Blog Comer Sem Culpa

11/11/2011

A modernização das insulinas e os avanços na saúde do diabético

Fica sempre um clima de suspense no ar ao comunicarmos um paciente sobre sua necessidade de insulina. A família compactua com isso e, infelizmente, muitos médicos também. Quantas vezes já ouvimos a frase: “ se você não fizer dieta terá que entrar na insulina”. Como se isso fosse um castigo ou uma praga.

Até 1921, quando a insulina foi descoberta, o diagnóstico de diabetes insulino-dependente equivalia a um atestado de óbito. Não havia como manter a vida, uma vez que o pâncreas interrompia a produção de insulina. Mesmo com a privação do alimento até o jejum, mesmo com longas internações, mesmo com toda a medicina alternativa, nada continha a elevação da glicose no sangue, causando diurese maciça, desidratação, caquexia, coma e morte.

Desde a sua descoberta a insulinoterapia evoluiu bastante. Não é tão simples quanto repor hormônios tireoideanos, não é polêmica como o uso dos hormônios masculinos na mulher, nem trás riscos como a reposição hormonal na menopausa. Na verdade, a insulina foi a mais impactante e maravilhosa possibilidade de vida com qualidade para os pacientes diabéticos.

 A tecnologia possibilitou a produção de insulinas puras e idênticas à insulina humana, com perfil de ação simples e previsível, capaz de propiciar ao diabético uma grande flexibilidade em sua dieta e controle glicêmico mais fácil. Além disso, as canetinhas aplicadoras, as agulhas ultra-finas e as bombas de infusão, fizeram com que o uso da insulina ficasse ainda mais fácil. Apesar de injetável, os sistemas de aplicação modernos são praticamente indolores e possibilitam um perfil glicêmico próximo ao normal..

Com a insulina, foi possível a manutenção da vida, mas as complicações crônicas advindas do controle glicêmico inadequado, a longo prazo, só puderam ser evitadas com as modernas técnicas de purificação e controle da ação do hormônio.  Atualmente, nossas insulinas não produzem lesões de pele, não induzem à formação de anticorpos e permitem aos diabéticos um controle glicêmico que os salva também das complicações crônicas da doença.

As recentes pesquisas são unânimes em demonstrar a redução significativa das lesões oculares, renais e neurológicas nos anos que se seguem ao diagnóstico do diabetes.  Esta melhora da qualidade de vida e saúde, a longo prazo, na vida do diabético, tem tudo a ver com o seu bom controle metabólico e esse, em grande parte dos pacientes só é alcançado através do uso da insulina. 

Por Citen às 20h25

14 de novembro - Dia Mundial do Diabetes - Dia Azul

Por Citen às 20h20

A prevenção do diabetes antes de nascer

Precisamos prevenir o diabetes. Pelo menos até que alcancemos a cura da doença. Mas, até o momento,  nossas tentativas envolviam as pessoas predispostas, ou seja, aquelas com sobrepeso ou obesidade. Entretanto, a incidência de diabetes no mundo tem comprovado que estamos perdendo a guerra. Nada tem detido a doença ou protegido nossas crianças e jovens.

Tentamos explicar o fato com o avanço da industrialização dos alimentos que a globalização promoveu, com a redução da atividade física que a tecnologia nos propiciou e até com a ansiedade generalizada dos povos em sua luta por identidade, espaço social e financeiro.

Mas tudo indica que o processo de desenvolvimento do diabetes começa muito antes disso e é o que revela um recente estudo publicado recentemente na revista médica Diabetes Care. Os autores comprovaram que deveríamos intervir muito antes, mais precisamente na vida intra-uterina, pois o ambiente fetal poderia programar a susceptibilidade para o diabetes.

Já sabíamos que a obesidade materna, a predisposição da mãe ao diabetes e o próprio diabetes gestacional eram capazes de gerar bebês grandes e com aumento de gordura corporal. O que passamos a saber a partir desse novo estudo foi que essas mesmas mães influenciam também o metabolismo dos seus bebês, fazendo com que eles apresentem, já na vida intra-uterina, alterações metabólicas sugestivas de sua  maior predisposição à obesidade e ao diabetes.

A partir daí, fica evidente o papel da orientação nutricional desde o primeiro trimestre da gestação. É preciso controlar a ingestão dos carboidratos, ajustar o consumo calórico necessário para a gestação e o ganho de peso desde o seu início. Dessa forma teremos mais chances de prevenir o diabetes. Após essa fase poucas estratégias podem ser tão eficiente.

