Blog Comer Sem Culpa

26/04/2012

Seu peso pode afetar a sua capacidade de engravidar

Algumas vezes o dilema da mulher infértil fica muito longe da ginecologia e obstetrícia. Doze por cento dos casos de infertilidade estão relacionados ao sobrepeso e à obesidade e nesses casos, a perda de alguns quilos pode ser exatamente o tratamento ideal. Sem hormônios para induzir a ovulação, sem fertilizações e tudo dentro da mais perfeita normalidade.

Nas pacientes obesas, os problemas ginecológicos e obstétricos não são poucos. Quando conseguem engravidar, elas apresentam muito mais abortos e partos prematuros, diabetes gestacional, hipertensão arterial relacionada à gestação, pré-eclâmpsia, bebês demasiadamente grandes e com muito mais gordura corporal, hemorragias durante cesarianas, infecções de feridas cirúrgicas e complicações anestésicas.

O contrário também ocorre. Mulheres muito magras e desnutridas, ou aquelas que se submetem a exercícios físicos extremos como bailarinas e atletas, podem ter seus ciclos menstruais interrompidos. Acredita-se que um  mínimo de 22% de gordura corporal  seja necessário para que ocorra a ovulação e menstruações regulares.

A boa notícia é que a perda ou o ganho de poucos quilinhos em gordinhas e magrinhas pode restaurar a fertilidade e induzir a ovulação e a consequente concepção em 70% das mulheres fora do peso.  Nesse  contexto, o IMC considerado ideal é de 19 a 25kg/m2 (IMC= peso em kg dividido pela altura em metros ao quadrado). 

 

 

Por Citen às 08h42

24/04/2012

A longevidade em cheque

Viver mais e melhor sempre foi uma busca da humanidade. Pessoas jovens com mais 60 anos passaram a ser uma realidade em nossa geração e comumente podemos encontrá-las aos 70 ou 80 anos trabalhando, se divertindo e vivenciando o crescimento de suas famílias, desfrutando saúde física e mental. Esse avanço no tempo foi possível através de duras batalhas da medicina preventiva, da saúde pública e da Nutrição. Ultrapassamos o período quando as principais causas de morte na primeira infância eram as doenças infecciosas e desnutricionais.

O pensamento natural seria que as futuras gerações de idosos, atualmente nossas crianças, alcançariam os 100 anos. Infelizmente não é essa a projeção de estudiosos no assunto. No Brasil, mais de um terço de nossas crianças estão com sobrepeso e pelo menos 15% com obesidade. Dados esses que vem crescendo assustadoramente.

Com o avanço da obesidade infantil, nossas crianças passaram a ter doenças de adultos como colesterol elevado, aumento da pressão arterial, fígado gorduroso e diabetes. Com isso, muito provavelmente, essas crianças farão parte da primeira geração com uma expectativa de vida aquém daquela de seus pais. Mais uma dívida na conta da obesidade às futuras gerações, podendo fazer um retrocesso quem levamos um século para alcançar. 

Por Citen às 13h14

19/04/2012

As cidades mais saudáveis do mundo. Olha São Paulo aí gente!


Por incrível que possa parecer, os dados vêm de um aplicativo móvel para celular. O Eatery app. O objetivo básico é ajudar as pessoas a controlar sua ingestão calórica fotografando  seus pratos e enviando as fotos de suas refeições diárias para um banco de dados. Além disso, eles devem fotografar refeições de outras pessoas conhecidas e finalmente opinarem sobre a qualidade dos alimentos. Atualmente, o volume de informações obtidas de 50 países permitiu que os criadores do Eatery nos dessem as primeiras informações de como estão se alimentando as pessoas ao redor do mundo.

(1)   Alguns detalhes da frequência de certos alimentos chamam atenção e outros nem tanto. Em São Francisco, come-se muito mais couve de Bruxelas e saladas em geral; em Nova York, mais rúcula; na Filadélfia, mais pretzels  e em São Paulo, mais feijão... mesmo? 

(2)   A cidade que desponta no ranque de pior qualidade alimentar é Filadélfia e se destaca entre os maiores índices de obesidade nos Estados Unidos.

(3)   As pessoas comem pior ao longo do dia, ou seja, o café da manhã é a melhor refeição e o jantar é a pior. Os autores até se arriscam a explicar o processo. Dizem que a força de vontade de comer de maneira saudável se esvai com o passar do dia. Será?

