Blog Comer Sem Culpa

31/10/2011

O mundo todo em campanha contra o diabetes: “Educar para prevenir”

O mundo se mobiliza frente aos 285 milhões de diabéticos de todas as idades, classes sociais, e etnias. Além deles, chama a atenção um número ainda maior de pessoas que estão prestes ampliar  esse contingente, os chamados  pré-diabéticos. Esses, atualmente, somam 344 milhões de pessoas. Basta olharmos à nossa volta para identificá-los em nossos vizinhos,  conhecidos, amigos e familiares. Ninguém está imune e todos nós somos chamados a conhecer para prevenir  ou tratar corretamente quando for o caso. Todos os anos, desde 1991, nós celebramos no dia 14 de novembro o Dia Mundial do Diabetes. A data foi criada com o desafio de conscientizar pacientes e familiares, médicos e profissionais de saúde, governos e sociedade civil sobre a doença e a melhor forma de enfrentá-la. 

O diabetes não é uma fatalidade. É um mal gerado diariamente e que pode e deve ser combatido.  O melhor que podemos fazer é esclarecer, é disseminar conhecimentos básicos para que as pessoas possam evitar o aparecimento da doença. Isso é possível em até 60% dos casos e as medidas a serem adotadas são perfeitamente possíveis. Dentre elas, a inclusão de meia hora diária de caminhada, substituição de duas porções de alimentos refinados por suas versões integrais, redução dos refrigerantes e sucos industrializados ricos em açúcar, diminuição do consumo de gorduras saturadas e hidrogenadas e perda de pelo menos 5% do peso corporal. Isso não obriga as pessoas a serem magras, mas elas precisam se tornar responsáveis por mudanças.

A ocorrência de diabetes em pessoas sem antecedentes familiares nos dá uma visão da importância do estilo de vida como fator causal da doença. Nesse contexto, o sobrepeso e a obesidade são os grandes vilões desse processo e resultam de alimentação inadequada e sedentarismo.

Para as pessoas de risco, com antecedentes familiares de diabetes ou obesidade, a campanha é uma oportunidade para entenderem que é possível evitar a doença. Para os governos, a data é um alerta para a necessidade de implantarem estratégias eficientes e políticas de prevenção, visando resguardar a saúde dos cidadãos com diabetes e daqueles que tem risco de desenvolver a doença. Para os profissionais de saúde, o momento é útil ao aprimoramento do próprio nível de conhecimento sobre a doença, de modo que as recomendações baseadas em evidências científicas sejam colocadas em prática. Para o público em geral, 14 de novembro é uma oportunidade para que cada um possa olhar a sua volta e entender o impacto do diabetes.

Durante todo o mês de novembro, o blog comer sem culpa será inteiramente voltado à educação em diabetes e abordaremos todos os temas que envolvem a doença. Junte-se a nós, como conclama a International Diabetes Federation. http://bit.ly/tDSFZw

Por Citen às 12h12

28/10/2011

Como alcançar as recomendações de frutas e hortaliças em nossa alimentação?

De maneira prática, para alcançar o número de porções recomendadas de frutas, legumes e verduras é necessário que esses alimentos façam parte de todas as refeições e lanches que fizermos ao longo do dia. Lembrando que variar garante a descoberta de novos sabores e o alcance de todos os nutrientes. Assim, não pode haver um café da manhã sem frutas ou suco de frutas, almoço e jantar sem saladas ou verduras e legumes refogados ou cozidos, sopas sem vegetais e lanches de pão, laticínios e embutidos sem a salada. A ordem é acrescentar os alimentos saudáveis, antes de tentarmos abolir os menos saudáveis.

Quando nos acostumamos com a praticidade dos alimentos industrializados, temos dificuldades no manuseio inicial das frutas e hortaliças, pois elas requerem certo conhecimento e habilidade. Mas vale a pena. Com o tempo, aprendemos a dominar essa nova forma de alimentação saudável e sentiremos o quanto podemos ganhar com esta atitude. Eis algumas dicas, para facilitar este processo:

1)     Prefira as frutas e hortaliças da estação, pois são mais baratas e favorecem a diversificação. Assim, a cada época do ano, teremos alimentos diferentes em nosso prato;

2)     Uma forma de utilizar o potencial das frutas é adicioná-las às saladas e a alguns pratos salgados, que além de sofisticar o prato garante o alcance das recomendações. O mesmo pode ser feito com verduras e legumes, que podem ser preparados com arroz ou massas;

