Blog Comer Sem Culpa

30/06/2011

Stress e ganho de peso: o papel da privação do sono

O sono normal é reparador e vital, como a alimentação e a respiração. Tem início com um quadro de sonolência superficial, evoluindo com o passar do tempo para estágios de maior profundidade, onde há total repouso do sistema nervoso central e relaxamento muscular completo, envolvendo não somente os músculos dos braços e pernas, mas também a musculatura do coração e dos vasos sanguíneos. Aos poucos, há redução da pressão arterial e o trabalho cardíaco se torna menor. No estágio de sono profundo, nós descansamos e sonhamos. Todo o nosso organismo repousa e se recupera do stress e do trabalho diurno.

O sono tem se mostrado tão importante para a saúde das pessoas que passamos a estudar a sua qualidade além da sua duração. Nos últimos 30 anos, a média de sono noturno das pessoas sofreu uma redução de 8/9 horas para 6/7 horas. Entre os americanos, a média de sono é ainda menor, uma vez que 30% deles dormem menos do que 6 horas por noite. Vários estudos recentes têm relacionado a privação do sono com a ocorrência aumentada de obesidade e de diabetes tipo 2.

Por outro lado, dormir as cerca de oito horas recomendadas não significa sono reparador. Nesse contexto, a situação mais comum é a chamada  apnéia do sono,  uma forma de dificuldade respiratória, que cursa com obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores, resultando em períodos de parada respiratória, baixa oxigenação sanguínea e despertares noturnos freqüentes.

Ambas as condições, privação e má qualidade do sono estão relacionadas com a ocorrência de obesidade. Apesar de ainda não comprovadas,  as prováveis causas dessa relação podem estar associadas ao stress crônico.  Além dele, várias alterações hormonais induzidas pela privação de sono podem influenciar o ganho de peso, como é o caso da grelina e leptina, hormônios relacionados ao controle da fome e da saciedade e que tem se mostrado alterados nos distúrbios do sono. 

Por Citen às 21h19

28/06/2011

Stress e ganho de peso: essa relação é possível sem excesso alimentar?

Será que o stress pode engordar as pessoas, independente do que elas comem? Chama-nos a atenção os relatos de alguns pacientes, que não encontram explicação para o seu ganho de peso nos hábitos alimentares e afirmam categoricamente que engordam  mesmo comendo pouco. Esse fato tem levantado a questão do papel do stress na origem da obesidade independentemente da alimentação.

Um fator importante na busca pelas causas da obesidade foi a constatação de que nos quadros de stress, notamos um aumento de alguns hormônios relacionados à obesidade. Trata-se dos corticóides, ou a conhecida cortisona, que tem a capacidade de aumentar o peso de pacientes, quando utilizada sob a forma de medicamento, e até quando produzida em excesso pelo organismo, em algumas doenças. Será que o estressado crônico poderia engordar pelo excesso de corticóide, mesmo sem comer muito?

Nossas dúvidas não estão sanadas a esse respeito, uma vez que muitos indivíduos estressados e com elevação da cortisona não engordam e, por outro lado, muitos obesos estressados não expressam aumento do seu corticóide endógeno. Por isso, muito provavelmente, a diferença entre estes pacientes é o volume de alimentos ingeridos.

A conclusão atual é que o stress pode sim ser um fator favorecedor da obesidade, principalmente pelo aumento da resistência insulínica, pelas alterações dos hormônios relacionados à fome e à saciedade e até mesmo pelo excesso de corticóide. Mas o maior fator associado ao ganho de peso é comportamental. O que engorda é o balanço energético desfavorável: a associação da ingestão excessiva de calorias com o sedentarismo.

Por Citen às 20h52

27/06/2011

Stress e ganho de peso: como essa relação pode afetar nossas vidas?

