Blog Comer Sem Culpa

14/07/2011

Como os pais podem programar a alimentação das crianças

O café da manhã, muitas vezes, é a única refeição possível de reunir a família. Não se pode, na correria do dia a dia, omitir essa refeição. Comer na padaria ou na cantina da escola também não é uma boa alternativa. Vale a pena preparar uma mesa com leite e derivados, pães, frutas e cereais. Isso leva muito pouco tempo e serve de estímulo para a continuidade do cuidado com as refeições ao longo do dia.

Sempre que possível, os pais devem preparar em casa os lanches escolares. As cantinas são sempre um risco com seus salgadinhos fritos ou assados, pizzas, refrigerantes e até hambúrgueres. Apesar de serem cômodas aos pais, elas não são boas opções para os lanches das crianças. Assim, mais uma tarefa para eles, preparar lanches saudáveis e saborosos para competir com a sedução dos lanches das cantinas. Vale  utilizar pães de forma, bisnaguinhas, embutidos como peito de peru e presunto magro, queijos e patês. Podem ser acompanhados com sucos de frutas ou água de coco. Vale utilizar a imaginação e considerar as preferências de cada criança. 

O almoço geralmente ocorre longe dos pais. Algumas vezes, em casa com a empregada e outras vezes, na casa dos avós. Em casa, esse controle é mais fácil para aqueles pais que estão dispostos a interferir ativamente na alimentação das crianças. Eles podem elaborar o cardápio, fazer comprar condizentes com ele e orientar sua empregada a seguir a programação. Na casa dos avós, a situação é mais cômoda para os pais que preferem delegar suas responsabilidades. Nessas condições, eles não podem definir as refeições que serão servidas aos seus filhos. Também não podem exigir dos avós atitudes de pais.

O grande problema das tardes são os beliscos. As despensas são lotadas de guloseimas e as crianças acabam não tendo um lanche da tarde bem definido. Comem a revelia, durante todo o período, enquanto assistem TV, fazem tarefa ou estão no computador. Aqui também vale uma programação semanal.

Não há como habituar uma criança a jantar quando seus pais não fazem essa refeição. Chegam do trabalho à noite e se dizem sem vontade de comer “comida”. Preferem lanchar e esse hábito é desde cedo incorporado pelas crianças. Se essa for realmente a única opção dessa família, então ela tem que se adequar em programar lanches saudáveis e bem definidos, capazes de oferecer às crianças os nutrientes que elas precisam. Aqui, vale lembrar que os lanches devem ter a conotação de um jantar: devem ser realizados à mesa e ter começo, meio e fim. Ao levantar da mesa, a família deve entender que essa foi a última refeição do dia. 

Por Citen às 20h30

13/07/2011

Como educar os pais que trazem seus filhos para emagrecer

Quando abordamos os jovens casais sem filhos e com problemas de sobrepeso e obesidade, eles sempre se colocam avessos a idéia de prepararem suas refeições. Quando então indagados de como seria a vida familiar com a provável chegada de um filho, a resposta é sempre a mesma. “Quando acontecer, nós pensaremos em mudanças.” Essa atitude revela a nossa grande dificuldade em educar os pais e como será a alimentação dessa geração de crianças, que não terão a oportunidade de um vínculo com alimentação saudável. Seus vínculos terão fortes influências dos lanches, “deliveries” e congelados.

A escolha do alimento é da responsabilidade dos pais, portanto são eles que devem ter uma programação que atenda a um cardápio saudável e diversificado. Esperamos deles que essa escolha seja correta e que eles preparem as refeições ou deleguem essa função a alguém. Comprar pacotes de salgadinho e esperar que a criança escolha a fruta é, no mínimo, ingênuo. Encher armários de bolachas recheadas e salgadinhos em pacotes e se queixar que o filho come muito é, no mínimo, incoerente. Alguém precisa assumir a responsabilidade de alimentar adequadamente as crianças. Não são elas as responsáveis por isso.

Filhos herdam não apenas os genes dos pais. Herdam também seus comportamentos. As crianças observam atentamente as atitudes dos pais e, inconscientemente, elas repetem e assimilam seus hábitos. Isso significa que os pais não vão conseguir que seus filhos se alimentem adequadamente se eles não seguem esse mesmo princípio.

Quando analisamos que os Estados Unidos estão se mobilizando para voltarem a cozinhar, no Brasil nós estamos num movimento contrário. Por aqui, há poucos anos, as famílias ainda faziam suas refeições à mesa. Muito provavelmente isso ainda ocorria na casa dos avós dos nossos pequenos pacientes. Hoje, as cozinhas são adornos totalmente dispensáveis nos apartamentos modernos e as crianças permanecem a mercê dos lanches, “deliveries” e congelados. 

