Blog Comer Sem Culpa

12/04/2012

Sim, estamos mais gordos, mas e daí?

O brasileiro está a cada dia mais obeso, é o que revela mais uma vez uma nova pesquisa do Ministério da Saúde. Essa situação já foi descrita tantas vezes que não desperta mais nossa atenção. Caso a notícia fosse mais um novíssimo e milagroso suplemento emagrecedor, certamente estaria sendo discutida e viabilizada pelos mesmos brasileiros que reagem sem nenhum interesse aos novos dados.

Essa situação é até compreensível por parte das pessoas que vivenciam uma notícia tão repetitiva, o que não dá para entender é a displicência dos nossos governantes diante de números tão significativos. Metade dos brasileiros está acima do peso e 15% estão obesos. Esses dados revelam a falta de políticas públicas de enfretamento e prevenção da obesidade.  O Brasil não está fazendo absolutamente nada, em larga escala, para evitar essa progressão da obesidade, que compromete a produtividade, aumenta os gastos públicos com as comorbidades e interfere na qualidade de vida dos brasileiros.

Uma situação diametralmente oposta e reveladora da importância de campanhas públicas  sérias e abrangentes é o fato de que o tabagismo está em queda progressiva. Principalmente entre os jovens. Contra o fumo, o governo agiu em várias frentes, duramente e de maneira organizada. Aumentou impostos, revelou tragédias estampadas nas carteiras de cigarro, proibiu o fumo em praticamente todos os locais públicos e empresas e, recentemente,  aboliu os aromatizantes nos cigarros. O resultado pode ser comemorado com os números decrescentes de fumantes em todo o país.

Diante de um problema de tamanha proporção, a indústria de alimentos e os governos devem desenvolver ações em conjunto,  no sentido de produzir alimentos mais saudáveis e de menor custo. As agências reguladoras de alimentos devem se empenhar  em exigir rotulações exatas e de linguagem acessível ao público leigo. E finalmente, os governos devem sobretaxar alimentos mais calóricos e subsidiar alimentos mais saudáveis, tornando vantajosa a compra desses, não somente do ponto de vista nutricional, mas também econômico. Todo e qualquer aumento excessivo no teor de açúcar gordura e sal dos alimentos deveria ser tributado e não o contrário, como ocorre na indústria de alimentos.

Precisamos nos mobilizar e cobrar de nossos governantes uma atitude mais responsável diante de dados como esses. Afinal de contas, eles dizem respeito a todos nós e ao futuro de cada brasileiro. Precisamos utilizar o modelo da luta contra o tabaco e quem sabe comemorar no futuro resultados mais promissores no combate a obesidade e todas as doenças que ela favorece. 

Por Citen às 08h14

04/04/2012

Chocolate emagrece?

Essa questão é tão absurda que não conseguiu mobilizar nem os loucos por chocolates. E olhe que eles não são poucos. O chocolate talvez seja o alimento mais globalizado e apreciado em todo o mundo. A pesquisa foi publicada em uma importante revista de medicina, os Archives of Internal Medicine e concluiu que quem comia chocolates mais vezes por semana teria um menor IMC (índice de massa corporal) em relação aos que comiam menos.

Estudos como esse servem para que as pessoas em geral entendam que não é simples e automático analisar resultados de pesquisas. Aqui não há dúvidas de que os resultados não mudará nossa conduta nem fará do chocolate um item das dietas emagrecedoras. Apesar disso, nós sempre podemos aprender alguma coisa com as pesquisas científicas, mesmo as mais questionáveis.

Nesse caso, nós entendemos que o que pode ter influenciado o menor peso entre os que comiam chocolates mais vezes por semana, deve ter sido hábitos alimentares mais regulares e moderados em relação aos que comiam menos vezes e que comer mais vezes não significa comer maior volume. Um exemplo disso nós observamos entre as pessoas com comportamento alimentar compulsivo, que podem comer, em pouco tempo, um volume muito grande do alimento em questão.

O que existe de concreto em relação ao chocolate é que a forma amarga contem maiores quantidades de flavonoides, que são antioxidantes benéficos à saúde, mas a maior parte das pessoas prefere o chocolate ao leite. Por outro lado, não existe diferença calórica entre eles, nem em quantidade de gordura saturada.

A nossa grande dificuldade em recomendar ou permitir o chocolate nas nossas dietas é conseguir que nossos pacientes sigam as recomendações de consumo saudável, 5 gramas ao dia ou 30 calorias. Se pegarmos um pequeno tablete de 25g e dividirmos em quatro, ainda é muito. Se você conseguir isso, siga em frente!

PS.: Na páscoa podemos comer um pouquinho mais! 

Por Citen às 08h13

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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