3)     Procure cozinhar os legumes com pouca água, adicioná-los na água já em fervura e no menor tempo possível. Algumas vitaminas se perdem com o calor e se diluem na água. O sabor e a textura também ficam melhores;

4)     Utilize a água do cozimento dos vegetais no preparo de outros alimentos como arroz, ensopados e molhos. As vitaminas e minerais diluídos são reaproveitados;

5)     Não utilize o bicarbonato de sódio para deixar os vegetais mais verdes, pois ele destrói algumas vitaminas;

6)     Use muito tomate, pimentão e cebola frescos, cozidos ou como molhos, principalmente no preparo de carnes magras e duras;

7)     Sopas podem ser pratos versáteis, práticos, saborosos e nutritivos, pois podem conter todos os grupos de alimentos. Devemos escolher uma proteína (carne bovina magra ou frango), um carboidrato (arroz, mandioquinha, batata, macarrão ou pão) e vários legumes e verduras. As folhas podem ser adicionadas ao prato individualmente, no momento de servir. É bom lembrar que esse tipo de sopa deve ser o prato principal e nunca uma entrada;

8)     Uma salada também pode ser uma refeição completa, desde que, assim como as sopas, contenham todos os grupos de alimentos. Assim, além dos legumes e verduras, a salada deve conter um carboidrato (milho, crótons, batatas, macarrão e até o arroz) e uma proteína (lagarto na forma de carpaccio e rosbife, frango, atum, ovo, salmão);

9)     Adicione frutas às saladas, isso torna esses alimentos mais atraentes para crianças e adolescentes, alem de tornar seu sabor mais exótico e agradável aos adultos mais exigentes. O figo, a manga, o kiwi e as uvas são estratégias irresistíveis;

10)  Sucos de frutas feitos na hora são mais nutritivos, a polpa congelada perde alguns nutrientes, embora essa seja melhor do que sucos artificiais ou refrigerantes;

11)  Dê frutas de presente ao invés de bolos ou chocolates. Capriche na embalagem e arrase na originalidade.

Por Citen às 08h08

25/10/2011

Frutas, legumes e vegetais: como eles podem garantir espaço em nossa dieta?

Frutas e hortaliças são mais facilmente incorporadas ao cardápio, quando fazem parte dele desde a infância. Pais que normalmente não comem esse tipo de alimento, querendo ou não, transmitem esse hábito aos filhos e não são inventivos, não sabem como prepará-los ao gosto infantil, se contentam com a primeira negação da criança de que não quer a maçã, mas aceita o biscoito recheado, o salgadinho em pacote industrializado, a barra de chocolate... Esses são muito mais gostosos, mais salgados ou mais doces, ricos em gorduras, que fazem tudo ficar mais saboroso. Esse sabor exacerbado faz com que a maçã pareça sem graça e sem atrativos. Logo, é nessa fase da vida que mais facilmente se constrói os bons hábitos alimentares.

Passado a fase da primeira infância e perdida essa primeira chance, ainda temos esperanças de mudar essa história. Os esforços deverão ser maiores por parte dos pais ou até mesmo do indivíduo adulto, quando ele se dá conta do que ele perde ou do que ele ganha, quando deixa de comer ou incorpora esses alimentos ao seu cardápio. É uma questão de educação alimentar e esclarecimento. Inicialmente, no indivíduo adulto, tentamos incorporar o alimento saudável, mesmo que não consigamos abolir aqueles considerados deletérios, como as frituras, o excesso de gorduras e de carboidratos. Incorporar frutas e hortaliças será o primeiro passo.

Um exemplo disso foi o que comprovou a chamada Dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). Essa dieta se baseia na importância de se adicionar alimentos saudáveis, independente de se conseguir abolir os demais alimentos que uma pessoa consome. Essa experiência foi feita nos Estados Unidos e os pacientes eram orientados a ingerir sua dieta americana convencional - rica em gorduras e carboidratos - mas deveriam adicionar uma quantidade estabelecida de frutas, hortaliças e cereais. O resultado foi a redução da pressão arterial, mesmo sem redução do sal dos alimentos e sem haver perda de peso. Essa dieta comprovou o efeito benéfico das frutas e hortaliças para a saúde, levando os pesquisadores a ampliarem a pesquisa, no sentido de incluírem outras medidas nutricionais saudáveis, como a redução do sal. Logo, o envolvimento e a motivação das pessoas em um plano nutricional  poderá evoluir para a implementação de uma dieta que atenda às outras recomendações. Isso é o que acreditamos.

