Blog Comer Sem Culpa

10/01/2012

Desvendando a ação dos agrotóxicos

Os chamados agrotóxicos há muito precisavam de uma discussão séria e esclarecedora por parte de profissionais especializados. Isso foi realizado com muita propriedade e conhecimento em uma recente reportagem de Daniela Macedo e Gabriela Sandoval para a revista Veja. Elas entrevistaram engenheiros agrônomos e toxicologistas de várias instituições de ensino superior e da própria Anvisa.

Na verdade, todos nós temos um certo temor pela possibilidade de uso dos defensivos agrícolas em nossos alimentos e sabemos muito pouco sobre o efeito potencial dos mesmos em nosso organismo.

Em meados de junho de 2011, uma grave infecção intestinal causada por alimentos contaminados matou mais de quarenta pessoas e milhares delas foram hospitalizadas após ingerirem brotos de feijão contaminados por bactérias do tipo coliformes, provenientes de uma fazenda especializada em alimentos orgânicos na Alemanha. Esse fato chamou a nossa atenção sobre os riscos dos alimentos orgânicos, até então tidos como ideais para a saúde das pessoas. Será que a falta dos agrotóxicos teve alguma influência na proliferação dessas bactérias tão agressivas?

Na verdade, há uma grande desinformação dos profissionais de saúde e das pessoas em geral sobre os chamados agrotóxicos. Esses produtos são utilizados na agricultura para proteger a plantação das pragas e são, na maioria das vezes, imputados erroneamente como  causadores de intoxicação nas pessoas que consomem tais alimentos. O que foi explicado pelo toxicologista e professor da Unicamp Ângelo Trapé é que a concentração desses resíduos, na maioria dos casos, é muito aquém dos limites de segurança e não há nenhuma documentação de intoxicação e muito menos de casos fatais pela contaminação de alimentos com agrotóxicos, como ocorreu na fazenda de orgânicos na Alemanha.

Recentemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa – causou grande preocupação ao divulgar os resultados de um estudo que revelou que 28% das frutas e hortaliças brasileiras eram considerados insatisfatórios para o consumo devido à contaminação por agrotóxicos. O mesmo professor esclareceu que o estudo da Anvisa não revelou nada tão preocupante. Primeiro, porque os resíduos de agrotóxicos encontrados acima dos limites desejáveis somaram apenas 3,6% das amostras de alimentos e segundo, porque mesmo nesses casos, “as margens de segurança são altíssimas e deveriam estar cerca de 1000% acima dos limites encontrados para se tornarem arriscadas.”

Apesar disso, a pesquisa da Anvisa tem muito valor, uma vez que investiga o que o nosso agricultor tem usado como agrotóxico, suas quantidades e a adequação de cada produto ao alimento cultivado. Isso pode identificar agricultores que fazem uso indiscriminado dos agrotóxicos e de alguma forma puni-los.

Outro detalhe importante e pouco estudado é o impacto ambiental desses produtos. Apesar de ser um argumento muito utilizado contra os defensivos agrícolas, não temos conhecimento de nenhuma pesquisa séria e bem conduzida sobre esse tema. Por outro lado, são bem conhecidos os riscos da contaminação por agrotóxicos por parte dos profissionais que manipulam e aplicam tais produtos, mas o uso de equipamentos de segurança apropriados e o seguimento das recomendações dos fabricantes reduzem significativamente os riscos.

É importante esclarecer que a limpeza dos alimentos cultivados com agrotóxicos usando água, sabão e soluções com hipoclorito de sódio não removem esses produtos dos alimentos. Isso ocorre porque os defensivos agrícolas se distribuem pela polpa dos legumes e frutas. Essa higienização é útil para a remoção de bactérias e fungos, mas não para os resíduos dos agrotóxicos.

No caso dos alimentos orgânicos, aqueles cultivados sem o uso de agrotóxicos ou hormônio de crescimento, as dúvidas ainda são muitas, porque o cultivo desses alimentos orgânicos requer o uso de nutrientes e fertilizantes para o solo e que por sua vez são produtos químicos e que também precisam de maiores estudos. Além disso, ainda é muito difícil para o consumidor ter certeza da natureza orgânica do alimento que ele está adquirindo e da fiscalização efetiva sobre a produção, armazenamento  e comercialização desses produtos. 