(4)   Os usuários do Eatery avaliaram suas refeições como sendo mais saudáveis do que elas realmente eram em 12% de suas avaliações, mas foram mais rigorosos quando avaliaram a refeição alheia. A pizza que eles consumiram foi avaliada como mais saudável do que a pizza do vizinho.

(5)   Copenhague é a cidade mais saudável em sua alimentação de acordo com os dados infográficos do Eatery, seguida por São Paulo... de verdade! Ficamos orgulhosas de nossa boa alimentação! Em seguida vieram Nova York, São Francisco, Tóquio e Filadélfia.

(6)   Os alimentos mais populares no mundo foram em ordem decrescente: salada, frango, queijo, arroz, chá, café, leite, ovos, maçã, sopa, iogurte e pão. Inacreditável a salada em primeiro lugar e não aparecer na lista os fast foods, chocolates e outros alimentos industrializados. É verdade que as pessoas muito provavelmente só fotografaram aquilo que lhes convêm.

Apesar das informações serem curiosas e úteis, elas não seguem o rigor dos critérios das pesquisas científicas. Além disso, os dados informados podem ser altamente suspeitos e facilmente manipulados. Uma coisa é certa, nós ainda temos muitas chances de nos alimentarmos muito bem e o fazemos melhor do que a maioria dos outros países. Achamos mesmo que estamos, no mínimo, em segundo lugar. Precisamos lutar para que a industrialização não nos rebaixe também nesse ranque. 

 

Por Citen às 22h07

16/04/2012

Exames em excesso não são úteis à nossa saúde

Recentemente, uma campanha envolvendo nove sociedades médicas americanas nos chamou atenção para um problema que nos preocupa há muito tempo. O excesso de exames laboratoriais aos quais nossos pacientes são submetidos diariamente. A mudança representa o reconhecimento por parte dos médicos de que muitos testes e procedimentos são realizados aleatoriamente, onerando os serviços e planos de saúde, sem prestar nenhuma ajuda ao paciente. Na ocasião, foi lançada uma lista de 45 testes laboratoriais que somente deveriam ser solicitados frente a evidências clínicas contundentes.

Nos Estados Unidos o recado foi dirigido também aos pacientes para que eles alertem seus médicos. No Brasil, é muito comum os pacientes ficarem felizes diante da solicitação de uma lista infindável de exames. Eles confundem essa medida como sendo de maior segurança e acreditam que dessa forma nada passará despercebido e eles terão um tratamento mais eficaz e abrangente. O que eles não sabem é que esse exagero de exames não resultará em mais saúde ou longevidade. Alimentação saudável, atividade física e parar de fumar são mais eficientes do que todos esses procedimentos laboratoriais preventivos.

 A maioria dos nossos pacientes passa por vários médicos, pois seus convênios lhes permitem. Todos eles pedem exames, mesmo que o paciente tenha feito muitos deles há pouco tempo. Esse exagero em exames não tem se provado benéfico, além de trazer alguns problemas devido à ocorrência de resultados falso-positivos, que por sua vez obrigam a realização de mais exames.

Outro grande equívoco dos nossos pacientes é a ideia de que eles pagam seus convênios mensalmente e devem usufruir das várias possibilidades de exames e tratamentos disponíveis, mesmo sem evidências de que estão doentes. O que eles não entendem é que seus custos tendem a se elevar mais e mais e que o ideal seria não precisar utilizar apenas para justificar o investimento.

A campanha americana foi chamada de “choosing wisely” ou “escolhendo sabiamente” e faz uma avaliação negativa a cerca da solicitação frequente e precoce da densitometria óssea, dos marcadores sanguíneos de câncer, da tomografia computadorizada na suspeita de sinusite, do Papanicolau em mulheres abaixo de 21 anos e do eletrocardiograma e teste de esforço para a pesquisa de problemas cardíacos em pessoas sem sintomas sugestivos.

Esse assunto geralmente causa discussões acaloradas, pois vamos encontrar opiniões distintas, inclusive dos que alertam para um cerceamento por parte dos convênios sobre                  a decisão médica e o direito do paciente. Nossa posição limita-se a levantar a discussão a cerca da real necessidade de se rever a realização de exames em excesso, pois isso beneficiará nosso paciente, tanto em relação à sua saúde quanto aos seus gastos para mantê-la em ordem. 

Por Citen às 08h15

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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