Por Citen às 20h16

10/11/2011

Como tornar a prática de atividade física segura e eficaz nos pacientes diabéticos

 

1)         Medir a glicose antes, durante e após a atividade física;

2)         Evitar iniciar atividade física com glicemia > 250mg/dL com cetonúria ou > 300mg/dL mesmo sem cetonas na urina;

3)         Acrescentar carboidratos antes do exercício se a glicemia < 100mg/dL;

4)       Quando a atividade física for realizada após as refeições, reduzir em 50% a dose da insulina Regular ou Análogo de ação rápida utilizado  antes dessa refeição;

5)         Não realizar atividade física em jejum;

6)         Quando a atividade física for realizada antes do almoço e jantar, deve ser adicionado um lanche extra se a glicemia antes do exercício for normal;

7)         Sugestões para o lanche extra:

           Para cada 30 minutos de atividade física intensa, oferecer uma porção extra de 15g de Carboidrato (2 bolachas cream cracker ou 1 fatia de pão de forma ou            1 maçã ou laranja ou banana prata);

           Para cada 60 minutos de atividade física intensa, oferecer 30g de Carboidrato + 1 porção de proteínas (2 fatias de pão de forma + 1 fatia de queijo);

8)       Evite aplicar a insulina nos membros utilizados para a prática do exercício físico relacionado a eles; por exemplo não aplicar nos braços antes de natação ou não aplicar na coxa antes de exercícios que envolvam a corrida como jogar futebol;

9)         Pode haver a necessidade de reduzir a dose total de insulina, mesmo nos dias que a pessoa não praticar atividade física;

10)      Se o paciente for fazer atividade física por período prolongado como em maratonas ou competições, pode ser necessário reduzir em até 20 a 30% a dose total da insulina, lembrando-se de que nesses casos é importante reduzir em 20 a 30% a dose de insulina de ação intermediária (NPH) ou lenta (Lantus ou Levemir) na noite anterior;

11)     A glicemia pode cair várias horas após o exercício ter terminado – até 24 horas após – pois a glicose passa do sangue para o músculo para repor os estoques de energia que foram usados durante a ginástica;

12)       O diabético não deve se exercitar se estiver doente, pois isso pode elevar a glicose e cetonas do sangue;

13)       No dia que da ginástica, se a glicemia for menor do que 120mg/dl ao deitar, dobre a quantidade do lanche antes de dormir e use sempre proteína (iogurte ou leite) associada ao carboidrato.

 

Por Citen às 19h10

09/11/2011

As mudanças no perfil do diabetes insulino-dependente

Antigamente, o diabetes insulino-dependente era conhecido como juvenil, hoje ele já não pode mais ser chamado assim, pois vem ocorrendo na vida adulta. Além disso, uma outra mudança que chama atenção nesses pacientes é o fato de que eles não são mais a forma magra da doença como anteriormente observávamos.

O que vem ocorrendo com esse grupo de pacientes é que com as novas possibilidades de dieta e a contagem dos carboidratos, eles conseguem ter glicemias normais, mesmo consumindo alimentos inadequados e em grandes volumes. Essa façanha é alcançada porque esses pacientes aprendem a compensar seus excessos alimentares com maiores doses de insulina.

É preciso orientá-los que quanto mais alimentos, principalmente a base de carboidratos, maiores necessidades de insulina e essa combinação é infalível para levá-los à condição de sobrepeso e até de obesidade. Como num círculo vicioso, quanto mais alimentos, maior será a necessidade de insulina e maior a tendência a ganhar peso. Quanto maior for o peso, mais insulina se faz necessária.

Dessa forma, a insulina que trouxe a esses pacientes a melhora na qualidade de vida e controle da doença, pode agora comprometer todos esses benefícios, além de potencializar os riscos inerentes do diabetes, como a doença cardiovascular. Esse hormônio, tão benéfico e salvador, pode, entretanto, privilegiar os estoques em detrimento da queima calórica, quando usado em grandes doses.

Frente a esse novo quadro, torna-se muito importante o controle alimentar e a prática regular de atividade física, para que possamos manter adequação entre as necessidades calóricas e  o consumo de alimentos por parte desses pacientes. Eles precisam entender, que apesar de alcançarem glicemias muito boas, às custas de muita insulina, o ganho de peso que decorre dessa prática está longe de significar um bom controle metabólico. 

Por Citen às 08h12

07/11/2011

O diabetes que não se vê: sinais precoces e prevenção possível

Por mais elevadas que sejam as estatísticas que contabilizam os diabéticos no mundo, infelizmente elas subestimam a realidade. Isso ocorre porque cerca de 50% dos diabéticos desconhecem a sua condição pelos mais diferentes motivos. O principal deles é o fato de que a doença pode passar muito tempo assintomática, apesar de poder ser detectada através de exames laboratoriais muito simples e baratos.

