Blog Comer Sem Culpa

27/12/2011

Os desafios de um Ano Novo com saúde

Sabemos que as pessoas esperam boas novas. Tecnologias, medicamentos, simpatias e até novos santos e novas orações. O que vamos recomendar a todos vocês pode soar antigo, ultrapassado, repetitivo. Mas são exatamente esses detalhes que fazem de nossas recomendações algo difícil de se conseguir em medicina. Elas conseguem ser um consenso entre as várias correntes e especialidades médicas.

Todos vocês provavelmente conhecem os benefícios de cada uma dessas recomendações, mas a maioria nunca acreditou a ponto de investir suas fichas em alcançar pelo menos algumas delas.  Nunca pensou seriamente em como poderiam atingir tais metas em meio à correria de suas vidas e de suas demandas. Isso provavelmente ocorre porque na verdade, são tantas as informações, muitas vezes contraditórias e absurdas, que ocorre uma banalização de todas elas. Junta-se tudo num “balaio de gato” e nunca se consegue filtrar o que realmente é verdadeiro e vale a pena lembrar.

Quando pensamos em saúde, há sete importantes recomendações para o Ano Novo. Parece um número de sorte, mas é pura coincidência. Acredite nelas e invista seus esforços porque certamente vai valer a pena.

1. Siga um plano de alimentação saudável;

2. Pratique atividade física regularmente;

3. Pare de fumar;

4. Busque sempre pelo seu peso ideal;

5. Normalize os níveis do seu colesterol;

6. Mantenha a Pressão Arterial sob controle;

7. Não descuide dos níveis de açúcar no sangue.

Os benefícios dessas medidas já foram reiteradamente comprovados, não somente na proteção cardiovascular, mas na prevenção de várias doenças crônicas, inclusive o câncer. Não se preocupem caso vocês não consigam atingir todas as metas, pois os  bons resultados já ocorrem quando promovemos pelo menos uma das sete mudanças em nosso estilo de vida. Apesar disso,  vale a pena ir além em busca de uma Ano Novo com saúde.

Por Citen às 20h19

21/12/2011

Ceias de Natal e Ano Novo: como não escorregar nas festas?

Não há motivos para resistir. As ceias de Natal e Ano Novo são deliciosas e tradicionais. Reunem famílias, estreitam laços e aproximam gerações. Não devemos mudar os alimentos tão tradicionais para outros que nada tem a ver com a festa. A mesa precisa do assado, da farofa, do arroz elaborado, das frutas secas, das castanhas, da rabanada e das sobremesas em geral. Mas tudo deve ser preparado para uma única noite de festa, não para uma semana de comemorações. Muitas vezes, exageramos nas porções e na variedade. Escolhas inadequadas podem comprometer a noite de festa e podem se prolongar pela semana seguinte, numa sucessão de pequenos erros que quebram qualquer projeto de manutenção de peso.

Mesmo sem fugir do banquete usual, podemos ser criativos e cuidadosos na escolha e no preparo das ceias, para torná-las saudáveis e menos calóricas, sem retirar-lhes o sabor e a tradição. Para começar, devemos escolher carnes magras como o chester, o lombo ou até o cordeiro, que mesmo não sendo das mais magras é superior ao pernil ou ao leitão. Assar ou cozinhar são as opções ideais para o preparo e as receitas podem ser variadas nos molhos e temperos. O ideal é preparar os molhos das carnes com geléias de frutas, em suas versões diet, ou a própria polpa da fruta, como o maracujá, incorporado ao amido de milho, evitando assim, a utilização de creme de leite e  manteiga.

Em relação ao arroz, ele é considerado o melhor carboidrato para acompanhar os assados nas ceias de final de ano. Pode ser integral ou polido, não há diferença calórica entre eles, sendo o integral mais saudável por ser rico em fibras. Servido à grega, indiano, com lentilha ou na forma de risotos, ele é indispensável em um cardápio equilibrado. Os cuidados no preparo e na escolha dos ingredientes que serão agregados ao arroz garantem um alimento saboroso e menos calórico, como é o caso de preferir presuntos magros, como os de peru ou blanquett, no arroz à grega.

A farofa é outra delícia que pode fazer parte das ceias de final de ano. É importante saber que cada colher de sopa de farinha de mandioca ou de milho, usada no preparo da farofa, equivale, em calorias e em carboidratos, a duas colheres de sopa de arroz. Aqui vale tudo para reduzir o valor calórico, como evitar fritar a farinha em óleos e margarinas. Para tanto, a farinha pode ser torrada em forno convencional e, posteriormente, adicionados os ingredientes como cebola e alho - já fritos e escorridos em papel toalha - azeitona, ovo cozido ou ralado, cogumelos, uva passa ou banana passa. Esses ingredientes acrescentam sabores diversos à farofa e devem ser usados em pequenas quantidades e em associações variadas, de acordo com a preferência de cada um.

