Blog Comer Sem Culpa

31/05/2012

Dia Mundial sem Tabaco

O dia 31 de maio foi escolhido como o dia mudial de luta e conscientização dos povos contra o tabaco. Esse ano, o tema é a interferência da indústria do tabaco sobre as ações que tentam controlar o seu avanço sobre as pessoas e especialmente sobre os jovens.

Em seu relatório em 2008, a OMS destaca os esforços da indústria do tabaco para evitar, retardar e comprometer as políticas eficazes de controle do fumo, utilizando-se de lobby poderoso, doações políticas, exploração de brechas legislativas, dificultando qualquer campanha contra o uso do tabaco. Um exemplo disso são as ações contrárias à Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, que mostrou a ligação entre fumo passivo e câncer de pulmão, e à apreciação pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos  dos riscos associados ao fumo passivo. A indústria do tabaco vem ficnaciando analistas de negócios, cientistas e historiadores na promoção dos seus interesses e contrariando as políticas de saúde pública.

Há pouco,  a Anvisa proibiu a comercialização de cigarros aromatizados, aqueles que utilizam aditivos como o mentol e o cravo com a alegação de que esses produtos tornam o cigarro mais atrativo e palatável, principalmente para crianças e adolescentes. Paulatinamente, o cerco ao tabaco vem se fechando em todo o mundo. Inicialmente, a publicidade glamurosa e arrojada, que associava o fumo a esportes radicais,  masculinidade,  luxo e sedução foi substituída por terríveis imagens dos efeitos do tabaco sobre a saúde das pessoas. Depois, vieram as proibições a cerca dos locais permitidos aos fumantes, incluindo os bares e restaurantes, shoppings e empresas.

Por tudo isso, nós comemoramos cada nova vitória na luta contra o tabaco, melhor dizer, na luta a favor da vida. Parar de fumar é sempre uma vitória individual, uma atitude inteligente e madura, mas muitas vezes requer tratamento e ajuda especializada. Atualmente, podemos contar com medicamentos eficientes e seguros desde que aliados a uma conscientização do paciente. Mesmo assim, ainda não é nada fácil a luta de médicos, pacientes e seus familiares contra o tabagismo.

Apesar do conhecimento de que o tabaco é a principal causa evitável de doenças graves, incluindo o câncer, em todo o mundo e da preocupação dos proficionais de saúde  com as suas consequências, não há nenhum sinal de que a indústria do tabaco entenda nossos  argumentos. Assim, o combate à interferência da indústria com o controle do tabaco continua a ser um componente essencial para a estratégia de saúde pública dos povos. Precisamos fazer com que os govervos entendam que a suas receitas podem se manter estáveis sem os impostos pagos pela indústria do tabaco, pois eles estarão poupando vidas e muito dinheiro gasto anualente no tratamento das doenças causadas pelo fumo.

Por Citen às 10h59

28/05/2012

Tente reduzir o sal - isso é possível sem abrir mão do sabor dos alimentos!

Vocês devem estar cansados de ouvir essa orientação, geralmente de maneira vaga e sem maiores detalhes ou informações práticas para que possam saber por onde começar para realizar tamanha façanha. Falamos muito dos alimentos industrializados e processados e esperamos que os governos e a indústria tomem a frente nessa empreitada. Acontece que as medidas necessárias em Saúde Pública acontecerão muito mais lentamente do que gostaríamos. Precisamos começar a fazer nossa parte, pois ela poderá efetuar grandes mudanças em nossa ingestão de sal em um tempo hábil e com benefícios incontestáveis.

De acordo com um recente estudo publicado na revista Stroke, mais de 100.000 mortes por derrame cerebral  poderiam ser evitadas entre os americanos todos os anos apenas com a redução do sal. Parece muito simples, mas reduzir o sal é infinitamente mais difícil do que reduzir o açúcar. Isso se deve ao fato de que o sal tem um efeito muito além do sabor salgado que ele confere aos alimentos, pois ele também é útil em equilibrar os vários outros sabores, principalmente o amargo e o próprio sabor doce.

Geralmente nós escolhemos nosso alimento pelo sabor. Para que possamos conseguir reduzir o sal, nós devemos utilizar de algumas estratégias básicas:

Em primeiro lugar, prefira alimentos frescos, pois 75% do sal que ingerimos vem de alimentos industrializados ou processados e o simples fato de prepararmos esse mesmos alimentos já reduziremos pela metade nossa ingestão de sal. Um exemplo fácil de se entender é que 100gramas de peito de frango temperado tem em média 700mg de sódio e isso pode cair para um terço quando preparamos e usamos o nosso tempero caseiro, incluindo o sal.