Por Citen às 19h02

23/10/2011

A mudança do padrão alimentar do brasileiro

A Brazos Nutricional, pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Faculdade de Saúde Pública da  Universidade de São Paulo (USP),  divulgada em setembro de 2007 nos deixou perplexos. Apesar das várias opções de frutas, legumes e verduras que o Brasil planta e exporta todos os anos, não aproveitamos essa riqueza de nutrientes. O estudo envolveu 150 municípios brasileiros e entrevistou 2.240 pessoas de todas as classes sociais e descobriu que o consumo de vitaminas e sais minerais está abaixo das recomendações em 90% da população.

Os vegetais, incluindo frutas, verduras e legumes, ainda são as melhores fontes de fibras, vitaminas, sais minerais e outras substâncias essenciais para melhorar o bom funcionamento do organismo. Esses nutrientes, por serem calculados em miligramas e microgramas, são conhecidos como micronutrientes. Eles são tão importantes para a nossa saúde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Panamericana da Saúde (OPAS) concluíram que, pelo menos 60% das mortes em todo o mundo poderiam ser adiadas, ou mesmo evitadas, se as pessoas adotassem posturas mais saudáveis diante da vida, dentre elas, o consumo de no mínimo cinco porções (ou 400 gramas) dessa categoria de alimentos por dia.

Recentemente, o IBGE reforçou esses dados, que nos aproximam das nações industrializadas, infelizmente pelo fato de que nossos pratos, anteriormente ricos em verduras e legumes, vem sendo substituídos por alimentos altamente processados, ricos em sal e gorduras. O que o IBGE mostrou é verdadeiramente assustador, com apenas um em cada dez brasileiros comendo verduras e legumes dentro das recomendações.

É justamente em meio a esse cenário pessimista que precisamos conscientizar o brasileiro, de que ele tem a maior riqueza nutricional em seu solo fértil. Precisamos rever nossos hábitos alimentares para não abrirmos mão daquilo que o mundo desenvolvido daria tudo para possuir.

Por Citen às 22h58

17/10/2011

Orientações a cerca da ingestão de açúcar nas gestantes sem diabetes

Por se tratar de condição fisiológica, a gestação geralmente é encarada como um momento da vida da mulher onde a alimentação é simplesmente uma continuidade dos seus hábitos alimentares. Com uma condição agravante, nessa fase, a gestante se permite muito mais quando o assunto é comida, principalmente as guloseimas anteriormente controladas. O desejo das grávidas por tipos especiais e até exóticos de comida sempre foi aceito e atendido prontamente por todos à sua volta.

Muita coisa tem mudado em nossa avaliação médica e nutricional das gestantes. Um tema especialmente novo foi revelado através de um grande estudo que os americanos chamaram de HAPO, uma sigla que significa Hiperglicemia Materna e seus Resultados Adversos na Gestação. A pesquisa acompanhou mais de 23.000 gestantes não diabéticas e seus bebês e chegou à conclusão de que pequenas variações no açúcar do sangue das mães influenciavam na adiposidade do corpo do bebê e na sua produção de insulina.  Há ainda no estudo muitas evidências de que o tamanho do bebê ao nascer está associado à maior adiposidade na vida futura dessas crianças, com o aparecimento de obesidade e um maior risco de diabetes.

Durante os nove meses, a gestante passa a conviver com um enorme volume hormonal proveniente da sua placenta, que, se por um lado, garante a manutenção da gestação, por outro, altera consistentemente seu metabolismo, deixando-a propensa a apresentar amplas oscilações da glicemia ou do açúcar no sangue. Até aqui, tudo bem, pois a maioria das gestantes tolera bem tais mudanças e consegue manter seus níveis de açúcar dentro do normal e, portanto, livre do diabetes gestacional. Acontece que o estudo HAPO demonstrou que as complicações fetais, que, antes, pensávamos ocorrer apenas no diabetes gestacional, podem ocorrer nas gestações livres do diabetes, como nas gestantes sujeitas a oscilações glicêmicas, anteriormente consideradas inofensivas.

A orientação básica para todas as gestantes começa por um controle rigoroso no ganho de peso através de uma dieta balanceada que propicie nutrição adequada a elas e seus bebês. O açúcar nessas dietas, seja ele proveniente do arroz, massas, pães, frutas e doces deve respeitar as recomendações e ser consumido com moderação. No caso do açúcar de mesa, adicionado aos alimentos e aos doces em geral, o rigor deve ser maior, pois são absorvidos com muito maior rapidez para o sangue, propiciando as arriscadas oscilações da glicose materna que podem afetar o bebê. 