 

Dentre as queixas mais comuns entre os pacientes que procuram tratamento médico  e nutricional para a obesidade, cerca de 80% relacionam seu ganho de peso ao stress. Na verdade, algumas características da vida moderna podem estar intimamente relacionadas a um balanço energético positivo, levando ao ganho de peso. Dentre elas, podemos citar alimentação inadequada, sedentarismo e mais recentemente, o stress.

Os fatores estressores da sociedade moderna são frutos  da rotina puxada das empresas, das relações familiares e sociais, além de fatores intrínsecos, como a privação de sono, por exemplo. Geralmente, o corpo humano responde ao stress através de adaptações físicas ou comportamentais. Passa a manter-se em estado de alerta e a liberar seus substratos energéticos a parir dos estoques corporais, principalmente sob a forma de glicose e gordura. Esses substratos em excesso no sangue são conhecidos por causarem alterações metabólicas ligadas à obesidade e ao diabetes.

Até certo ponto o stress pode ser benéfico e conduzir o indivíduo a alcançar metas importantes no trabalho e na vida pessoal.  A curto prazo, na maioria das vezes, o organismo se reequilibra, sem comprometimento da saúde física e mental. A reação normal esperada a um fator estressor pode se manifestar com enfretamento ou fuga. Algumas vezes, a resposta não atende a nenhuma dessas condições e o indivíduo não consegue nem se engajar na luta, nem na fuga do agente estressor, sofrendo as consequências  do stress de maneira a gerar um estado de fragilidade a várias doenças, principalmente quando ele é intenso e prolongado.

O hábito de comer talvez seja um dos fatores que mais sofre as  repercussões do stress da vida moderna. Os relatos são unânimes: as pessoas comem muito mais quando expostas a fatores estressores, podendo ocorrer queixas de fome excessiva, comportamento beliscador e até uma necessidade patológica de consumir grandes volumes de alimentos: a compulsão alimentar.

 

Por Citen às 10h07

22/06/2011

Enxaqueca: passos preciosos que podem prevenir a dor

Apesar dos registros tão contraditórios nos gatilhos da dor de cabeça, podemos orientar, de uma maneira geral, que os pacientes com enxaqueca:

      (1)    Façam suas refeições com intervalos regulares, de preferência 3 refeições e 2-3 lanches diários evitando longos intervalos entre elas;

(2)    Bebam água com regularidade, uma vez que quando a sede aparece, isto significa que já ocorreu depleção de água no organismo e estamos desidratados;

(3)   "Não durmam mais ou menos”, procurem manter suas horas de sono semelhantes, tanto na semana, quanto nos finais de semana;

(4)    Evitem o consumo de bebidas alcoólicas;

(5)    Façam atividade física, principalmente com alongamentos que privilegiem a coluna cervical. Nas crises de dor, deve-se evitar o esforço físico e mental;

(6)   Não tirem conclusões precipitadas ou baseadas em um único episódio de dor, pois correm o risco de  relacionar um alimento muito apreciado com a      enxaqueca, sem que isso seja verdade. É recomendável observar, outras vezes, a influência desse alimento;

(7)   Evitem o consumo de mais que 2-3 xícaras de café expresso ou 3-4 cafés comuns ao dia. Se existir o consumo abusivo de café, a redução deve ser lenta e  gradual;

(8)  Evitem a auto-medicação e procurem a orientação de um neurologista para acompanhar seu tratamento.

Além das orientações acima, a alimentação das pessoas com enxaqueca deve ser individualizada, privilegiando e atendendo às necessidade básicas de cada um e baseada numa profunda avaliação de cada paciente sobre si mesmo.

Por Citen às 18h25

Enxaqueca: a dieta pode contribuir para a qualidade de vida do paciente?

A idéia de que alimentos podem causar dor de cabeça ainda gera muita polêmica. É difícil provar que um sintoma subjetivo e que não pode ser aferido ou quantificado possa ser causado por um determinado alimento. Mesmo assim, crescemos ouvindo muitas histórias sobre alimentos que causam e que aliviam a dor de cabeça.

