Blog Comer Sem Culpa

14/05/2012

O diabetes tipo 2 na criança - uma doença nova e de difícil tratamento

Não se trata das dificuldades inerentes de tratar uma doença crônica na infância. Não estamos falando sobre as dificuldades do uso da insulina, das limitações ao consumo dos doces e guloseimas, dos riscos das temíveis hipoglicemias nem das dificuldades do convívio social da criança diabética. Estamos nos referindo a um tipo novo de diabetes que passou a ocorrer na infância muito recentemente. O diabetes antigamente referido como “diabetes do adulto” ou não dependente de insulina passou acometer crianças e adolescentes.

A diferença desse tipo de diabetes na infância e adolescência é justamente a agressividade da progressão da doença que agora ocorre nos pequenos. A característica dessas crianças é a obesidade de início precoce e o diabetes que elas desenvolvem está longe da natureza crônica e insidiosa do adulto. Um trabalho científico muito criterioso, recentemente publicado em uma das mais importantes revistas médicas do mundo, o The New England Journal of Medicine, demonstrou que esse grupo de diabéticos não responde ao tratamento com medicamentos orais em cerca de 50% dos casos já no início da doença.

Estamos diante de um cenário desolador, com a obesidade infantil alcançando a marca dos 15% das crianças brasileiras  e cerca de outras 30% delas com sobrepeso e caminhando a passos largos para engrossar o pelotão de obesos. É desse contingente de crianças que está saindo a mais nova safra de diabéticos. Um tipo de doença desconhecida até há duas décadas atrás. Um diabetes até então só encontrado em adultos e filhos de diabéticos. A característica comum entre essas crianças diabéticas é a obesidade, impondo a todos eles um padrão de bloqueio à ação da insulina, a chamada resistência insulínica.

Com o conhecimento que temos das complicações crônicas da obesidade, nós podemos prever um futuro desses jovens com doença cardiovascular precoce, lesões oculares e renais e um pesado ônus social e financeiro aos países. Essa será muito provavelmente a geração que terá uma vida média aquém dos seus pais, um retrocesso em tudo o que temos alcançado em relação à longevidade. É urgente a necessidade de programas governamentais para o combate à obesidade infantil, pois o tratamento desses casos tem se mostrado uma tarefa muito mais difícil, para não dizer impossível. 

Por Citen às 09h14

10/05/2012

A proibição do “foie gras” na Califórnia

O foie gras é uma iguaria da culinária francesa que utiliza o fígado de patos e gansos  para a sua produção de patês. Para alcançar a textura e o sabor tão especiais, as aves são alimentadas através de uma técnica chamada gavage, onde um tubo é introduzido na garganta das aves que passam as últimas semanas de vida comendo forçadamente  grande quantidade de ração, rica em carboidratos e gordura, composta  por nozes ou milho cozido.  Esse procedimento faz o fígado do animal dobrar de tamanho pelo depósito de gordura em seu interior e dessa forma alcançar o ponto ideal para produzir o patê.

Esse procedimento é ilegal em vários países do mundo e nos Estados Unidos, os únicos dois  estados produtores de foie gras caminham para o impedimento legal. Nova York onde tramita uma lei visando a proibição e o estado da Califórnia, onde a lei que impede a produção do patê foi assinada em 2004, pelo então governador Arnold Schwarzenegger e entra em vigor no dia 1º. de julho próximo.

Diante da proibição programada para julho, os famosos chefs californianos estão em polvorosa. Alegam que cuidarão bem dos gansinhos, que não usarão gavage, que eles serão criados fora das gaiolas e alimentados livremente. Infelizmente sabemos que é impossível que esses animais tenham tamanha sobrecarga de gordura em seus fígados sem alimentação forçada e que não há “tratamento humanitário” possível para alcançar a lesão do fígado tão apreciada pelos paladares refinados que frequentam esses centros de gastronomia.

A questão não é o consumo de patê de fígado de pato, mas a técnica utilizada para produzir a infiltração gordurosa no órgão, por considerá-la desumana e cruel com as aves.

Por Citen às 13h40

07/05/2012

Na cozinha com a geração X

Um detalhe curioso por nós observados acaba de ser publicado em um estudo da Universidade de Michigan. O autor analisou o comportamento de um grupo de jovens nascidos entre 1964 e 1981, a chamada geração X e observou que eles estão muito mais envolvidos com a compra e o preparo dos alimentos em relação às suas gerações passadas. Nos Estados Unidos, essa característica descrita parece envolver homens e mulheres, embora a atitude masculina chame a atenção por ser mais significativa. Eles estão cozinhando duas vezes mais que seus pais.

Outro detalhe interessante entre as pessoas de 30 a 48 anos que compõem essa geração é a volta ao prazer de comer juntos. Entre familiares e amigos. Na verdade, cozinhar passou a ser um grande barato, gerando o inusitado interesse por leituras de culinárias e programas de televisão que abordam o tema. Além disso, o assunto passou a ser motivo de bate papos entre eles, com trocas de experiências e dicas de receitas.

No Brasil, a mulher da geração X está vivenciando uma etapa anterior a essa. Ela ainda enfrenta as demandas profissionais comprometendo a maior parte de seu dia a dia nessas tarefas, restando-lhes muito pouco tempo para se dedicar à cozinha. Aliás, ela ainda prefere ficar bem longe do fogão, como que ainda traumatizadas pela vida de suas mães que só cozinharam. Já os homens, aprenderam a se divertir cozinhando e aqueles o faz, gozam de grande prestígio entre os amigos.

Entre nós, a geração X na cozinha é claramente comandada pelos homens. Apesar da mulher ainda cozinhar mais, são eles que vêm aprendendo a pilotar os fogões com arte e prazer. Como os autores da pesquisa de Michigan, nós também não ousamos perguntar quem lava os pratos... esse detalhe todos nós sabemos muito bem. 

Por Citen às 08h23

02/05/2012

Os benefícios cerebrais da atividade física

Estamos acostumadas a incluir a atividade física em nossas orientações de saúde.  Não há dúvidas sobre seus benefícios ao coração,  ao peso corporal e seus poderes em definir e remodelar músculos.  A novidade revelada recentemente diz respeito a potenciais simplesmente fantásticos do exercício físico.  Exercitar com regularidade pode proteger a atividade cerebral relacionada à inteligência e memória.

Também já sabíamos que exercitar regularmente melhora o humor e a disposição. Mas não é nada disso que estamos falando.  A questão agora é função cerebral, algo que vem preocupando todos nós, com a grande frequência de pessoas com demência senil ou doença de Alzheimer,  com a perspectiva de longevidade dos povos.

As recomendações atuais para a proteção da memória são ligadas ao próprio exercício da memória como leitura, palavras cruzadas e novos aprendizados como uma língua estrangeira ou música. O que ficamos sabendo agora  é que exercitar fisicamente com regularidade tem um efeito mais importante que o próprio exercício do pensamento e que seus benefícios cerebrais são mais evidentes que aqueles que ocorrem nos músculos.

Sabemos que a função cerebral declina com o desuso e com a idade. Ocorre inclusive redução do volume cerebral, o que revela a perda irreversível de neurônios. O exercício físico parece evitar ou retardar esses efeitos do envelhecimento cerebral.

Os mecanismos da proteção cerebral exercidos pela ginástica ainda são desconhecidos, mas sabe-se que não precisamos chegar à exaustão, uma vez que uma simples caminhada ou pedalada com regularidade pode exercer o efeito protetor desejado, fazendo com que nosso cérebro possa acompanhar a longevidade que temos alcançado em nosso corpo. 

Por Citen às 09h57

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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