Blog Comer Sem Culpa

10/01/2013

As nuances da dor no diabetes

A pior característica do diabetes é sua evolução silenciosa. Milhares de brasileiros têm a doença e não sabem por conta dessa peculiaridade. Não sentem nada e a doença evolui.  Quando observamos que os diabéticos chegam a ter um infarto sem dor, nós podemos entender o quanto essa doença pode ser sorrateira. Talvez se fosse diferente e o sintoma doloroso dominasse o quadro da doença, as pessoas buscariam um tratamento precoce e não deixariam que a doença evoluísse com suas complicações irreversíveis.

Com os anos de doença a dor aparece. Principalmente nas pernas e pés. Agulhadas, formigamentos, queimação, principalmente à noite, comprometendo o sono. Finalmente o diabetes passa a doer e nesse momento, nós já perdemos muito tempo para que o tratamento seja eficaz. Recorremos a analgésicos poderosos e apesar deles, muitas vezes a dor continua, intensa e lancinante.

Essa dor é realmente muito estranha, pois não é causada por nenhuma lesão aparente. Não há feridas, cortes ou queimaduras. As lesões são microscópicas e comprometem os pequenos nervos das pernas e dos pés. Os nervos lesados doem. Por outro lado¸ quando há uma lesão externa real, não há dor. Assim, muitas vezes, o diabético pisa descalço em um cigarro aceso ou em um prego e continua andando normalmente. Essa lesão ele não sente.

Por conhecer essa face do diabetes é que insistimos tanto na prevenção da doença, tratando o pré-diabético; reforçamos a necessidade do diagnóstico precoce do diabetes e tratamos intensivamente a doença desde o início. Não existe diabetes leve. Todos são traiçoeiros e silenciosos, até a falta de dor no final da doença.

Quando falhamos em todas essas etapas, resta-nos lutar para salvar os pés diabéticos e evitar as amputações. Esses pés precisam de calçados especiais, precisam ser observados todos os dias, pois no final não haverá o aviso doloroso, só o silêncio de pés inertes. 

Por Citen às 16h00

07/01/2013

Por que parou? Parou por quê?

 

Abandonar dietas, mesmo as mais bem sucedidas, é uma atitude muito comum e todo início de ano parece estimular as pessoas a recomeçar. Mas esse enigma precisa ser decifrado, para que essa nova tentativa fuja dessa regra e seja vitoriosa. Por que parou? Principalmente aquelas pessoas que vinham emagrecendo muito bem e nos dava a impressão de que havia encontrado a saída.

Dietas monótonas são armadilhas, pois parecem fáceis, não requerem empenho em grandes mudanças,  a curto prazo surtem efeito, mas a longo prazo não há quem as tolere. A opção a elas são dietas mais versáteis, mas requerem disponibilidade e conhecimento nutricional. A curto prazo, são mais difíceis de serem implementadas, mas quando postas em prática passam a fazer parte do estilo de vida das pessoas. Em 2013, vamos elaborar dietas assim.

Dietas menos calóricas tendem a reduzir drasticamente o sabor dos alimentos causando perda de peso que estimula a primeira fase de uma dieta. A curto prazo, parecem resolver o problema, pois além de menos calóricas,  essas dietas são destituídas do sabor que nos faz comer mais. Infelizmente, não conseguimos continuar comendo dessa maneira e a longo prazo o sabor é fundamental. Elaborar dietas saborosas e pouco calóricas é um desafio para qualquer cozinheiro habilidoso, inclusive para os chefes de cozinha! Em 2013, precisamos melhorar nosso conhecimento na arte de cozinhar.

Dietas desorganizadas revelam nossa própria desorganização. A rotina, muitas vezes vista como uma chatice, pode ser uma aliada em nossa decisão de seguir um cardápio. Organização e rotina não devem ser vistas como monotonia e sim como uma chance de manter uma dieta programada para dar certo. Como todos os nossos projetos para o Ano Novo, uma dieta deve contar com estratégias para dar certo. Em 2013, vamos tentar ser mais organizados em nossa programação alimentar!

Dietas de revistas e de amigos,  dietas prontas nas gavetas, dietas de moda e até aquelas que aparecem com uma aura de respaldo científico mas são “marca multidão”, não podem dar certo a longo prazo. Não respeitam a individualidade do gosto e das preferências alimentares de cada um. Não têm compromisso com a continuidade. A longo prazo, só conseguiremos manter uma dieta que considere nossa rotina, nossa disponibilidade e nosso gosto alimentar. Em 2013, vamos tentar fugir dos modismos e da generalização dos cardápios. Vamos investir em uma dieta só nossa!

 

Por Citen às 09h49

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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