Um dos fatores mais importantes no desencadear da enxaqueca, e que já estamos cientes, é que ficar sem comer ou fazer jejuns prolongados é pior do que os vários alimentos rotineiramente relacionados à dor. Muitas pessoas associam um alimento como causa da sua dor de cabeça simplesmente pela coincidência da ingestão desse alimento antes do aparecimento dos seus sintomas dolorosos. Isso nem sempre é verdadeiro. Apesar disso, manter uma rotina alimentar de refeições e lanches é importante no tratamento da enxaqueca.

O fator mais complexo como causa de enxaqueca é o consumo freqüente de cafeína. Os relatos são mais contundentes em relação ao café, por se tratar de alimento de consumo diário e muitas vezes exagerado. Mas a cafeína é encontrada em muitos refrigerantes do tipo cola, chocolates e chás escuros, como o chá mate. Acredita-se que apenas três cafés expressos por dia sejam suficientes para causar enxaqueca. Por outro lado, o mais comum é a dor de privação, ou seja, quando um organismo, acostumado ao consumo diário de cafeína se vê privado da mesma. Muitas vezes, uma simples xícara de café é suficiente para o alívio da dor matinal em consumidores assíduos. Logo, algumas vezes, o café pode tratar a enxaqueca, como numa síndrome de abstinência de um viciado em cafeína. Por esse motivo, a presença de cafeína em muitos remédios analgésicos é desaprovada pela maioria dos especialistas em enxaqueca porque pode levar à dor de cabeça de privação, quando se interrompe sua utilização freqüente.

As bebidas alcoólicas são potenciais gatilhos de dor de cabeça, mesmo em pequenas doses, dando-nos a impressão do efeito direto do álcool na dor e não como efeito secundário à ressaca. Entre elas, as bebidas fermentadas como a cerveja e o vinho, tem maior potencial de desencadear  uma crise de enxaqueca.

Com relação aos alimentos, é importante a descrição de muitos pacientes que relacionam a sua dor de cabeça aos chocolates, embutidos e laticínios, principalmente queijos amarelos. Nessa lista, nem as frutas ficam de fora, principalmente as cítricas como o maracujá, a laranja e o abacaxi. Se fôssemos mais exatos, a lista de alimentos seria infindável e poria em risco a variedade nutricional tão importante aos nossos pacientes.

Uma orientação importante sobre os alimentos é que o paciente com enxaqueca observe muito atentamente sua rotina nos dias que sente dor, pois suas considerações serão valiosas na orientação de suas dietas. Não há base científica para suspendermos determinados alimentos das dietas de todas as pessoas com enxaqueca, por isto é tão importante o relato individual. 

Por Citen às 08h58

20/06/2011

Enxaqueca: a difícil caracterização de uma dor

“Felicidade é não ter dor de cabeça”... Essa é uma definição de felicidade que só é perfeitamente compreendida pelas pessoas que sofrem de uma das dores mais freqüentes e incapacitantes que existem: a enxaqueca. Isso porque o sofrimento é crônico, intenso e ameaçador, podendo aparecer quando menos se espera, comprometendo planos profissionais e o convívio social.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, mais de 30 milhões de brasileiros sofrem com a enxaqueca. A incidência na população feminina pode atingir 18 a 20%. A Sociedade Internacional de Cefaléia reconhece mais de 150 tipos de dores de cabeça, desde as cefaléias tensionais, normalmente associadas ao estresse, até as que são resultantes do abuso do álcool ou de medicamentos, podendo até sinalizar tumores.  A pior delas, felizmente muito rara, é a cefaléia em salvas, geralmente ao redor de um dos olhos e das têmporas, descrita como insuportável e que leva o paciente a atitudes extremas como a bater a cabeça contra uma parede.