As castanhas são indispensáveis nos vários pratos servidos nas ceias. Podem ser utilizadas no arroz, como as amêndoas do arroz indiano, nas saladas de folhas e salpicões, nas farofas e sobremesas. Por serem muito calóricas e saborosas, o perigo é serem utilizadas nos beliscos da semana e assim colaborarem para uma alta ingestão calórica nos dias que antecedem e sucedem as festas. Devemos dar preferência a utilizá-las no preparo dos pratos, ao invés de ingeri-las como petiscos.

As frutas de uma maneira geral, tanto frescas quanto cristalizadas e secas, podem ser utilizadas nas ceias de final de ano. Em relação às calorias, as frutas cristalizadas são mais calóricas, quase o dobro, em relação às suas versões frescas e secas. Em relação ao valor nutricional, as frutas frescas são sempre mais indicadas, uma vez que têm maior poder hidratante, preservam maior quantidade de vitaminas e são ótimas opções para as sobremesas.

Sobremesas são sempre uma atração muito esperada nas festas. Muitas vezes, pecamos por oferecer uma grande variedade delas e por prepararmos opções gordurosas como chantilly, sorvetes cremosos, leite condensado, coco e creme de leite. Toda essa oferta faz com que as pessoas queiram provar uma porção de cada doce, levando a um consumo muito maior de calorias e comprometendo a meta de manter o peso. Idealmente, devemos preparar uma única opção de sobremesa, podendo inclusive ser a base de sorvetes e chocolates. Uma sobremesa muito tradicional pode ter versões bem menos calóricas, como é o caso da rabanada, que ao invés de frita pode ser preparada assada.

Finalmente, as bebidas alcoólicas. Na verdade, elas são mesmo muito calóricas e nos faz comer mais. Elas apuram o paladar e nos deixam menos criteriosos em nossas escolhas. Cuidado com os coquetéis, pois utilizam muito açúcar, leite condensado, licores e álcool. Há 3 conselhos para os apreciadores das bebidas alcoólicas. Não beba sem comer, tome muita água entre um drink e outro e nunca beba a ponto de estragar sua festa e a de seus amigos e familiares.

Boas festas com tudo o que elas podem lhe proporcionar.

 

Por Citen às 12h13

16/12/2011

Cansaço ou Doença


Final de ano é uma época de cansaço e não há paciente que não se queixe dele. Na dependência da intensidade da queixa, fica difícil entendermos se se trata de doença ou de puro cansaço. Os sintomas se misturam e a sensação é de cansaço mesmo, aliado a dificuldade de memorização, sonolência ou insônia e desânimo. As jornadas de trabalho são intensas e as metas, impossíveis de serem alcançadas. As demandas pessoais, familiares e profissionais se acumulam e sobrecarregam ainda mais nossas vidas e nosso tempo curto.

Para os mais cuidadosos, que geralmente procuram os consultórios médicos nos finais de ano, com o objetivo de por a saúde em ordem, a queixa é a regra. O cansaço permeia todas essas consultas médicas, com intensidade variável. Para os mais afoitos, que vem para fazer um check-up sem se queixarem de nada, a resposta é certeira quando indagamos pela sensação de cansaço. Aí então as queixas se prolongam por grande parte da consulta.

Como a tireóide é o grande bode expiatório de queixas vagas como cansaço, ganho de peso, queda de cabelos, sonolência e desânimo, as pessoas muitas vezes vêm para terem uma avaliação hormonal.  A expectativa é tão grande em encontrarmos uma causa médica para o cansaço que algumas vezes ficamos constrangidos, imaginem só, em explicar que tais pessoas não tem nenhum problema de saúde.

Não haveria uma vitamina para tão desconfortável sintoma? Lembram do comercial da TV em que uma pessoa se arrastava de cansaço e depois de tomar uma vitamina super, mega, plus, aparecia linda e maravilhosa, aparentando todo vigor e energia tão desejados. A expectativa é tamanha que ficamos tentadas em dizer que sim, e prescrever uma dessas maravilhas do marketing de medicamentos. Por incrível que pareça 30% das pessoas nesse estado de cansaço melhoram com um complexo vitamínico. Não por causa de um efeito real, mas pelo conhecido efeito placebo, no qual comprovadamente há melhora dos sintomas pela simples indução psicológica de estarem tomando um medicamento que elas acreditem que funcione. Infelizmente a melhora é passageira e os resultados são frustrantes.

Assim, a maioria dos pacientes com tais queixas só estão cansados. Exaustos. Necessitam de descanso e lazer. E não há um tempo melhor para conseguir isso nas festas e férias de final de ano. Aproveitem as suas.

 

Por Citen às 18h52

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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