Por Citen às 09h17

11/07/2011

Grandes mobilizações na prevenção da obesidade e diabetes na infância

Atualmente os temas de educação em diabetes e comportamento tem ganhado ênfase nos grandes eventos médicos. Tanto é assim, que um dos simpósios do 71º Congresso da Associação Americana de Diabetes abordou justamente esses assunto. Com tamanha agenda para o encontro dos 15.000 participantes do Congresso, a família da criança diabética ganhou destaque, um destaque especial para aquelas com filhos obesos e com diabetes tipo 2. O tema girou em torno das necessárias modificações no estilo de vida das famílias, no sentido de propiciar um ambiente favorável à prevenção e tratamento da obesidade infantil.

A obesidade infantil tem sido um tema mundialmente abordado. Nos Estados Unidos a primeira dama Michele Obama tem se encarregado de encabeçar uma grande mobilização em favor da alimentação saudável e atividade física para os pequenos. Além dela, o badalado chefe de cozinha Jamie  Oliver iniciou um programa chamado  Revolução Alimentar, que engloba vários projetos incluindo aulas de culinária e orientação alimentar nas escolas e nas comunidades. Tem percorrido os Estados Unidos em um grande caminhão transformado em uma moderna cozinha móvel. Tudo com intuito de mudar os hábitos alimentares americanos com um foco bem estabelecido na educação alimentar infanto-juvenil.

Voltando à dura realidade brasileira, o que deparamos em nosso atendimento médico e nutricional às crianças com sobrepeso e obesidade são as grandes dificuldades em educar e mobilizar as famílias em prol da saúde de seus filhos. Essa é uma tarefa ainda sem o respaldo governamental no Brasil. Por aqui, não temos, ainda, nenhuma mobilização nesse sentido. Enquanto isso, os pais devem tentar rever seus hábitos e mudá-los em favor da saúde dos seus filhos. Isso não só será útil para as crianças, como para a saúde dos próprios pais.

Por Citen às 08h08

07/07/2011

Onde está o nosso alimento?

Como naqueles livros infanto-juvenis onde tínhamos que encontrar o menino chamado Wally em meio a uma grande e complicada ilustração, também hoje estamos a procura dos alimentos utilizados pela indústria. Em meio a tantos ingredientes confusos e desconhecidos, onde está o nosso alimento? Esse tema mobilizou a mais brilhante conferência realizada no 71º. Congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), realizado em San Diego  na ultima semana do mês de junho passado.

A conferencista, Dra Barbara Corkey, descreveu a presença de cerca de 400 aditivos alimentares, utilizados pelos fabricantes de alimentos, praticamente desconhecidos. Ninguém sabe ao certo quais seriam os seus efeitos a longo prazo em nosso organismo. A pesquisadora partiu de um exemplo bem definido: um sorvete fabricado nos Estados Unidos com 20 itens em sua lista de ingredientes, dos quais apenas 4 deles eram alimentos e os outros 16 eram aditivos. Entre eles, corantes, conservantes, aromatizantes, espessantes e os adoçantes artificiais.

Realmente, os nossos alimentos não são mais os mesmo, nas palavras da Dra Corkey.  A indústria vem conseguindo associar centenas de aditivos que dão aparência, cor, sabor e aroma aos alimentos, tornando-os irresistíveis. Além de tudo isso, eles conseguem ser competitivos e ainda passam uma idéia irreal de alimento saudável.

A pesquisadora demonstrou que um dos mais conhecidos e utilizados espessantes para a produção de alimentos industrializados, o monoacilglicerol, causaria alterações em nosso metabolismo com a geração de radicais livres. Esses compostos seriam capazes de alterar a nossa secreção de insulina no sentido de propiciar a epidemia de obesidade e diabete em todo o mundo.

Na verdade, quando olhamos para os rótulos dos alimentos industrializados, não conseguimos encontrar o Wally que representa o nosso verdadeiro alimento. Esses estudos e o prêmio que enriqueceu o currículum da Dra Barbara, deve servir de alerta para uma nova atitude que pode trazer de volta o alimento saudável ao nosso prato.  Os cereais, frutas, verduras e legumes frescos que o Brasil sempre produziu em abundância e alimentou seu povo. 

Por Citen às 18h56

06/07/2011

O valor da tradição do hábito alimentar

Assim como os traços genéticos, o alimento faz parte do perfil de um povo. É a sua própria caracterização. No Brasil, nós podemos ainda nos orgulhar da riqueza de nossas tradições culinárias. A nossa mesa ainda pode ser composta de alimentos frescos e preparados em casa. Diversificada, nutritiva e muito saborosa.

Infelizmente, podemos notar a mão forte da indústria alimentícia, avançado sobre a nossa mesa, vendendo uma idéia de que esse ou aquele alimento industrializado seja mais prático, barato e até mais saudável que aquele que encontramos nas feiras e preparamos em nossos lares.