Um detalhe é bem certo, não existe diferença nutricional entre os produtos cultivados com agrotóxicos e os orgânicos. Por exemplo, a quantidade do licopeno do tomate é a mesma, assim como são iguais as concentrações de vitamina C do abacaxi e do morango cultivados pelas duas formas diferentes de plantio. Além disso, os estudos são claros em definir que quanto maior o consumo de verduras e legumes, independente do cultivo, maior a prevenção contra o câncer, e nunca o contrário. 

Por Citen às 08h23

04/01/2012

Infelizmente as pessoas vão cair em mais esse conto do vigário

Max Burn é o novo conto do vigário, e infelizmente as pessoas em geral e muitos dos nossos pacientes vão cair em mais essa lorota. As promessas são  idênticas àquelas já mais do que manjadas e repetidas. Psyllium, Quitosana, L-Theanine e Extrato de Euterpe Oleracea são os componentes da poção mágica.

As promessas não poderiam ser mais amplas e irrestritas. Desde o aumento da saciedade, eliminação de gorduras, aumento da queima calórica e até sensação de bem estar. Uma associação de efeitos nunca vista antes em um único medicamento. E tudo muito “natural”!

Realmente, se isso fosse verdade, estaríamos diante da cura da obesidade e da solução de todos os problemas relacionados a ela. Mas infelizmente não é bem assim, pois todos esses componentes já são conhecidos e não atendem a nenhuma dessas promessas. O que não dá para entender e aceitar é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa - permitir essa propaganda enganosa de um componente registrado como um suplemento alimentar.

Quando as pessoas se derem conta de que nada disso funciona e que tais benefícios não passam de um conto do vigário, o tal suplemento já vendeu todo o estoque programado para o verão, repetindo o ciclo já conhecido com a aloe vera, caralluma, folia magra e folia negra e tantos outros lançados para venderem em um único verão.

Diante de tamanha  facilidade prometida pelo tal Max Burn e suplementos afins, não há como convencer os pacientes de que a obesidade é uma doença grave e de difícil tratamento. Requer mudanças de habito e um enorme esforço individual. Após mais uma decepção, as pessoas tendem a acreditar menos em sua possibilidade de perder peso até que a esperteza faça surgir mais um suplemento milagroso para o próximo verão. Mais um conto do vigário!

Por Citen às 22h04

01/01/2012

O bom humor do recomeço, também na dieta

Ano Novo,  vida nova. Parece que os resultados de qualquer empreendimento que demande esforços e mudanças em nossa vida dependem do nosso preparo para o enfrentamento. Bom começo, ou até recomeço, muitas vezes garante fôlego renovado e maiores chances de alcançarmos nossos objetivos. Por isso mesmo é que muita gente consegue se mobilizar no início do ano. Parar de fumar, começar um programa de atividade física, retomar uma dieta.

Um dos grandes entraves ao sucesso dos nossos pacientes obesos é a alta incidência de depressão entre eles. Obesidade e depressão são condições crônicas frequentemente associadas, além da melancolia e tristeza em lidar com algo tão difícil, gerado pela rotina de ter que lutar contra a balança, de se policiar sempre, de não poder se soltar nunca. Nas consultas médicas que tratam o assunto, o choro é a regra.

A idéia que temos de nós mesmos é um grande impulso para o sucesso ou para a derrota em todos os embates da vida. Os obesos carregam “o peso” de que não são capazes de vencer a guerra contra a balança, principalmente após inúmeras tentativas frustradas de emagrecer.  Eles até continuam tentando perder peso, mas sem nenhuma confiança de que isso seja possível. Quando eles vêm ao consultório, o nosso grande desafio  é fazê-los acreditar nessa possibilidade.

As primeiras dietas são sempre coroadas de êxito. A perda de peso que ocorre na maioria das primeiras tentativas de emagrecimento é facilmente compreendida pelo maior engajamento dos pacientes nas dietas propostas e pela confiança e bom humor que eles manifestam.   A explicação dada pelos pacientes de que as dietas vão ficando mais difíceis, porque eles vão envelhecendo não procede. Na verdade, eles se tornam mais e mais descrentes da possibilidade de emagrecer e mais e mais propensos a encarar de maneira pessimista e desmotivada o seu programa de dieta.

A cada Ano Novo nós devemos sim incluir nossa dieta em nossos planos  de renovação. Acreditar e investir neles. E tentar, a todo custo, manter nosso bom humor. Isso, por si só, já será um bom começo, ou recomeço.

Feliz 2012! Estaremos sempre dispostas a começar ou a recomeçar ao lado de vocês, bem como estaremos na torcida, na turma do gargarejo, acreditando que dessa vez teremos sucesso!

 

Por Citen às 23h57

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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