Blog Comer Sem Culpa

27/08/2012

As diferentes formas de fazer dieta

 

Falamos em dietas porque há várias dietas possíveis para emagrecer. Sempre que comemos menos calorias do que gastamos, perdemos peso. Independentemente de serem balanceadas, as dietas emagrecem e o fazem mais intensa e rapidamente quando contém menos calorias. Não há mistério nisso. É apenas uma questão matemática.

Apesar da forma para emagrecer ser um fato já muito bem esclarecido, quando falamos em saúde e durabilidade de nossas dietas, as coisas mudam completamente. Tomando por exemplo uma "dieta da moda" muito famosa, talvez a mais estudada e eficiente para fazer perder peso, a dieta do Dr. Atkins, podemos observar, quando contamos suas calorias, que ela é uma das dietas menos calóricas existentes nesse versátil mundo das "dietas da moda", que emagrecem muito rapidamente, pois causam saciedade muito intensa e são monótonas, não deixando aos pacientes muitas opções alimentares. Apesar disso, ninguém consegue continuar comendo de maneira tão restrita durante toda a vida e isto causa o abandono do plano dietético e a inviabilidade de manutenção do peso.

É possível ouvir, ainda, absurdos como a "dieta do grupo sangüíneo", que sem base científica alguma retira da dieta alimentos essenciais sob a alegação de que tal grupo sangüíneo não combina com esse ou aquele alimento... Isso não procede e nunca foi estudado de maneira criteriosa.

Também é comum ouvir falar "de uma tal dieta espiritual", que tem em seu ritual toda sua força, pois consegue fazer com que o paciente cozinhe seu próprio alimento e siga um ritual rigoroso, capaz de fazê-lo emagrecer.

Há ainda "a dieta da USP", "a dieta da Lua", "a dieta do abdome" e "a dieta ortomolecular"... Todas com formulações muito empíricas e fantasiosas, repletas de falsas promessas, responsáveis pela frustração causada quando se volta ao peso anterior.

A dieta ideal é aquela que atende ao perfil diferente de cada um de nós. Deve ser balanceada, ou seja, conter todos os tipos de nutrientes em proporções muito bem estabelecidas. Essa dieta é ensinada em todas as escolas de Medicina e de Nutrição. Não tem um dono, um autor, são os resultados de um longo processo de avaliação e de várias pesquisas científicas. Mesmo assim, são muito diferentes para cada um de nós, porque somos diferentes e temos gostos e estilos de vida diferentes.

Por Citen às 13h30

23/08/2012

Quantas dietas você já fez na sua vida?

 

Talvez a melhor forma de abordar esse tema seria "quantas dietas você já tentou fazer em sua vida?" ou "há quanto tempo você desistiu de fazer dieta"? Isso porque as pessoas relacionam as dietas às fases de esperança e frustração, abstinência e desprazer. O maior entrave às dietas são os objetivos que as regem. Enquanto as pessoas resolverem fazer dietas movidas unicamente por motivos estéticos, continuarão levando adiante empreitadas malucas e de curto prazo, se comprometendo com formulações alimentares impossíveis de serem mantidas e transformando os períodos d dieta em verdadeiro suplício.

Essa forma de fazer dieta dá origem ao já conhecido "efeito sanfona", onde pequenos períodos de dieta restrita levam a perdas de peso passageiras, que nunca são mantidas. Estes períodos são caracterizados por muita restrição alimentar, onde as pessoas aguardam com ansiedade o momento de interromper a dieta para voltarem a comer o que gostam.

Quando as pessoas fazem uma dieta pensando na saúde, invariavelmente vão se alimentar bem, perder peso e alcançar indiretamente os objetivos estéticos que tanto sonham. Nesses casos, a melhor opção nutricional será uma dieta balanceada, com a preocupação voltada principalmente para uma forma de tratamento que alimente e emagreça ao mesmo tempo. Isso é possível e está ao alcance de todos, basta que as pessoas comecem a pensar mais na própria saúde como um bem precioso.

 

Por Citen às 22h07

20/08/2012

O mal da fadiga crônica

Cansaço, na maioria das vezes, é cansaço mesmo. Em alguns casos, entretanto, cansaço é doença. Doença crônica e debilitante. Sabemos que cansaço é doença quando tem duração prolongada e não obtemos alívio mesmo após sono e repouso adequados.

A medicina está caminhando lentamente na compreensão do “mal da fadiga crônica” e sabemos que muitos fatores podem atuar em sua origem, algumas vezes atuando juntos. Entre eles, o stress e a ansiedade despontam pela alta frequência, mas até aí, nada de novo, pois esses dois fatores participam da gênese da maioria das doenças crônicas.

Algumas doenças de difícil diagnóstico podem evoluir muitos anos com fadiga crônica como única manifestação. Entre elas, as doenças reumatológicas e autoimunes, que habitualmente têm um curso clínico lento e sintomas inespecíficos podem causar cansaço crônico muito tempo antes do diagnóstico. Exemplos delas,  fibromialgia, artrite reumatoide e Lupus dentre outras.

Doenças cardiológicas e pulmonares podem causar cansaço antes de qualquer outra manifestação. Podem evoluir durante muito tempo sem diagnóstico até que o quadro clínico se torne claro com a associação de outros sintomas além do cansaço.

Finalmente, distúrbios hormonais também podem evoluir com quadros de fadiga crônica e dentre eles podemos citar as doenças da glândula tireoide, principalmente o hipotireoidismo, as alterações do hormônio masculino no homem e do hormônio feminino nas mulheres.

Em virtude da natureza multifatorial da fadiga crônica, devemos afastar todas essas possibilidades antes de concluirmos que a queixa de cansaço seja apenas cansaço físico motivado pelo trabalho intensivo e pelo stress. 

Por Citen às 11h55

16/08/2012

Os entraves psíquicos da obesidade

São tão comuns as queixas psíquicas durante as consulta para tratamento da obesidade que até compreendemos bem quando alguns estudiosos no assunto tentam classificas a obesidade como doença psiquiátrica. As alegações são convincentes, uma vez que 30% dos obesos tem um comportamento alimentar compulsivo e comem sem o estímulo da fome, simplesmente por impulso.

Muitos dos nossos pacientes obesos exibem claras alterações na esfera psíquica como ansiedade e depressão, associadas à impulsividade na busca pelo alimento como acontece com o álcool, drogas, compras, sexo e jogo patológico. Além disso, eles têm em comum uma grande dificuldade na aceitação do diagnóstico da doença psiquiátrica e mais ainda da necessidade da procura de um médico psiquiatra. Preferem explicar suas dificuldades como fraqueza, desorganização, falta de força de vontade a assumir a doença.

Já está na hora de mudarmos o preconceito com relação a essas doenças. As demandas da vida moderna vêm expondo as pessoas a alto grau de stress com competitividade, metas inalcançáveis, situações hostis, cargas horárias exaustivas, exigências pessoais e familiares de toda ordem. O resultado de tudo isso vem tendo reflexos na saúde física e mental. Porque não aceitar que a saúde psíquica também possa ficar doente?

Dificilmente conseguiremos bons resultados no tratamento desses pacientes sem a abordagem adequada de sua doença. Eles não conseguem aderir a nenhum plano alimentar e não toleram nenhum medicamento do arsenal terapêutico da obesidade. Necessitam sim, do tratamento da doença de base e nesses casos, o ideal seria contarmos com a ajuda de um psiquiatra.

 

Por Citen às 10h59

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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