Blog Comer Sem Culpa

28/03/2013

As crianças são os melhores ingredientes da Páscoa

Há sempre uma oportunidade de transmitir às futuras gerações de adultos o que essa geração não pode receber. A Páscoa é uma delas. São os adultos quem transformam essa festividade em excessos gastronômicos e perdem a chance de ensinar aos pequenos, hábitos que podem ser muito importantes em sua vida futura.   

As crianças, normalmente, são muito vulneráveis e acostumadas, desde muito cedo, a receberem ovos da madrinha, dos avós, dos pais e dos tios. Todos muito bem intencionados, querendo presenteá-las com o maior e o mais novo lançamento do mercado de ovos de Páscoa. Com isso, estabelece-se um vínculo entre a festa e o excesso.

Com o surgimentos dos ovos recheados de brinquedos, nossas crianças passaram a criar  um outro vínculo, aquele estabelecido entre alimento e personagens de um mundo de sonhos e fantasias que  elas idealizam. Será que um personagem infantil sob a forma de um brinquedo pode influenciar o hábito alimentar de uma criança? Infelizmente sim. Eles passam a não entender a Páscoa sem muitos ovos e ovos sem brinquedos.

A nossa influência sobre as crianças pode ser exercida em não permitir  que elas recebam dúzias de ovos de  Páscoa e passem a comê-los um a um, até que tenham todos os brinquedos ou surpresas que recheiam essas guloseimas. Se o vínculo das crianças é com seus personagens e brinquedos favoritos, é melhor presenteá-las com brinquedos ao invés de chocolates. Essa é uma boa oportunidade de ensinar a elas que a festa pode ser muito divertida sem os excessos dos adultos. 

Por Citen às 19h34

27/03/2013

Páscoa com chocolates e sem culpa!

A Páscoa não deve ser encarada como uma ameaça às dietas. É motivo de festa e encontro entre amigos e familiares. Como toda data festiva, o cardápio envolve alimentos mais calóricos e oportunidades de degustá-los em maior quantidade... Há uma preocupação com as múltiplas ofertas nos corredores dos supermercados, que montam túneis com as mais variadas marcas e tamanhos de ovos de Páscoa, fazendo com que balancem todas as promessas de contenção de gastos e de calorias...

O prazer do chocolate

Apresentar-se como chocólatra parece mais uma resposta ou explicação para aliviar nossa culpa por não conseguirmos lidar com a dificuldade de controlar nosso consumo de chocolate. Não precisamos abolir o consumo desta iguaria, desde que consigamos comê-lo moderadamente, pois trata-se de um alimento muito calórico e rico em gordura saturada.

O que transforma a Páscoa num risco real à boa forma é o hábito de fazer dela uma oportunidade de consumo exagerado de chocolates, com o aval da festa. Às vezes, o consumo extra pode perdurar meses, até que o estoque infindável de ovos termine. Nesse caso, não há como se livrar da culpa e dos quilinhos a mais. Apesar disso, nada nos impede de escolher o nosso chocolate preferido e saboreá-lo com prazer. Pode ser ao leite, crocante, trufado, branco, meio amargo ou os recheados, desde que o consumo não exceda a cota calórica, que inviabiliza qualquer projeto de manutenção do peso. Perder peso consumindo chocolate não será um projeto fácil de ser viabilizado. Melhor aguardar a festa passar.

Colombas pascais

Tão tentadoras quanto os panetones no Natal, são as colombas na Páscoa. As colombas pascais, por mais incrível que isto possa parecer, conseguem ser tanto ou mais calóricas que os ovos de Páscoa. Com uma média de 200 a 250 calorias por uma fatia de 60g, essas iguarias contêm uma quantidade enorme de gordura saturada, e o que é pior, algumas ainda contêm gordura trans hidrogenada, o que já contraindica seu consumo, mesmo em pequenas quantidades.

Um pouco de bacalhau?

Mantendo a tradição do peixe da Sexta-Feira Santa, o bacalhau é bem vindo por todo o seu potencial nutritivo. É rico em vitamina B1, vitamina D, sódio, magnésio, proteínas, além de ácidos graxos ômega 3 e ômega 6 que são grandes aliados na prevenção  de doenças cardiovasculares, as gorduras benéficas que não aumentam o colesterol sangüíneo.

As bacalhoadas são pratos muito saborosos e saudáveis e podem fazer parte do nosso cardápio de Páscoa sem grandes temores. Para tanto, vale a receita infalível dos nossos ancestrais portugueses: bacalhau com batatas, cebola, pimentão, alho, tomate e azeite. Evite as variações com leite de coco, creme de leite, manteiga, queijos e ovos, que aumentam muito o valor calórico, o teor de gordura saturada e o colesterol.

