Blog Comer Sem Culpa

14/03/2013

Por que choram nossos pacientes?

Não são poucos os pacientes obesos que choram durante a consulta. As causas são variadas e englobam constrangimento, tristeza, decepção, mas principalmente impotência frente à incapacidade de conter o impulso de comer. Trata-se de um padrão alimentar muito comum na população em geral, onde 30% comem compulsivamente; mais comum ainda entre os obesos e grande obesos onde as taxas alcançam 50 e 70% respectivamente.

Nem sempre comemos por fome e isso é perfeitamente normal. Pode ocorrer quando nos deparamos com aquela sobremesa deliciosa, um bolo trazido por uma colega de trabalho ou o chocolate dos nossos sonhos que compramos displicentemente na lanchonete após o cafezinho. O problema passa a ocorrer quando essa guloseima ganha mais e mais espaço em nosso dia. Pensamos nela o tempo todo, trocamos o almoço por ela, comemos várias vezes ao dia ou simplesmente dobramos ou triplicamos a porção. Em situações de stress, sentimos que não suportamos enfrentar nossos embates sem comer e usamos esse alimento como um calmante ou uma compensação.

Para que um comportamento alimentar seja reconhecido como alterado, ele precisa ser repetitivo, interferir no cotidiano das pessoas, gerar frustração e culpa. Nesse caso, temos um quadro de compulsão alimentar de graus variáveis e que requer abordagens que vão desde uma reorganização das refeições, passando por aconselhamento psicológico e psiquiátrico e até o uso de medicamentos específicos para o transtorno.

A simples compreensão do problema melhora a frustração do paciente ao entender que não se trata de desvio de conduta, que sua incapacidade de conter o impulso é um transtorno que pode e deve ser tratado com acolhimento, respeito e muita tolerância. Dessa forma, o choro dá lugar à confiança que se traduz em um enfrentamento mais otimista da compulsão alimentar.

 

Por Citen às 11h19

11/03/2013

O junk food com cara de alimento saudável

 

Vocês sabiam que a publicidade de alimentos industrializados vem “otimizando” produtos conhecidamente prejudiciais e transformando-os em ícones de saúde? Mudam as cores de suas marcas, com preferência sempre é pelo verde; usam de argumentos apelativos como a redução de um item deletério, sem revelar o aumento de outros de igual risco; alegam a inexistência de ingredientes que naturalmente já não faziam parte do alimento e utilizam de suplementação de vitaminas e fibras em alimentos nada saudáveis. Tudo isso para quebrar sua resistência e convencê-lo a consumir.

Há milhares de profissionais, formado nas melhores universidades, contratados pela indústria de alimentos para conseguir nos convencer que uma determinada água é melhor por não conter sódio, que um certo óleo vegetal é superior por não ter colesterol, que refrigerante vitaminado faz bem, que bebidas de soja não boas por não conterem lactose, que um bolo industrializado é saudável por não conter gordura trans, que cookies são legais por serem ricos em fibras. A propósito, a água já não contém sódio, nenhum óleo vegetal contém colesterol, refrigerantes fazem mal com ou sem vitaminas, lactose só é encontrada nos leites de animais e laticínios, ao retirar a gordura trans, a indústria têm aumentado a gordura saturada dos bolos e os cookies são ricos em gordura e calorias com ou sem fibras.

Com toda essa estratégia de marketing, a maioria das pessoas cai nesses contos do vigário e leva gato por lebre. Um exemplo recente dessa otimização de uma marca foi a introdução do Wrap do Mc Donald em seu cardápio como uma opção saudável. Ele consegue ser pior do que o mais famoso sanduiche da marca. Como assim? Veja os dados na tabela abaixo.

Nutrientes

Big Mac

Wrap Grill Mostarda

Calorias

491kcal

511kcal

Carboidrato

40g

41g

Proteína

26g

36g

Gorduras Totais

26g

23g

Gotduras Saturadas

13g

7,2g

Gordura trans

1,1g

0,2g

Colesterol

60mg

85mg

Fibras

3,8g

2,5g

Sódio

813mg

1577mg

  

Todas as informações foram retiradas do site da rede de fast food, acessada no dia 11/03/2013. 