Por outro lado são alarmantes as cifras das pessoas que ainda não são diabéticas, mas que já estão fora dos valores normais do açúcar no sangue. São os pré-diabéticos. Eles somam, por alto, cerca de 344 milhões de pessoas em todo o mundo. Daí a importância de se fazer o diagnóstico desses futuros diabéticos, para impedir uma evolução previamente anunciada da doença.

A glicemia de jejum sempre foi um marco no diagnóstico do diabetes e valores entre 70 e 99mg/dL sempre tranquilizaram médicos e pacientes. Entretanto, o diabetes pode estar disfarçado de glicemia normal e pode evoluir muitos anos até alcançar os valores extremos das glicemias que conferem o diagnóstico. Nesse estágio da doença, muito já se perdeu das células produtoras de insulina, um caminho sem volta.

Filho de peixe, peixinho é... Assim um filho de um diabético, pode até se livrar da doença, mas será sempre uma pessoa de risco. Deverá receber  atenção redobrada pela possibilidade de desenvolver a doença. Neles, uma glicemia de jejum de 80mg/dL não deve ser tranquilizadora, principalmente quando encontramos outros sinais de risco.

O nome “pré-diabetes” deixa claro do que se trata: uma condição em que o sujeito está prestes a se tornar diabético. A alteração mais comum nessas pessoas é o aumento do peso corporal, uma gordura estranhamente localizada na cintura, associada, muitas vezes, a membros normais. Além disso, pode ocorrer  elevação da insulina e dos triglicérides, bem como queda no colesterol bom (HDL colesterol). O pâncreas da pessoa com pré-diabetes passa a produzir níveis progressivamente elevados de insulina, o que garante glicose normal durante muitos anos e impede que o diagnóstico de diabetes seja feito.

Podemos prevenir o diabetes de maneira eficaz através de modificações no estilo de vida. Atividade física regular e perda de peso provaram reduzir em até 50% a incidência da doença em pré-diabéticos. Alguns medicamentos também são eficazes, na ordem de 30%. Quando associamos as duas intervenções, nós podemos alcançar em até 58%  a possibilidade de evitarmos a doença nos pré-diabéticos.  

Em todos esses casos¸ exames laboratoriais periódicos poderiam ser úteis no diagnóstico precoce do diabetes e na prevenção da doença ao revelar os pré-diabéticos. 

Por Citen às 09h51

03/11/2011

O impacto do diagnóstico do diabetes e a difícil aceitação da doença

O choque inicial é enorme. Parece um pesadelo e que tudo vai passar ao acordar. Aos poucos, o diabético vai caindo em si com a difícil constatação de que nada é sonho. O diagnóstico da doença parece definir um prognóstico de um futuro sombrio onde tudo é mais difícil. Carreira, relacionamentos, lazer e o próprio prazer de comer de tudo a qualquer hora e na quantidade que lhe convier.

O choque inicial passa logo e quando tudo parece assimilado pelo paciente, aí é que estamos totalmente enganados. Muito freqüentemente o difícil enfrentamento das limitações impostas pela doença faz com que o paciente passe a ter um comportamento de negação. Ele não aceita a doença e veladamente passa a viver como se nada tivesse acontecido. Muitos deles deixam de ir ao médico, enquanto outros mantém suas consultas periódicas como forma de atender a uma falsa noção de tratamento. Eles vão ao médico, mas não fazem nada além disso.

O uso de insulina, hormônio crucial em alguns casos, muitas vezes causa constrangimento e o paciente esconde sua necessidade ou omite a aplicação do medicamento em situações que o deixariam exposto como na escola ou no trabalho. Com isso, o diabético começa a  apresentar complicações agudas com as hipoglicemias ou queda do açúcar no sangue que o deixa mais vulnerável e traz a idéia de que a doença é ainda mais terrível.

O diabetes é uma doença, onde a educação do paciente seja talvez o ponto mais importante em seu tratamento. Esclarecer e desmistificar faz com que ele possa ver luz no fim do túnel. Uma vez que ele passa a entender todas as suas possibilidades e responsabilidades, ele se desarma e podemos efetivamente começar seu tratamento.

Estamos evoluindo e aprendendo a reconhecer essa resistência dos diabéticos. Podemos ajudá-los revelando suas inúmeras opções de tratamento, flexibilidade e versatilidade dietética e possibilidade de vida normal. A maioria deles só precisa dessa oportunidade para que aceitem a doença e efetivamente retomem suas vidas.  

Por Citen às 08h25

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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