É preciso muita cautela e juízo crítico, para não trocar o nosso arroz com feijão pelos pratos prontos e congelados, alimentos altamente processados e maquiados com alegações de saúde. Eles vem ocupando cada dia mais espaço nas gôndolas dos supermercados e substituindo nossos pratos tradicionais.

É certo que o preparo dos alimentos requer mais trabalho do que apenas aquecê-los nos microondas. Entretanto, devemos pensar que nossa família merece esse gesto de cuidado e que nossa saúde está intimamente ligada à forma que nos alimentamos. Quando preparamos os alimentos, eles são menos calóricos, contém menos sal, são mais nutritivos e mais baratos do que os industrializados. Além disso, o preparo dos alimentos tem o poder de agregar a família em torno da refeição.

Nossa tradição ainda resiste, mas ao que tudo indica, por pouco tempo. Nos países desenvolvidos, a indústria de alimentos já consegue produzir alimentos mais baratos do que aqueles naturais. Além do mais, alegam a adição de nutrientes e vitaminas, enchendo rótulos de falsas vantagens nutricionais.

De acordo com o Dr Carlos Augusto Monteiro, coordenador científico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, justamente essa mudança do padrão alimentar dos povos, substituindo refeições tradicionais por alimentos processados, tem colaborado muito para o avanço da obesidade no mundo. Nas palavras do Dr Monteiro, quanto mais prático, barato, saboroso e facilmente disponível for esse alimento industrializado, maior será o risco do avanço da obesidade e suas doenças associadas. Isso vem ocorrendo através de publicidade agressiva, fazendo alavancar a venda de gato por lebre. 

Por Citen às 10h02

04/07/2011

Os adoçantes artificiais novamente na berlinda

Adoçante faz bem ou mal? A polêmica é antiga e todos os anos são levantadas novas questões a cerca do risco dessas substâncias. Desde a década de 70 muitos trabalhos científicos famosos revelaram um potencial cancerígeno atribuídos a eles. Além disso, doenças neurológicas, autoimunes e degenerativas poderiam ser causadas por eles, causando muitas dúvidas e insegurança aos consumidores.

Com o passar do tempo, essas suspeitas foram caindo por terra. Isso ocorreu pelo fato de que a maioria dos trabalhos científicos que relatava resultados deletérios dos adoçantes usava quantidades extremamente elevadas desses compostos. Alguns protocolos de pesquisa chegaram a utilizar nos ratinhos, o equivalente a mais de 2000 latinhas de refrigerantes por dia. Assim, esses resultados não foram comprovados em humanos e os adoçantes ganharam a confiança do mundo acadêmico e receberam o aval da maioria das agências reguladoras mundiais.   

Há cerca de 3 anos¸ um estudo em animais de laboratório levantou uma nova questão a cerca dos adoçantes. De acordo com os autores, os adoçantes podiam levar ao ganho de peso. Eles estudaram dois grupos de ratinhos, um grupo ingerindo uma dieta com adoçantes e outro grupo com dieta normal. Os autores notaram que ratinhos que consumiam suas refeições com adoçantes comiam mais e, por conseguinte, engordavam mais do que o grupo alimentado com alimentos sem adoçantes. Com isso, foi levantada a hipótese de que ao sentir o sabor doce na boca, o corpo se prepararia para receber as calorias do açúcar e quando elas não vem, passaria a buscar esse nutriente em vários alimentos, principalmente carboidratos. Dessa forma estaria predisposto a comer mais e a engordar. Essa hipótese aguardava por comprovação em humanos, que pudesse nos responder e explicar essa possível ligação entre adoçantes artificias e ganho de peso.

Durante o 71º. Congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA) que ocorreu em San Diego na última semana do mês de junho, essas respostas começaram a aparecer. O tema foi novamente abordado com dados muito convincentes em humanos. A equipe da Dra Helena Hazuda, da Universidade do Texas, acompanhou 474 voluntários durante 10 anos e concluiu que aqueles que ingeriam duas ou mais latas de refrigerantes diet por dia ganharam muito mais peso, principalmente circunferência abdominal, quando comparados aos que não tomavam refrigerantes ou que tomavam as versões convencionais dessas bebidas.

Finalmente, a Dra Barbara Corkey, PhD e professora de Medicina e Bioquímica da Universidade de Boston, demonstrou um modelo no qual os adoçantes artificiais causariam elevação da insulina e maior propensão ao diabetes. A ligação entre hiperinsulinemia e obesidade já é nossa conhecida há muito tempo e pode ser o elo entre o uso dos adoçantes artificiais e a obesidade. A Dra Bárbara, com o seu trabalho científico recebeu a Medalha de Banting para avanços científicos durante o 71º. Congresso da ADA e pode ter encontrado uma razão muito convincente para reavaliarmos o uso dos adoçantes artificiais. 

Por Citen às 08h59

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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