Blog Comer Sem Culpa

13/07/2012

Temas polêmicos em debate franco

Nesse mês participamos do programa Todo Seu e discutimos questões bastante interessantes. Uma delas foi o uso de agrotóxico. Nós já havíamos falado aqui no blog da importância de um debate sério e transparente sobre o uso do agrotóxico na produção agrícola e as consequências à saúde. Destacamos um recente estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, onde foi realizado uma grande revisão em mais de 160 artigos científicos, publicados nos últimos 50 anos. De acordo com os autores, no que diz respeito ao valor nutricional, não foi encontrado nenhuma diferença significante entre os alimentos cultivados com uso de aditivos agrícolas e àqueles em plantio orgânico.  Mesmo assim, o debate não esta encerrado, e muitas questões ainda precisam ser esclarecidas, principalmente no que diz respeito ao solo e proteção do agricultor.

Também falamos dos riscos do consumo exagerado de bebidas energéticas. Abordamos a importância de cobater o tabagismo e as possibilidades de controle do peso na interrupção do fumo. Além de alertar a importância da nutrição em pessoas idosas.  Segue o link para quiser conferir a entrevista da Dra. Ellen Simone Paiva. Quem quiser enriquecer nosso debate, nos mande seus posicionamentos e/ou experiências sobre os tópicos abordados. 


 

 

Por Citen às 20h48

09/07/2012

A produção de alimentos é realmente uma questão séria e polêmica


O crescimento populacional do mundo tem mexido com questões polêmicas e cruciais para a humanidade. As estimativas de que seremos 9 bilhões de pessoas em 2050 exige de todos nós uma compreensão das nossas enormes demandas nutricionais para que possamos alcançar alimentos em volume suficiente, que sejam nutritivos, seguros, sustentáveis e economicamente viáveis.

Quando analisamos a produção de alimentos, é preocupante a perda de 30 a 50% das colheitas antes que alcancem a nossa mesa. A logística deve melhorar. Enquanto a demanda está crescendo, a disponibilidade de recursos naturais como água e terra produtiva está diminuindo. Inundações quadruplicaram nas últimas 3 décadas, períodos de seca estão mais rigorosos e prolongados. Para proteger nossos recursos naturais e sermos sustentáveis, precisamos desmatar menos e sermos muito eficientes em nossas lavouras.

Do ponto de vista nutricional, é irreal a ideia de que nossas terras estejam em seu limite de produção e de que nossos alimentos perderam qualidade. Na realidade, não precisamos de nenhum suplemento nutricional quando nos alimentamos corretamente, pois nossos alimentos, provenientes das lavouras, têm pleno poder nutricional, seja ele orgânico ou oriundo das lavouras com cultivo tradicional.

Do ponto de vista da segurança alimentar é preciso analisar os riscos dos alimentos frente ao uso de defensivos agrícolas para que não tenhamos uma visão irreal do tema. Há uma verdadeira onda de temor de intoxicação alimentar com o uso dos agrotóxicos, mas não temos conhecimento de nenhum quadro de intoxicação alimentar causado por esta forma de cultivo. Apesar disso, precisamos de garantias de que o nosso produtor esteja utilizando o produto certo e em quantidade correta e respeitando o período de carência entre a aplicação dos agrotóxicos e a sua colheita e consumo.    

Empresas pesquisam grãos resistentes e mais ricos em nutrientes. Mas a inovação tecnológica não será capaz de resolver todos os problemas. A  produção de alimentos geneticamente modificados divide opiniões e traduz a grande dificuldade que é mexer em nossos alimentos. Qualquer resposta a esses problemas não pode deixar de contemplar os pequenos produtores que cultivam grande parte dos alimentos do mundo, através do compartilhamento de novos conhecimentos que podem torná-los mais produtivos, eficientes e seguros.

 

Por Citen às 22h30

02/07/2012

Um novo medicamento para emagrecer

Há 13 anos não temos nenhum novo medicamento para emagrecer. Na verdade, ocorreu o inverso, pois a maioria dos medicamentos disponíveis para o tratamento da obesidade foi proibida na maioria dos países, inclusive no Brasil. No último dia 27 de junho o FDA aprovou a Lorcaserina, quebrando o longo jejum, que nos deixou a revelia de fitoterápicos completamente ineficientes e suplementos que prometiam maravilhas nunca alcançadas.

Essa ação do FDA revela uma mudança dos ventos que sopram sobre a imensa população de obesos em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos. Aparentemente, os governos e agências reguladoras começaram a entender que a obesidade pode por em risco a economia dos povos, devido aos gastos exorbitantes com o tratamento das suas complicações.

Os argumentos das agências reguladoras para proibirem a entrada no mercado de vários medicamentos que antecederam a solicitação da Lorcaserina foram até anedóticos. Muitos medicamentos foram barrados por conta de um risco cardiovascular hipotético, apesar da maioria dos medicamentos, aprovado pelas mesmas agências, não comprovam total segurança cardiovascular. Na verdade, todo medicamento tem prós e contras e deve ser adequado ao paciente por seu médico.

A Lorcaserina atua antecipando a sensação de saciedade durante as refeições. Isso é por si só vantajoso, pois ela não causa redução ou abolição da fome. A sensação de fome é fisiológica e saudável. Permite que o paciente faça suas refeições normalmente. O novo medicamento promete reduzir o volume de alimento necessário para que o paciente se sinta saciado e nos estudos clínicos revelou um efeito mais potente que a sibutramina, nosso único medicamento disponível para o tratamento da obesidade.

Como todos os medicamentos, a Lorcaserina também tem efeitos colaterais e deverá ser prescrita por médicos com experiência no tratamento da obesidade. Além disso, vai requerer um programa nutricional associado para que alcance os objetivos no tratamento da obesidade. Aguardemos agora a sua comercialização nos Estados Unidos e sua aprovação no Brasil. Mas já é uma luz no fundo do túnel. 

Por Citen às 10h35

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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