Blog Comer Sem Culpa

19/09/2012

O desafio de diagnosticar o diabetes gestacional precocemente

As diretrizes para o diagnóstico do Diabetes Gestacional(DG) alcançaram um consenso que há muito tempo desafiava endocrinologistas, nutricionistas e obstetras. Nos congressos nacionais e internacionais de diabetes, a mesa que discutia o diagnóstico do DG era pautada por debates calorosos, para não dizer agressivos. Não havia um consenso e cada sociedade médica fazia valer sua opção laboratorial com curvas glicêmicas utilizado sobrecarga de glicose em quantidades variáveis e com colestas de glicemias em tempos e duração muito diferentes, as famosas “curvas glicêmicas”.

Em janeiro de 2112, a American Diabetes Association (ADA) oficializou uma nova recomendação para que o diagnóstico do DG seja mais precoce e para que a conduta terapêutica possa ser mais eficiente em evitar as complicações materno-fetais da doença. Geralmente, a glicemia da gestante começa a subir            na segunda metade da gravidez, coincidindo com a produção elevada de hormônios pela placenta, hormônios esses considerados causadores de diabetes. Devido a esse detalhe, até pouco tempo, o rastreamento do diabetes na gestação era realizado após a 24ª semana.

Com a progressiva ocorrência de obesidade, sedentarismo e aumento da idade das gestantes, o número de mulheres com diabetes na primeira metade da gestação aumentou muito. Assim, mulheres com fatores de risco para diabetes devem fazer esses exames de rastreamento na primeira consulta do pré-natal. Caso sejam normais, devem voltar a fazer exames entre a 24ª e 28ª semana de gestação.

Os fatores de risco para diabetes são: sedentarismo, diabetes em parente de primeiro grau da gestante, exames laboratoriais alterados como HDL colesterol < 35mg/dL e triglicérides > 250mg/dL, pressão arterial > 140x90mmHg, antecedentes de DG em outras gestações ou parto de bebê com mais de 4kg, ovários policísticos, antecedentes de doença cardiovascular, antecedentes de exames glicêmicos alterados como glicemia de jejum e hemoglobina glicosilada e sinais de resistência à ação da insulina como manchas em axilas e pescoço chamadas acantose nigricans.

O fato importante é que a detecção precoce do DG pode, na maioria das gestantes,  ser corrigida com dieta, sem necessidade de uso de insulina. Além disso, a correção precoce  das alterações do excesso de glicose no sangue das gestantes pode prevenir complicações no bebê. Por isso, fica definido que mulheres com algum dos fatores de risco descritos devem ser investigadas já na primeira consulta pré-natal. 

Por Citen às 09h10

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

Histórico