 

Por Citen às 13h34

07/03/2013

Contra as pressões publicitárias para o consumo de alimentos

A epidemia de obesidade e diabetes na criança tem levantado questões básicas. Qual seria a responsabilidade dos governos e sociedade civil no sentido de conter a publicidade de alimentos ultraprocessados voltada para esse público infantil? A propaganda avançou muito além da TV, alcançou a internet, toda a mídia social e agora os telefones celulares. São hambúrgueres nas primeiras páginas dos aplicativos, destaques no Facebook, além das propagandas românticas e maravilhosas dos refrigerantes veiculadas nos transportes coletivos, salas de cinema e até em elevadores.

Proibir é sempre preocupante, quando o que sonhamos é a liberdade. Nesse caso, há controversas, pois como o tabaco, estamos falando da propaganda de alimentos que trazem doença. Nossas crianças não têm opção e vão pelo maior sabor. Nesse ponto, começamos a perder a batalha contra a obesidade. Os pais, ainda que estejam motivados e sejam conscientes, não conseguem proteger seus filhos da propaganda agressiva e assim não conseguem conter o consumo. Mesmo que não comam em casa. A escola, o parque, o clube, o cinema, as festinhas, serão sempre situações de exposição e risco.

Em São Paulo, nós perdemos a chance de começar uma corrente de controle do braço forte da publicidade de alimentos no Brasil, com o recente veto do nosso governador. Apesar disso, em todo o mundo tem havido uma consciência a cerca da responsabilidade de todos.  Precisamos  medidas mais enérgicas e menos “polidas” da legislação no combate à publicidade de alimentos, sabidamente deletérios à saúde das crianças, ricos em sal, açúcar e gordura.

Observamos as recentes organizações civis nos Estados Unidos e no Reino Unido, em inúmeros projetos, documentos e mobilizações no sentido de pressionarem os governos a assumirem a parte que lhes cabe na luta contra a publicidade de alimentos ultraprocessados. Precisamos nos engajar nessa luta a começar pelo esclarecimento das pessoas em geral de que esses alimentos são como o tabaco, podendo causar doenças e levar a morte prematura. Nossas crianças merecem essa chance. 

Por Citen às 09h15

04/03/2013

A disfunção sexual na obesidade

O aumento da prevalência da obesidade no mundo revela a dimensão de suas complicações quando além das doenças metabólicas e cardiovasculares, passamos a nos deparar com  diversas queixas na esfera sexual. Em dezembro de 2012, uma grande revisão da literatura médica sobre o tema, publicada na revista Obesity, revelou os números alarmantes do comprometimento da sexualidade de homens e mulheres obesos.

Os 28 trabalhos científicos envolvidos na revisão demonstrou que obesos têm maiores índices de disfunção sexual quando comparados à população de peso normal com mesmo sexo e  idade. Embora as análises utilizem principalmente a disfunção erétil como parâmetro de função sexual, outros fatores como libido e satisfação sexual fazem parte da análise dos pacientes investigados.

Apesar do complexo mecanismo que envolve a esfera sexual humana, na obesidade outros fatores podem interferir de maneira a comprometer a função sexual. Neles estão envolvidas alterações hormonais e circulatórias, além da forte influência psicológica negativa enfrentada pelo obeso. Finalmente, tudo isso pode se agravar ainda mais, quando a obesidade se acompanha de comorbidades como diabetes e hipertensão arterial.

Essa recente revisão também abordou as diferentes formas de enfrentamento da disfunção sexual entre homens e mulheres. Elas falam mais sobre seus problemas para o seu médico do que os homens, mas em estudos populacionais, as queixas masculinas são mais frequentes que as femininas. Além disso, o impacto da imagem corporal da mulher obesa sobre a esfera psicológica pode comprometer a sexualidade feminina mais que a masculina, independente de outros fatores.

A boa notícia são os resultados unânimes dos estudos que revelam uma melhora em todos os parâmetros da função sexual com a perda de peso, independentemente se ela ocorreu através de dietas, medicamentos ou cirurgia para o tratamento da obesidade. Mais um motivo para que a obesidade seja entendida como doença e seu tratamento não seja encarado apenas com uma questão de estética. 

Por Citen às 20h08

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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