Uma segunda estratégia é utilizarmos temperos frescos e ervas finas, gengibre, cebola, alho e cítricos para adicionarmos sabor ao alimento e depender menos do sal.

Em terceiro lugar devemos observar muito bem o rótulo dos alimentos e compararmos o teor de sal (sódio) entre eles. Não há a necessidade de saber quanto de sódio deveria conter em cada alimento. O simples fato de optamos pelo alimento de menor teor já é o suficiente. Se possível, escolher alimentos sem sal, como é o caso de margarinas, deixando a opção adicioar o sal por nossa conta quando do preparo do alimento.

Finalmente, a redução do sal será logo notada por toda a família e será difícil uma redução drástica e rápida, pois isso mudará muito o sabor dos alimentos. Opte por reduzir gradativamente o teor de sal, pois assim nos adaptaremos mais facilmente. 

Por Citen às 09h56

24/05/2012

Obesidade e Câncer de Tireoide

O câncer de tireoide felizmente é uma patologia relativamente benigna, apesar do paradoxo da frase. Na maioria dos casos, o diagnostico é feito  em estágios iniciais da doença,  principalmente devido aos modernos métodos de imagem e à evolução relativamente lenta da doença. Isso nos permite a indicação cirúrgica precoce e a cura da grande maioria dos casos.

Os fatores de risco para a ocorrência de cânceres de uma maneira geral são bem estabelecidos e os mais comprovados são o tabaco e o consumo excessivo de carne vermelha. Os dados que comprovam essa associação têm sido demonstrados em vários trabalhos científicos e tem dado munição aos governos para investirem pesado em campanhas de prevenção bem sucedidas, como é o caso do tabaco.

A obesidade vem sendo relacionada à ocorrência de vários tipos de câncer como de mama e intestino e, recentemente, os dados de uma pesquisa realizada na Califórnia demonstrou que a gravidade dos casos de câncer de tireoide estava diretamente relacionada ao peso corporal dos pacientes. Eles analisaram 430 pacientes e encontraram que as formas mais agressivas dos tumores foram mais prevalentes nos pacientes obesos. Relataram ainda que as taxas de recidiva dos tumores foram maiores indicando que a obesidade estaria influenciando a ocorrência de tumores de tireoide mais agressivos e difíceis de tratar.

A relação da obesidade com várias outras doenças crônicas deve ainda ser avaliada quanto à possibilidade do ganho de peso causar doenças. Entretanto, o seu papel no agravamento da maioria delas é inquestionável e o câncer de tireoide é a mais nova revelação. Resta esperar e cobrar para que os governos entendam o fato e de maneira inteligente passem a entender que a obesidade não é um problema estético e requer atitudes sérias e comprometidas com o seu controle.

Por Citen às 08h38

22/05/2012

Os benefícios da dieta na gestação

Nossa abordagem das gestantes com sobrepeso ou obesidade sempre se preocupou com a saúde do bebê e com os possíveis riscos de uma dieta com restrição calórica no desenvolvimento fetal. Ficávamos sempre preocupadas com o risco materno imposto pela  obesidade, mas também receosas com as influências fetais de uma dieta muito restritiva. Dessa forma, nossa conduta sempre foi conservadora.

Entretanto, nossa orientação nutricional na gestação vem mudando a partir dos conhecimentos a cerca dos riscos da obesidade para a saúde materno-fetal, como a maior incidência de diabetes gestacional, hipertensão arterial,  pré-eclâmpsia e prematuridade. Diante desse quadro, passamos a ter uma atitude mais rigorosa para com a dieta dessas gestantes, no sentido de evitar o ganho de peso que possa somar aos efeitos deletérios de seu sobrepeso pré-gestacional.

Um trabalho científico que acaba de ser publicado no British Medical Journal demonstrou que uma intervenção nutricional rigorosa não traz efeitos deletérios aos bebês nem às suas mães, muito pelo contrário, houve redução de todas as complicações relacionadas à obesidade gestacional, como o diabetes, a pré-eclâmpsia e a prematuridade.

A pesquisa demonstrou que fazer dieta na gestação é seguro e não afeta o peso do bebê. Não propõe emagrecimento nessa fase da vida,  mas demonstrou que um menor ganho de peso na gestação é  altamente benéfico para ambos, mãe e filho.

Ainda não há um modelo de dieta ou recomendação calórica específica com tal rigor para a gestante obesa, mas certamente esse será o próximo passo a ser estudado. Com esses resultados, a nossa proposta de dieta para as gestantes obesas já não é tão conservadora e para alcançar nossos objetivos nós  contamos com um grupo altamente motivado em seu tratamento, pois elas  costumam ser mais receptivas e tolerantes a privações, não apenas em benefício próprio, mas principalmente, pela saúde dos seus bebês. 

Por Citen às 11h04

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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