Blog Comer Sem Culpa

23/01/2013

Atitudes eficientes para emagrecer

As reações naturais das pessoas que tentam perder peso são todas voltadas à introdução de suplementos ou alimentos para acelerar o emagrecimento. Daí vale tudo, sem o menor juízo crítico. Sementinhas, chás, farelos, rações, cápsulas e shakes, chegando ao cúmulo de se usar óleos para emagrecer.  Outros encaram atividade física exaustiva, jejuns prolongados, omitem o jantar, suspendem os carboidratos e nem por um minuto se questionam como estão se alimentando. Aliás, a maioria dos nossos pacientes, não identifica nenhum erro alimentar quando questionados em sua primeira consulta. Todos comem corretamente...

De fato, é muito mais difícil reconhecer os erros alimentares, do que tomar atitudes simples de adicionar pequenos itens ao cotidiano. Aliás, muitos desses erros  não são nem conhecidos como tal e tornam praticamente impossível  algum resultado favorável de uma dieta. Além do mais, a mídia promove uma verdadeira avalanche de novas possibilidades emagrecedoras que garantem emagrecimento fácil e retiram ainda mais a responsabilidade pessoal no controle do peso.

Há muito o que fazer para promover perda de peso eficiente e duradoura, sem radicalismos. Inicialmente devemos começar com a redução do açúcar. Ele está presente na maioria dos produtos industrializados e nos inúmeros cafezinhos do dia a dia. Passando pelos sucos com carinha inocente estampando frutas coloridas e saudáveis. Até o doce e o chocolate que é uma unanimidade. Podemos tomar café com adoçante ou optar por diminuir as xícaras do dia. Substituir os sucos por suas versões lights. Reduzir o doce para uma ou duas vezes por semana.

Atitudes semelhantes podem ser tomadas com os laticínios, ao optar pelo leite desnatado, ou semidesnatado. Por redução das carnes, das bebidas alcoólicas, da quantidade de óleo no preparo dos alimentos. E já que estamos falando em atitudes eficientes, precisamos repensar na possibilidade de prepararmos algum alimento. Não estamos falando em voltar para a cozinha e sim em assumirmos nossa responsabilidade naquilo que comemos. Em reduzir comidas prontas e industrializadas. Podemos até comer pão no jantar, mas para que tenhamos saciedade, é preciso adicionar uma proteína como um bife. Não vale presunto e queijo.

Acima de tudo, precisamos de boa vontade. De disposição em mudar hábitos. De uma melhor administração do tempo, para que algum possa ser investido na programação, compra e preparo dos alimentos. São atitudes difíceis de implementação, mas eficientes. Podem mudar para sempre os hábitos pessoais e familiares, enquanto que o resto pode ser muito simples e fácil, mas ilusório.

Por Citen às 10h00

18/01/2013

A busca frenética por hormônios

A recente entrevista de Lance Armostrong, admitindo uso de vários hormônios e substâncias proibidas para aumentar seu rendimento no ciclismo e garantir suas sete vitórias no circuito da França é apenas a ponta do iceberg. O que vemos no dia a dia, no atendimento de adolescentes e idosos, homens e mulheres, é a idealização crescente de um corpo perfeito a qualquer custo.

Todos os dias, nós médicos e nutricionistas enfrentamos um árduo trabalho de convencimento, muitas vezes sem efeito, no sentido de conscientizar nossos pacientes do erro e dos riscos de usarem hormônios quando os exames não evidenciam a falta dos mesmos. Repor hormônios em casos de deficiência é uma prática médica correta e embasada em consensos médicos internacionais. Suplementar hormônios além do normal, sem necessidade  médica, é prática ilegal da medicina e absolutamente irresponsável e sem compromissos com a saúde das pessoas.

A testosterona é mesmo incrível em seus efeitos no aumento da massa muscular, na perda de gordura, na disposição geral e no desempenho físico. Os problemas com ela começam com o fato de que seu uso geralmente é prolongado, pois todos esses efeitos maravilhosos desaparecem com a interrupção do uso. Para mantê-la por tempo prolongado, paga-se caro em termos financeiros, mas principalmente em saúde. O primeiro custo a pagar é o excesso de hormônios femininos gerados a partir da testosterona, sua via normal de degradação. Os usuários masculinos podem apresentar aumento das mamas, disfunção erétil e câncer. Nas mulheres, a virilização com aumento de pelos, alterações na voz, queda de cabelos e alterações menstruais é a regra.  Além disso, os usuários são propensos a doenças do fígado e alterações de comportamento como agressividade.

O Hormônio de Crescimento (GH) é também fenomenal. Aumenta a queima de gorduras, melhora a massa muscular e a força, com benefícios na disposição e energia corporal. Infelizmente¸ a dose  para atingir tais efeitos é também elevada e se limita ao tempo de uso. Os riscos não são menores que os benefícios, pois  o GH está envolvido nas causas de vários tipos de câncer, no diabetes e doenças articulares. Os seus efeitos no crescimento das células são comprovadamente deletérios quando os níveis hormonais ultrapassam a normalidade e o diabetes aparece em todos ao pacientes com as doenças associadas ao excesso de GH.

Há muitas outras substâncias e procedimentos sendo usados de maneira ilícita, desconhecidos até da comunidade científica, na busca por esse ideal de melhora física e mental. Nas palavras do próprio Lance, o que se consegue são carreiras de mentira. Mas vamos além, são corpos de mentira, dependentes física e psiquicamente de substâncias que distorcem sua autoimagem e não permitem, nunca mais, que eles se vejam normais, num corpo normal, sem o excesso hormonal de antes. 

Por Citen às 09h53

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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