Pensando apenas no azeite, já há motivos para preocupação com as calorias do prato, uma vez que 100g dele confere quase 900 calorias à receita. Para reduzir as calorias, basta reduzir a medida de azeite indicada na receita, com objetivo de  obter um prato saboroso, mas menos calórico.

 

Por Citen às 16h17

21/03/2013

Seu prato vale o quanto pesa?

Você tem idéia do quanto você come? Seria capaz de descrever num recordatório o que ingeriu no final de semana? Muito provavelmente sim. Pensando assim, você consegue entender os quilinhos a mais que você tem colecionado nos últimos meses ou ainda não entende de onde vem tantas calorias?

Primeiro você precisa entender que o peso de um alimento não traduz a quantidade calórica que ele contém. Por isso é que  muitas vezes você não entende que,mesmo comendo tão pouco, você não consegue se livrar dos quilinhos a mais e às vezes até engorda. Você pode não comer grandes volumes de alimento, mas certamente está se excedendo nas calorias.

A saída é passar a entender um pouco mais o valor calórico dos alimentos. Para começar, vamos pensar em seu café da manhã.  Uma média com leite integral e um pão com manteiga na chapa ou mesmo frio, contabilizamos cerca de 600 calorias, sem adicionar açúcar.  Mudando o recheio do pão para margarina light, queijo branco ou presunto de peru e o leite integral para o desnatado, você economizaria quase 300 calorias, simplesmente 50%. Preste atenção que o volume da refeição é o mesmo, mas as calorias... quanta diferença!

Seu almoço, por cautela, já não contém arroz com feijão. Geralmente nem passa de 350gramas e o tomate é o componente mais pesado do prato! Vamos contar as calorias nesse prato tão econômico: um gomo de lingüiça frita, uma colher de sopa de salpicão de frango, duas unidades de mine pastéis, uma colher de sopa de farofa,  uma rodela de tomate e duas folhas de alface. Surpresa! São 900 calorias sem contar o azeite! Aí você muito esforçado tira todas as frituras do seu prato -  pastéis e linguiça - e escolhe salgadinhos assados para substituir. Três inocentes empadinhas. Não adiantou nada, pois o saldo agora é de 1000 calorias. Sim meu amigo, você precisa saber que uma única empada tem o equivalente calórico de 3 colheres de sopa de arroz e uma concha de feijão!

Você poderia comer muito mais, por muito menos. Não é estratégia de marketing. Trata-se de uma simples equação nutricional inteligente. Vamos lá. Que tal duas colheres de servir de arroz, uma concha de feijão, um bife de alcatra acebolado, uma porção generosa de salada e uma fruta de sobremesa. Você só não vai economizar no bolso, pois o peso desse prato é quase o dobro do anterior, mas em termos calóricos, você vai economizar no mínimo 300 calorias, com o detalhe que terá uma sensação de saciedade muito mais prolongada.

Até agora com a possibilidade de troca de cardápio, foram simplesmente 600 calorias de economia e ao longo do seu dia. Se você puxar pela memória, vai se lembrar das famigeradas bolachinhas. Tão sequinhas e sem gosto, que poderiam mesmo passar despercebidas. Será? Vejamos. A cada quatro bolachinhas de água e sal você estará ingerindo a quantidade calórica de um pão francês. Por esse cálculo, você pode imaginar quantos pães está ingerindo ao longo do seu dia! Se por um desastre for bolacha recheada, saiba que a cada duas unidades, você estará agregando a quantidade calórica de uma barra de chocolate de 30 gramas, ou 150 calorias ao seu cardápio. Como é difícil acreditar que alguém coma duas bolachinhas recheadas...

Em casa tudo deveria ser mais fácil. Aí é que você se engana. Geralmente você não tem tempo nem disposição para cozinhar. Mas passeando pelo supermercado, você se deparou com uma torta de palmito. Totalmente assada. E porque não? Estava tão bem intencionado que inicialmente comeu apenas uma fatia. Cerca de 400 calorias. Mas isso foi no início da noite. Ao final, não deu para resistir e lá se foram todas as fatias da torta. Cerca de 1200 calorias! Ops! Essa era a recomendação calórica para o dia todo e não para uma refeição. No mesmo supermercado você poderia comprar ovos e champignon e preparar um omelete e saboreá-la com  um pão francês fatiado. Nada muito elaborado. Mas seriam apenas 350 calorias no seu jantar com mais uma economia de 850 calorias.

No total você comeu cerca de 3200 calorias, quando poderia ter ingerido cerca de 1500. Comendo mais e melhor. Talvez valha a pena você aprender um pouco mais sobre calorias para entender a sua dificuldade de perder peso.  

Por Citen às 10h06

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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