida de 508 pessoas. Elas tiveram seu metabolismo basal medido nas chamadas câmaras metabólicas e esses dados foram analisados em sua associação com envelhecimento e morte por causas naturais. Chamamos de gasto calórico basal ou metabolismo basal, a quantidade calórica utilizada pelo corpo para realizar suas funções vitais de manter a vida e não tem nada ver com o aumento metabólico causado pela atividade física. Esse incremento mediado pelos exercícios físicos já se comprovou benéfico à saúde das pessoas.

Durante os cerca de 15 anos que durou a avaliação, 27 pessoas morreram e os pesquisadores encontraram uma relação direta entre as maiores taxas metabólicas e um maior o risco de morte natural. Eles explicaram esse achado como sendo o resultado de lesões progressivas e envelhecimento, causados por acúmulo de substâncias tóxicas produzidas pelo acelerado processo metabólico.

Esses achados vem confirmar as vantagens de se conseguir reduzir o metabolismo basal e não acelerá-lo como é o sonho de muitas pessoas. Conseguimos isso através da redução do volume alimentar, pois a única forma conhecida e comprovada de viver mais é comer menos.  

Por Citen às 13h20

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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