Blog Comer Sem Culpa

25/02/2013

A ilusão dos exercícios físicos na busca do peso ideal

A recente onda de atividade física em detrimento de uma  dieta ideal reacende uma polêmica antiga a cerca da possibilidade de perder e manter peso sem modificar os hábitos alimentares. Realmente, seria muito bom para ser verdade de acordo com o dito popular. A realidade é bem outra e o que ocorre atualmente são jovens que já contando com uma alta queima metabólica natural da idade passam a malhar para comer mais, desvirtuando totalmente a ideia da atividade física saudável.

Os exercícios físicos têm sem dúvida o seu papel na perda de peso, mas sua maior participação no processo se dá pelo efeito disciplinador que eles desempenham em nossas vidas. Quando praticamos atividade física, nos tornamos mais atentos ao nosso alimento, passamos a respeitar os horários, cuidar melhor da qualidade do sono e nos engajamos em várias outras atividades promotoras de saúde. A queima calórica acessória, causada pela atividade física, embora útil no processo de perda de peso, não é determinante da mesma.

Quando o objetivo é perder peso, o ideal é partir para as duas frentes, comer menos e exercitar mais. Entretanto, na correria moderna, onde mal temos tempo para comer, a melhor opção, quando temos que escolher, é cuidar da alimentação de maneira adequada à perda de peso. Não abandonar a ideia de alcançar o peso ideal apesar da impossibilidade de fazer ginástica. Não levantar às 5 horas, não deixar de almoçar e não dormir de madrugada para malhar nos horários quando a prioridade é se alimentar e dormir.

A saída para o impasse da impossibilidade de fazer os dois: dieta e ginástica, é sem dúvida a opção por fazer dieta. O erro é o desvirtuamento do termo. Quando dizemos dieta,  não estamos optando por restrições absurdas, modismos inadequados, alimentação monótona e sem graça. Quando falamos dieta e esse termo precisa ser resgatado ao seu significado original, estamos propondo uma forma de viver bem e ser feliz, uma forma responsável de buscar saúde e prazer no que comemos. Isso é possível e precisa ser compreendido antes de ser rechaçado. 

Por Citen às 10h58

20/02/2013

O uso ilegal dos emagrecedores

Em dezembro de 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu em todo o território nacional, a fabricação, manipulação, prescrição e consumo de três emagrecedores dos mais eficazes no tratamento da obesidade: a anfepramona, o femproporex e o mazindol. Desde então, um grande número de pacientes ficou privado da possibilidade terapêutica representada por esses medicamentos, o que vem causando recuperação do peso perdido sem nenhuma outra opção de tratamento no mercado.

Apesar da proibição, observamos que vários pacientes revelam em suas consultas que têm acesso a esses medicamentos de maneira ilegal e continuam consumindo tais drogas sem nenhuma prescrição ou acompanhamento médico. Como isso ocorre, nós desconhecemos. Os trâmites da ilegalidade deixam-nos sempre perplexas e sem atitude frente ao paciente. Que argumentos usar para dissuadi-lo? Que é ilegal? Ele sabe! Que é arriscado tomar remédios sem prescrição médica? Ele não tem saída, pois quando nos pergunta que opções teríamos para o seu tratamento, nossas alternativas são menos eficazes. Nós até tentamos convencê-lo, mas raramente conseguimos. Fogem dos médicos e usam seus remédios sem acompanhamento.

Enquanto os Estados Unidos acaba de aprovar um medicamento com princípio ativo semelhante aos proibidos recentemente no Brasil, por aqui eles parecem voltar de forma clandestina. Isso expressa a face amadora da legislação que rege o uso de medicamentos no Brasil. A proibição que tenta demonstrar rigor e seriedade nesse processo, não se sustenta em grandes centros como São Paulo e se torna até muito mais evidentes no interior e pequenas cidades, onde a fiscalização é ainda mais precária.

O alerta anterior era do uso indiscriminado de medicamentos emagrecedores sob prescrição médica. O que observamos atualmente  é o uso desses mesmos medicamentos sem nenhum critério médico. Se a vigilância do uso era impossível antes da nova lei, o controle da proibição tem sido da mesma forma ineficiente e a Anvisa deve assumir seu papel nesse contexto. 

Por Citen às 09h47

18/02/2013

Evitar o desperdício de alimentos: Uma tarefa de todos

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) um terço da produção mundial de alimentos é desperdiçado, desde o plantio, passando pela comercialização até consumo. São 630 a 670 toneladas de alimentos que vão para o lixo anualmente. No Brasil, 35% da produção agrícola “fica pelo caminho”.  Entre os consumidores europeus e americanos, cada pessoa desperdiça cerca de 95 a 115 quilos de alimentos por ano.

Por trás desse desperdício estão o espírito consumista de aproveitar promoções e comprar mais do que se pode comer ou então  a prática de restaurantes oferecerem comida à vontade ou rodízios a preço fixo. Finalmente, a falta de planejamento familiar do cardápio contribui com a compra excessiva de alimentos que acabam esquecidos na geladeira, perdem a validade e são jogados fora.

Cabe a cada um de nós, ações no sentido de evitar o desperdício, uma vez que perdemos também recursos naturais, força de trabalho e investimento financeiro juntamente com os alimentos que vão para o lixo. Sem falar nos benefícios para saúde que alcançamos quando compramos e comemos de maneira planejada e não pelo impulso.

Para simplificar atitudes eficientes nesse contexto, basta que cuidemos do jantar em casa. Essa é praticamente a única refeição regular das residências das grandes cidades e pode ser facilmente planejada e executada sem desperdício. Para começar, uma lousa na cozinha, com a descrição de cinco refeições básicas da semana pode ser o primeiro passo para uma nova organização de uma cozinha moderna. Esse cardápio passa a gerar uma lista de compras bem definida e fundamental para evitar o desperdício.

Além do benefício à economia doméstica, programar o jantar torna-se uma atitude moderna e engajada de pessoas preocupadas não somente com a saúde da família, como também com as questões sociais de um mundo que contará em 2050 com 9 bilhões de habitantes. 

 

Por Citen às 10h48

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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