Blog Comer Sem Culpa

06/02/2013

Dessa vez a Anvisa acertou, embora um pouco tarde!

Dessa vez a Anvisa tomou uma decisão aguardada há muito tempo pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM) e pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO), entidades que reúnem os especialistas no assunto. Proibiu a produção, importação e comercialização do insumo ativo Tiratricol, um componente sintético que imita a ação dos hormônios tireoideanos. Há 20 anos os endocrinologistas alertam para o risco desses produtos quando usados inadequadamente para emagrecer. Esse componente aparece em vários produtos como Triac, Trimag, Redulip dentre outros.

Há muito sabemos do poder metabólico dos hormônios produzidos pela glândula tireoide. Observamos os pacientes com doenças que acarretam excessiva produção desses hormônios e eles são em sua grande maioria magros, algumas vezes muito magros! Isso nos levou a pensar inicialmente, que esses hormônios poderiam ser usados no tratamento da obesidade. Infelizmente, logo pudemos constatar que esses hormônios causam perda de massa magra ao invés de gordura e entenda-se massa magra como músculos e ossos. Ou seja, esses hormônios causam perda de massa muscular e de cálcio dos ossos, o que pode até resultar em perda de peso, mas não é nada disso que buscamos. Além da perda de massa magra, os hormônios tireoideanos e seus derivados causam um quadro de aceleramento do coração com palpitações, tremores e insônia semelhante à doença chamada hipertireoidismo.

A agência reguladora brasileira considerou agora, 20 anos após o uso indiscriminado desse produto, que ele deveria ser suspenso por não apresentar segurança à saúde humana. Antes tarde do que nunca. 

Por Citen às 08h17

04/02/2013

Mais uma derrota na luta contra a obesidade

No final de Janeiro de 2013 o governador do Estado de São Paulo vetou o Projeto de Lei PL 193/2008, que propõe a restrição da publicidade de alimentos não saudáveis às crianças entre 6 e 21 horas nas rádios e TVs. Perdemos mais uma batalha, pois nesse contexto, ações isoladas de educação das famílias são muito pouco efetivas. Impossível convencer crianças e adolescentes de que seus salgadinhos e refrigerantes  favoritos,  veiculados em horário nobre na TV, travestidos em super heróis,  poderiam causar algum dano à saúde.

Com os pais, já perdemos a oportunidade de prevenção da obesidade. A geração que atualmente se encontra por volta dos 30 anos e que tem filhos pequenos, adora salgadinhos com refrigerantes, mesmo sem super heróis.  Dessa forma, são incapazes de influenciar positivamente o hábito dos seus filhos, seduzidos pelos comerciais recheados de guloseimas ricas em gordura, açúcar e sal. Comer frutas, verduras e legumes, só se ensina quando se pratica.

A geração das nossas crianças poderia ser a primeira a ensinar com juízo de causa seus filhos, pois teriam a oportunidade de formar bons hábitos na primeira infância, sem a influência danosa de uma publicidade que seduz pelo paladar. Individualmente, muito pouco podemos fazer por essas crianças e somente o poder público e ações governamentais poderiam tornar mais amplas e abrangentes a proteção de seus futuros cidadãos.

Os números assustadores da obesidade infantil no Brasil não foram suficientes para sensibilizar nossas autoridades; o diabetes tipo 2, que sempre foi doença de adulto e agora avança sobre nossas crianças, não pesou na sua decisão; a redução da expectativa de vida dessas crianças obesas também em nada  influenciou no veto ao PL. Continuamos com o nosso trabalho de orientação individual e com a sensação de que nos falta uma parceria poderosa e  compromissada com a saúde das crianças, capaz de enfrentar o poderio da indústria de alimentos. 

Por Citen às 08h38

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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