Blog Comer Sem Culpa

29/11/2012

As influências alimentares na ocorrência do Câncer

 

No dia 27 de novembro comemoramos o dia nacional de combate ao câncer. A nossa compreensão das implicações alimentares sobre a ocorrência dos diferentes tipos de cânceres vêm de pesquisas baseados em inquéritos populacionais e as principais evidências  são as seguintes:

(a)   Álcool (mais que 30g/dia) e câncer de fígado e de praticamente todo o trato gastrintestinal (boca, laringe, faringe, esôfago e intestino).

(b)   Alimentos muito quentes como certos tipos de chás como o mate utilizado nos estados do sul do Brasil e câncer de boca, orofaringe e esôfago.

(c)   Sal em excesso  (mais que 6 gramas/dia) e câncer gástrico.

(d)  A contaminação microbiana de alimentos continua sendo um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. No caso do câncer, a contaminação de cereais e grãos  por toxinas produzidas por fungos, as aflatoxinas, pode ocorrer quando esses alimentos são estocados  por períodos longos em temperaturas quentes e está relacionada à maior incidência do câncer de fígado.

(e)   Carne vermelha em excesso, principalmente as carnes processadas como as linguiças, charque e hambúrgueres e câncer do estômago e intestino. As carnes processadas são conservadas com produtos químicos, os  nitritos e nitratos. Uma vez ingeridas, essas substâncias são transformadas em nitrosaminas, substâncias conhecias pelo seu poder de causar mutações celulares que predispõem ao câncer.  A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que a ingestão de carne (excluindo frango e peixe) não ultrapasse 300 g por semana ou dois bifes grandes.

 

 

 

Por Citen às 12h32

27/11/2012

Obesidade e câncer: uma associação comprovada

O número assustador de obesos já ultrapassou, há muito tempo, os 800 milhões de desnutridos espalhados pelo mundo. A obesidade é atualmente reconhecida como o principal fator de risco para a ocorrência da maioria das doenças da humanidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em todo o mundo, mais de 250 milhões pessoas são obesas e esse número chegará a 300 milhões, em 2025.

Sabemos muito sobre as conseqüências deletérias da obesidade. Sabemos das suas influências na mortalidade cardiovascular, na incidência de diabetes, nos distúrbios do sono, nas doenças degenerativas das articulações e  das graves distorções psicológicas que a obesidade vai causando progressivamente nas pessoas. Mas a obesidade alcança proporções ainda mais sombrias, uma vez que diversos trabalhos científicos vêm relacionando a maior incidência do aparecimento de câncer entre as pessoas obesas, alertando-nos sobre a possibilidade da obesidade ser um possível fator causal ou predisponente para a ocorrência de doenças malignas.

A obesidade produz um ambiente propício ao câncer ginecológico. Na mulher obesa, há excesso de hormônio feminino em relação às mulheres de peso normal, hormônio esse proveniente das células gordurosas, que pode influenciar no surgimento do câncer nos tecidos responsivos a esses hormônios, como é o caso da mama, do ovário e do útero.

Os resultados dos estudos com relação ao câncer de próstata ainda são muito conflitantes. Muitos deles não demonstram uma maior incidência desse tipo de câncer entre os homens com sobrepeso ou obesidade. Mas já sabemos que a obesidade pode promover o desenvolvimento de formas mais agressivas de câncer de próstata, com maiores chances de recorrência da doença após o tratamento primário, além de maiores taxas de mortalidade pela doença.

A obesidade pode estar associada a um maior risco de câncer colorretal  em relação às pessoas com peso normal, na ordem de 30 a 60%. Esse tipo de câncer é o terceiro mais freqüente nos Estados Unidos e a segunda causa de morte por câncer naquele país. Após o reconhecimento da sua alta incidência, foram ampliadas as recomendações de prevenção através da pesquisa de sangue nas fezes ou por métodos endoscópicos do intestino.

Apesar de encontrarmos alterações da obesidade que por si só podem explicar a maior associação de pessoas obesas com vários tipos de câncer, outros fatores podem estar associados à obesidade e que podem contribuir para aumentar a força de tal associação. Esses fatores geralmente associados à obesidade são dietas inadequadas e o sedentarismo, que pioram a qualidade de vida das pessoas e propiciam o surgimento das doenças malignas.