A enxaqueca é muito mais que uma dor. É um grande mal estar, que se instala às vezes lenta, às vezes abruptamente, dando a sensação de que a cabeça está enorme, pulsando, martelando ou que o cérebro está sendo pressionado num ritmo enlouquecedor. A visão de qualquer tipo de luz é uma tortura; os odores, um sacrifício, mesmo os mais agradáveis; os sons transformam-se em ruídos ensurdecedores, o estômago revira e os vômitos são a conseqüência natural. Esse martírio pode durar dias, num vai e vem de intensidade maior e menor que impede a realização da maior parte das atividades do dia e impossibilita a normalidade da vida.

Muitos fatores tornam a enxaqueca uma doença de causas indecifráveis. O primeiro deles é que não há sequer um exame laboratorial que declare a dor como enxaqueca. Todos os exames são normais, desde os exames bioquímicos até os mais sofisticados métodos de imagem. Esse diagnóstico é clínico e baseado na descrição do paciente. O segundo fator, a dor é um sintoma que depende do limiar de tolerância dos pacientes, o que é muito diferente de pessoa para pessoa, pois umas chegam ao pronto-socorro em verdadeira crise de histeria desencadeada pela dor, enquanto outras, mesmo referindo dor forte, preferem se fechar num quarto escuro até obter alívio. Terceiro, a enxaqueca é uma dor com diferentes e até opostos fatores desencadeantes, tornando difícil agrupá-los dentro de uma única causa.

Dormir muito ou dormir pouco, muito calor ou muito frio, muito café ou a falta dele, bebidas alcoólicas, jejum prolongado e refeições copiosas, oscilações hormonais nas mulheres, estresse, medicamentos, sedentarismo e determinados alimentos... Além de tudo isso, o uso crônico de analgésicos, principalmente os que contém cafeína, pode levar à cronicidade da dor, que passa a ser diária, o que leva à auto-medicação com doses progressivamente maiores de analgésicos.

Por Citen às 10h16

16/06/2011

A obesidade sem tratamento

Impossível acreditar, mas à medida que os censos mundiais revelam mais e mais obesos no mundo, maiores os entraves às nossas possibilidades terapêuticas para a obesidade. O que estaria acontecendo com as agências reguladoras para tomarem medidas tão incoerentes com a realidade? Como poderíamos entender que aqueles que detem o papel de vigilância argumente que é impossível fiscalizar a prescrição médica segura? Muito difícil entender. Mais difícil ainda será a condução do tratamento de uma doença tão grave sem medicamentos.

Todos nós, que tratamos obesos diariamente, sabemos da dura sina que eles enfrentam para mudar estilos de vida. Sabemos, porque trabalhamos com equipe multidisciplinar. Orientamos dieta individualizada, contamos com apoio psicológico para os casos de comportamento de risco, recomendamos atividade física e tratamos comorbidades. Apesar de tudo isso, sucumbimos à necessidade do uso de medicamentos moderadores de apetite na maioria dos obesos.

Estamos falando de obesidade. Pessoas que precisam perder acima de 10 a 20kg. A situação que se vislumbra com a provável suspensão de todos os medicamentos moderadores de apetite é constrangedora. Passaremos a recomendar maior “força de vontade” aos nossos pacientes para que consigam perder peso e mudar estilo de vida. Além disso, sabemos que teremos de usar maiores doses de medicamentos para o tratamento da hipertensão arterial, do diabetes, do colesterol e indicaremos muito mais  cirúrgicas de redução do estômago para casos anteriormente controlados com medicamentos.

Nós não deixamos de acreditar nas possibilidades de mudanças no estilo de vida, apesar de difícil. Entretanto, não contamos com nenhum programa governamental, seja ele na esfera municipal, estadual ou federal que venha atender a essa imensa lacuna deixada pela retirada das nossas poucas opções terapêuticas da obesidade. De acordo com o último censo do IBGE, o alimento saudável tem perdido a guerra contra a irreversível industrialização dos alimentos. Será que isso marca a evolução do país?

Certamente não. Sem nenhuma opção terapêutica para o tratamento da obesidade, estaremos no caminho inverso e então, preparados para também alcançar a triste sina dos extremos do peso e do seu custo, tanto financeiro quanto social.

Por Citen às 22h29

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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