Blog Comer Sem Culpa

10/10/2012

Em busca da cura do diabetes – células-tronco não embrionárias

Acaba de ser anunciado o Prêmio Nobel de Medicina 2012 e os pesquisadores agraciados foram o britânico John B. Gurdon e japonês Shinya Yamanaka, que trabalharam separadamente sobre o mesmo tema. A transformação de células adultas em células com capacidade de diferenciação.

Eles conseguiram o feito através da adição de alguns genes a células adultas, que se transformaram em células-tronco com potencial de se diferenciar e todos os tipos celulares. Passaram a se comportar como células-tronco embrionárias. As vantagens que antevemos do fato são imensas, uma vez que a terapia com células tronco poderá ser implementada sem a manipulação de embriões, poderá ser realizada com células adultas do próprio paciente, ou seja, com o seu próprio DNA, minimizando rejeições. Finalmente, o processo poderá se transformar em fonte inesgotável de células com capacidade de regenerarem órgãos lesados em uma infinidade de doenças crônicas. Dentre elas, o diabetes.

Isso significa que poderemos gerar células produtoras de insulina, as famosas células beta do pâncreas, em grande quantidade, sem lançar mão das polêmicas células dos embriões.  A partir daí, essas células poderão ser usadas na reparação do pâncreas em todos os estágios da evolução do diabetes. Essa boa notícia chega até nós  90 anos após o Prêmio Nobel ser oferecido ao Dr Best e ao acadêmico de medicina Banting pela descoberta da insulina em 1922. Desde então, apesar de contarmos com o hormônio para o tratamento do diabetes, temos enfrentado muita dificuldade em utilizá-lo adequadamente.

Tudo leva a crer, que estamos caminhando para a cura do diabetes e ao que parece, ela será uma realidade que nossa geração poderá presenciar! Não é ficção científica. É pura Ciência!

Por Citen às 08h17

08/10/2012

É ansiedade e não fome de verdade

 

"Eu não me lembro da última vez que eu senti fome, mas quando a vontade de comer aparece, eu tenho que parar em qualquer lugar para comer. Eu não posso com ela.”

Essa afirmação é cada dia mais comum em nossos consultórios. A ansiedade e seus reflexos no comportamento alimentar. A doença das novas gerações, gerações que comem sob o estímulo da ansiedade e não da fome real.

Nesses casos, torna-se imprescindível o tratamento da ansiedade que gera compulsão, pois nenhuma orientação alimentar ou tentativa de mudança de estilo de vida tem êxito quando a busca pelo alimento foge da fisiologia e invade o campo nebuloso da psicopatologia.

Muitas dessas pessoas fazem refeições perfeitas, algumas delas até comem pouco. O impulso que leva à busca pelo alimento ainda não é bem compreendido, mas desafia a nossa compreensão das múltiplas influências que podem interferir no comportamento alimentar.

A nossa estatística é concordante com a literatura. Trinta por cento dos nossos pacientes obesos comem dessa forma. Compulsivamente. Independente de fome ou saciedade. Não se trata de transtornos alimentares clássicos como anorexia nervosa ou bulimia, embora alguns deles preencham os critérios desses quadros psiquiátricos. Mesmo assim, precisamos lançar mão de terapias e algumas vezes de medicamentos, que aliviem os sintomas ansiosos para que possamos tratar a obesidade. 

 

Por Citen às 14h53

03/10/2012

Dieta e exercícios são mais eficientes quando associados

Estamos presenciando uma visão distorcida dos tratamentos para perder peso. Orientações que muitas vezes dão a impressão que o princípio fundamental para o emagrecimento seria a prática regular e intensiva de atividade física, deixando a dieta em segundo plano. Outras vezes, nem ao menos sendo abordada.

A nossa experiência no tratamento da obesidade não nos deixa dúvidas de que podemos emagrecer sem ginástica, mas não sem dieta adequada. É bem claro que a ginástica pode facilitar um programa de emagrecimento, pois torna possível uma dieta mais generosa e flexível. Mas para aqueles, que se veem impossibilitados da prática de exercícios, a dieta pode perfeitamente alcançar esses objetivos sozinha.

Por outro lado, vemos muitos pacientes, engajados em atividade física regular e bem orientada,  que não perdem peso, ou até ganham. E nem sempre se trata de massa muscular, como tentam explicar o ganho de peso. Isso ocorre porque valorizam a ginástica e não se atêm à alimentação. A maioria é jovem e já contam com um gasto calórico basal satisfatório, sendo que estão acima do peso muito mais pelo que comem, do que pelo que deixam de se exercitar.

Com o aumento assustador dos casos de obesidade no mundo, não temos dúvidas a cerca do papel do sedentarismo e do crescente consumo calórico das novas gerações. O risco que vemos é a supervalorização da atividade física e negligência nas questões da dieta. Dessa forma, dificilmente conseguiremos deter a escalada da obesidade no mundo e pessoas que continuam desconhecimento o papel da alimentação como determinante real do seu peso e da sua saúde. 

Por Citen às 08h18

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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