Esses fatores associados fazem da obesidade um marcador de doença muito importante, que prenunciam o surgimento do câncer, só superada pelo tabagismo, em número de casos acometidos no mundo. Com uma diferença: ações governamentais agressivas vêm sendo implementadas contra o tabaco, ao passo que a obesidade ainda é vista como um problema estético pela maioria das pessoas e governantes. 

Por Citen às 18h05

26/11/2012

Você conhece alguma atitude eficaz para retardar o envelhecimento?

O Conselho Federal de Medicina aprovou recentemente uma importante resolução proibindo os médicos brasileiros de prescreverem terapias antienvelhecimento. Essa resolução baseou-se no fato de que não há evidências da eficácia de  tais tratamentos, além do fato de que eles podem ser deletérios à saúde das pessoas. Essa resolução veio ampliar outra medida aprovada em 2011, que alertava para a ineficácia das práticas ortomoleculares com o objetivo de retardar o envelhecimento. Então minha gente, sabemos que repor hormônios e doses extras de vitaminas não vão ajudar em nada no quesito juventude ou  envelhecer saudável.

Mas todos nós temos uma receitinha secreta  para a juventude e nós médicos também  temos  a nossa. Receitamos  Saúde para rejuvenescer. Sim senhores! Saúde melhora nossa pele, nosso cabelo, nossos ossos e nossa musculatura. Principalmente nosso coração! Então, porque buscar em práticas excêntricas, milagrosas e enganosas o que temos ao nosso alcance através da boa alimentação, da prática de atividade física regular, da abolição do fumo e de menos álcool. Tais medidas são sabidamente eficazes e só requerem nossa disposição para mudar estilo de vida para que possamos viver mais e melhor.

Outra atitude sabidamente eficaz à saúde e, portanto, à longevidade é a redução dos níveis de stress em nossa vida. Apesar de um pouco mais complexo, nós podemos e devemos investir também nessa esfera, buscando equilíbrio, organização de nossa vida pessoal, sono adequado e lazer. São objetivos a serem alcançados e seguramente importantes na determinação de nossa expectativa e qualidade de vida. E você, o que vem fazendo para alcançar uma vida longa e saudável? Tem alguma receitinha infalível? 

Por Citen às 08h18

22/11/2012

Perdi peso e ainda não cheguei ao peso ideal


Muitas pessoas afirmam que conseguem reduzir o peso facilmente no início do regime e  quando alcançam um determinado peso elas simplesmente “empacam” e não perdem mais. “Sempre que chego a esse peso eu não perco mais.”

Na verdade, fazer regime é um exercício duro de ser implementado. Exige estratégias possíveis de serem realizadas, resitência para vencer o cansaço, criatividade para vencer a monotonia e até uma certa dose de teimosia. É uma guerra!

Muitas vezes, ao alcançar uma perda variável de peso a pessoa simplemente para de perder e isso pode acontecer por vários fatores. À medida que perdemos peso, a nossa queima calórica vai reduzindo, como uma forma do nosso corpo se proteger das nossas restrições e com isso, muitas vezes a dieta que inicialmente fazia efeito, passa a não fazer mais. Mas o fator mais importante em empacar os regimes é mesmo o cansaço da dieta. As pessoas passam a ser mais condescendentes, menos rigorosos com a dieta e mais permissivos com a quantidade e com tipos de alimentos antes muito bem regulados. Para dificultar ainda mais a dieta, o peso, embora ainda não ideal,  já não está tão fora do normal e ainda ouvimos comentários de que estamos ótimos. Isso mina a nossa resitência e dificulta a continuidade do regime.

Como ainda não chegamos ao peso ideal, a manutenção também é praticamente impossível, pois não temos pique para manter um peso que ainda não é o nosso ideal. Nesse estágio pode ocorrer o pior, voltamos a engordar! Afastando de vez a possibilidade do nosso regime dar certo. Oefeito sanfona prevalece até que tenhamos novo ânimo para recomeçar um novo ciclo. 

Por Citen às 15h23

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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