Por Citen às 16h32

A velha questão do açúcar na alimentação do diabético

Liberado, o açúcar não deveria ser para ninguém. Abolido completamente, seria um fardo penoso demais a ser levado pela vida a fora. Assim, o diabético começa sua sina de entender e praticar sua dieta, muito bem intencionado. Logo, ele se dá conta das dificuldades que virão pela frente. Até aqueles que não faziam questão dos doces, passam a sonhar com eles. Que dirão aqueles, anteriormente loucos por doces.

As maiores sociedades científicas mundiais que se ocupam do estudo do diabetes são unânimes em definir o açúcar como um componente aceito na dieta dos pacientes portadores da doença. Dizem elas, que o açúcar pode compor em 10% o total calórico dessas dietas, mas os profissionais que cuidam desses pacientes também são unanimes em assumir a grande dificuldade da implementação dessa orientação.

A regra para o uso do açúcar na dieta dos pacientes diabéticos seria a substituição de outras formas de carboidrato pela sacarose (açúcar refinado ou cristal). Somente dessa forma evitaríamos que o paciente adicionasse esta porção extra de carboidrato, na forma de açúcar, aos 50% de carboidratos totais recomendados. Isso significa que, para consumir um doce de sobremesa, o paciente deve abrir mão de outras formas de carboidratos da refeição, como arroz, massas, batatas e farinha.

 Há pacientes especialmente de riscos para a liberação do açúcar em sua dieta. Entre eles estão os obesos, aqueles com comportamento beliscador ou desorganizado, com o diabetes descompensado e aqueles com especial preferência pelos doces. Ou seja, a grande maioria dos pacientes com diabetes.

Não há duvidas que seria muito mais fácil a adequação das dietas desses pacientes sem a presença do açúcar em sua alimentação.  Essa é, inclusive, a opção de muitos profissionais que tratam o diabetes. Infelizmente, essa orientação não consegue adesão dos pacientes, que invariavelmente passam a fazer suas escolhas individuas, independente da orientação médica e nutricional, com prejuízo metabólico e a ocorrência das complicações crônicas que tanto arriscam sua vida.    

O investimento deve atender à necessidade dos pacientes diabéticos em consumir alimentos adocicados. Para isso, precisamos alcançar alternativas saborosas à sacarose e as pesquisas tem nos presenteados com várias novas substâncias com esse potencial. Procuramos sabor adocicado, sem gosto residual e resistente ao calor, podendo assim, ser utilizado como substituto do açúcar de adição em várias preparações e trazer de volta os doces à mesa do diabético, sem o risco de agravar sua doença.     

Por Citen às 16h31

O risco do consumo excessivo do açúcar

O grande problema dos alimentos adocicados é que geralmente acabam por estimular a ingestão de grandes volumes de alimentos. Isso não seria problema se as pessoas conseguissem ingerir um bombom, uma bola de sorvete ou um pedaço de pudim.  Geralmente, elas comem muito mais que isso, sempre estimuladas pelo grande prazer que causam esses alimentos. Nunca é a fome o estímulo para ingerir doces e sim a atração e o fascínio pelo prazer adocicado.

Nos últimos quinze anos, o tamanho das porções dos alimentos aumentou  assustadoramente. Servem-se copos que cabem litros  de refrigerantes, baldes de sorvetes e promoções combinadas que, individualizadas, sairiam mais caras, induzindo ao maior consumo. Com as grandes porções desses alimentos, compramos mais calorias por unidade de moeda de qualquer país e acabamos, erroneamente, por achar isso vantajoso. Compramos muito mais do que comeríamos e comemos muito mais do que deveríamos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o açúcar de adição não ultrapasse 10% das calorias de uma refeição. Apesar disso, nos Estados Unidos, as crianças consomem o dobro dessas recomendações. Os refrigerantes são os maiores contribuintes individuais dessa ingestão.   O açúcar, incorporado na maioria dos alimentos industrializados, leva a um consumo expressivamente alto desse ingrediente, causando um aumento das calorias das dietas, com um poder de saciedade muito pequeno. O resultado dessa equação é sempre muito amargo e um dos responsáveis pela epidemia de obesidade e diabetes em todo o mundo, principalmente entre crianças e adolescentes.

Por Citen às 07h47

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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