Blog Comer Sem Culpa

10/09/2012

Suplementos podem servir de disfarce para medicamentos

Um risco bem conhecido dos suplementos nutricionais é a sua adulteração através da adição de verdadeiros medicamentos. Os mais comuns são as drogas utilizadas no fisiculturismo como os esteroides anabólicos, os emagrecedores como a sibutramina e os medicamentos que melhoram a performance sexual.

Nos Estados Unidos, nos últimos 4 anos, foram recolhidos pelo FDA cerca de 400 suplementos adulterados além de inúmeras notificações de casos de derrame cerebral, falência renal, hepatites medicamentosas, embolia pulmonar e morte associados ao uso de suplementos adulterados.

No Brasil, nós não temos uma estatística que demonstre o fato, mas o último episódio  que ficou conhecido foi de um suplemento adulterado com sibutramina, devidamente registrado na Anvisa na categoria de alimento. Tal suplemento era importado da China e foi retirado do mercado brasileiro em dezembro de 2011.

Ironicamente¸ as pessoas que tentam fugir dos remédios optando por suplementos naturais, podem estar consumindo esses mesmos remédios de maneira camuflada e o que é pior, sem prescrição ou acompanhamento médico. Infelizmente, não podemos deixar de culpar as autoridades sanitárias e legislativas, pela permissividade com que  tratam questão tão sérias aceitando a inocente alegação de “natural” ou de alimentos. Pelo que entendemos, alimentos são muito diferentes desses suplementos que espertamente utilizam-se deles para receberem o aval e serem comercializados como naturais. 

Por Citen às 08h57

05/09/2012

Suplementos e Vitaminas – nem sempre seguros, ainda que naturais

Não são alimentos nem medicamentos. Sobre esses, as agências reguladores possuem instrumentos bem definidos de vigilância. São suplementos, o motivo crescente de preocupação por parte de médicos e serviços de saúde, pelas brechas legais que garantem seu  livre comércio e propaganda, mesmo que suas alegações sejam totalmente destituídas de comprovação científica e de segurança.

Acaba de ser publicado nos Estados Unidos, o resultado de notificações de efeitos colaterais graves e mortes, relacionados ao uso de suplementos naturais dirigidas ao FDA, a agência americana que regula alimentos e medicamentos. Essas notificações partiram de pacientes, médicos e fabricantes de suplementos, alcançando 10.300 casos nos últimos 5 anos. Dentre eles, 115 mortes, 2100 internações, 1000 lesões graves, 900 atendimentos em unidades de emergência e 4000 outros eventos médicos importantes. Desde reações alérgicas, náuseas e vômitos, até lesões graves em fígado, rins e coração foram descritos.

É bem provável, que o FDA receba um número muito maior de notificações de efeitos colaterais originados a partir de medicamentos, mas esses geralmente são utilizados em pessoas doentes, nas quais tem efeito benéfico comprovado, podendo salvar vidas. Corre-se um risco em prol de um benefício de saúde real. Infelizmente, isso não ocorre com os suplementos, utilizados geralmente por pessoas saudáveis e que a partir desse uso passam a correr riscos sem nenhum benefício definido.

O quadro deve ser muito mais alarmante do que esse publicado recentemente, pois a maioria dos casos nem chegam a serem detectados como provenientes do uso dos suplementos e outros nem chegam a ser declarados. Mesmo assim, são universais as dificuldades em se banir produtos conhecidamente perigosos do mercado de suplementos e em reconhecer a necessidade de  maior regulamentação e vigilância. Nos Estados Unidos, o FDA levou mais de uma década para banir um único suplemento, a efedrina, apesar dela ter causado milhares de efeitos colaterais e mortes. Esse produto era utilizado como um suplemento natural emagrecedor. 

Por Citen às 12h34

03/09/2012

Sementinhas da moda: o que elas podem fazer por nossa saúde?

Elas vêm causando um verdadeiro frenesi nos empórios e casas de produtos naturais. Apesar do seu alto custo, as pessoas não economizam quando o negócio promete milagres. Assim, linhaça, quinoa e recentemente a chia assumiram status de vedete nos pratos requintados dos restaurantes e nas mesas das pessoas que investem em uma alimentação saudável.

Ricas em fibras,  proteínas, micronutrientes e fontes de gorduras do bem, as sementinhas famosas prometem conciliar o emagrecimento com redução dos níveis de colesterol e combater o diabetes. Mas será que elas têm todo esse poder?  

Analisando individualmente, a chia é mesmo muito rica em fibras e isso faz muita diferença na composição de uma dieta que tem por objetivo a perda de peso. Apesar disso, essa diferença depende muito mais da composição da dieta como um todo do que de um único ingrediente. Para entendermos como isso é relativo, basta saber que uma colher de sopa de chia contem apenas  0,3g de fibras e uma dieta saudável deve conter de 25 a 30g de fibras por dia.

A linhaça, apesar de haver perdido o posto de ingrediente maior nos cardápios saudáveis para a chia, ainda tem adeptos fervorosos, e não é para menos. É altamente eficiente no tratamento dos problemas intestinais relacionados à prisão de ventre. Infelizmente, sozinha, não consegue ser útil nas dietas para emagrecer e não tem a capacidade de reduzir colesterol, como se acreditava antes.

A quinoa, por ser rica em carboidratos, obriga a suspensão de outras fontes do mesmo nutriente. Assim, quando ingerida no café da manhã, ela deve substituir os pães e nas refeições como almoço e jantar, obriga a redução do arroz ou de qualquer outra fonte de carboidratos.

Algo também especial dessas sementinhas são suas gorduras. Sabidamente saudáveis. Mas nem isso justifica a febre de consumo de um único alimento. Nenhum deles isoladamente tem tantos benefícios como apregoados para elas. Quando utilizadas na culinária como um ingrediente saboroso e saudável, muito compreensível. Quando adquirem erroneamente o status de remédio, fazem com que as pessoas esqueçam que os benefícios então na composição  da dieta como um todo e não em um único alimento.

Por Citen às 08h34

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

Histórico