Blog Comer Sem Culpa

15/06/2012

A fama dos ácidos graxos ômega-3 e seus reais benefícios

Uma dieta balanceada é composta por 30% de gordura. Isso pode parecer exagerado, quando imaginamos que em uma dieta de 2000 calorias, 600 delas devem ser ingeridas sobre a forma de gorduras. Considerando que um grama de gordura gera 9 calorias, nós chegamos ao valor de quase 70 gramas de gordura nessa dieta hipotética. Esses cálculos deixam bem claro a importância das gorduras em nossa alimentação.

Para que uma dieta seja saudável e balanceada no quesito gorduras, é importante entender os seus diferentes tipos para que possamos priorizar a ingestão das gorduras do bem. Entre elas vem ganhando credibilidade e importância as gorduras chamadas poliinsaturadas ômega 3, encontradas em peixes (sardinha, salmão, atum e truta), sementes, castanhas e grãos  (linhaça,  nozes e soja) e principalmente em óleos vegetais como soja e canola.

A fama das gorduras ômega 3 surgiu a partir de observações dos povos esquimós, quando os pesquisadores notaram que eles tinham uma menor incidência de infarto em relação aos ocidentais, apesar de ingerirem uma dieta rica em gordura e de terem altos índices de sobrepeso e obesidade. Uma vez que a base da alimentação desses povos são os peixes gordurosos e ricos em ômega 3,  inúmeras pesquisas tentaram comprovar a relação causa e efeito desse dois fatos: ômega 3 e proteção cardiovascular.

Essa semana foram publicados dois estudos muito convincentes que não encontraram qualquer benefício da suplementação com ômega 3 na proteção cardiovascular e nas demências ou perda da memória. Isso significa que o uso das cápsulas de ômega 3 tão frequentes na prevenção dessas doenças é totalmente ineficaz e não tem embasamento científico.

A conclusão é de que os mesmos povos que ingerem grande quantidade de gorduras poliinsaturadas, as gorduras benéficas, também são aqueles que ingerem muito pouca gordura saturada, sabidamente deletéria. Apesar disso, independente da ineficácia da suplementação, os ácidos graxos  ômega 3 devem fazer parte de toda alimentação saudável através de suas fontes naturais. Ao darmos preferência a esse tipo de gordura, nós estaremos retirando do nosso prato a maior causa dietética das doenças cardiovasculares que é a gordura saturada. 

 

 

Referências Bibliográficas

Segue abaixo o link para os artigos originais utilizados como referência para a elaboração do post

1) Fish oils for the prevention of dementia in older people - Publicado no Cochrane Database of Systematic Reviews - http://bit.ly/KJqykN

2) n–3 Fatty Acids and Cardiovascular Outcomes in Patients with Dysglycemia - Publicado NEJM - http://bit.ly/KJr7v3



 

Por Citen às 09h45

11/06/2012

A Walt Disney sai na frente na luta contra o “Junk Food”

Não há como traduzir essa palavra. O “junk food” resume tudo o que é de pior em alimentos industrializados. Ricos em sódio, açúcar, gorduras saturadas e sabor arrebatador. Não é como o primeiro sutiã, mas nenhuma criança se esquece do primeiro “junk food” que lhes põem na boca. Sob a forma de chips salgadinhos e crocantes, hambúrgueres suculentos, leites e iogurtes adoçados e aromatizados, bolachas recheadas de massas coloridas e doces, sucos ou néctares enganadores, cheios de cor e sabor. A maioria com preços acessíveis e veiculados pela mídia até os olhinhos atentos de nossas crianças.

A Walt Disney decidiu que permitirá apenas a propaganda de alimentos saudáveis em todas as suas mídias incluído canais de TV, estações de radio e websites. Todos os alimentos dirigidos para o público infanto-juvenil estarão sujeitos a um crivo rigoroso do check Mickey, um selo próprio para alimentos considerados nutritivos. O objetivo é adequar os alimentos aos padrões considerados saudáveis, principalmente em seu conteúdo em sal, açúcar, gorduras saturadas e calorias.

A grande questão a ser respondida é como responsabilizar governos, indústria de alimentos e meios de comunicação pela permissão, fabricação e propaganda de alimentos conhecidamente deletérios à saúde das pessoas em geral e das crianças em particular. Essa questão deve ser motivo de debate em lares, escolas, consultórios médicos, empresas e associações de bairro. Não há como ser permissivo ao lixo alimentar temperado com muito sal, açúcar e gorduras saturadas, viciando nossas crianças e levando às mais altas cifras de sobrepeso e obesidade vistos em todo o mundo.

Essa atitude da Walt Disney nos enche de esperanças quanto à conscientização das grandes corporações em sua parcela de comprometimento com a solução do grave problema da obesidade infantil e todas as doenças associadas a ela. 

Por Citen às 08h24

04/06/2012

A progressão do câncer no mundo

Não há dúvida de que o câncer será a principal causa de mortalidade nas gerações futuras. Passamos pela desnutrição mundial e aprendemos como adequar nossas necessidades nutricionais para evitar a doença e a morte pela carência de nutrientes. Passamos pelas doenças infecciosas e aprendemos que a água potável, o saneamento básico e as vacinações reverteriam esse processo. Atualmente, estamos em pleno domínio das doenças cardiovasculares como causa de morte e estamos aprendendo que o tratamento da hipertensão arterial, a correção das taxas de colesterol e o controle do peso corporal são metas importantes para nos livrarmos da morte pelo coração. O futuro será de uma dura luta travada contra o câncer.

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão ligado à OMS, os casos de câncer deverão aumentar em cerca de 75% até 2030. Uma estatística assustadora. Os países desenvolvidos ou em desenvolvimento, como os Estados Unidos, Brasil, Rússia e Reino Unido continuarão com maior prevalência para os casos de câncer relacionado ao um estilo de vida ocidentalizado, com sedentarismo, má alimentação e obesidade, como câncer de mama, pulmão, colorretal e próstata. Nos países subdesenvolvidos, como alguns países da África, continuarão crescendo o número de casos de câncer relacionados a infecções como fígado, estômago e colo de útero.

O câncer já é a principal causa de morte em muitos países de renda elevada e está avançando pelo mundo em desenvolvimento e subdesenvolvido. Não há como não pensar nas estratégias de ação global que reduzam suas taxas de incidência. Dentre elas, as intervenções no padrão de alimentação dos povos talvez sejam as mais inteligentes, mas também as mais complexas, uma vez que envolve toda a cadeia de produção e comercialização dos alimentos.

Por outro lado, o que temos visto na mídia,  descrições desse ou daquele alimento que protege contra o câncer muitas vezes banaliza o problema e trás uma falsa ideia de que estamos protegidos por comer brócolis ou tomate. Na verdade, o que lemos e ouvimos sobre a composição desses alimentos são verdades. O erro está na interpretação dos autores desses textos, que não entendem que ao invés de educar e informar, eles dão a falsa ideia de que comendo esse ou aquele alimento nós estaremos seguros. O que precisamos entender é que alimentação saudável, na maioria das vezes, é justamente deixar de comer alguns alimentos sabidamente maléficos e diversificar  todos os outros. 

Por Citen às 11h39

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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