Blog Comer Sem Culpa

10/04/2013

Nossas escolhas determinam nosso destino ou ele é determinado por nossa genética?

É muito comum encontrarmos pessoas diabéticas sem nenhum antecedente familiar da doença. Por outro lado, vemos casos de filhos de pais diabéticos que se livram da terrível sina da doença. Casos como esses vêm comprovando que a hereditariedade nem sempre influencia o desfecho na saúde das pessoas. Somos também o produto nos nossas escolhas e estilo de vida.

Nos últimos anos, a ciência médica vem desvendando o enigma das alterações que podem comprometer nossa carga genética, mesmo quando a recebemos perfeita dos nossos pais. Trata-se da “Epigenética”, ou seja, a capacidade do ambiente em modificar o DNA causando sua lesão crônica e predispondo a ocorrência das doenças. Aqui, são nossas escolhas os determinantes do nosso destino, não a nossa herança.

Dentre os fatores lesivos ao DNA, o excesso de glicose tem comprovação mais do que certa. Em situações de excesso, o açúcar é capaz de se ligar irreversivelmente às proteínas gerando produtos altamente tóxicos às células. Isso favorece o envelhecimento e as doenças crônicas, dentre elas, a mais estudada, o diabetes.

Nesse cenário, vale a pena investir em um estilo de vida saudável através de escolhas adequedas que facilitem a manutenção dos níveis de glicose normais. Entre elas a obstinada busca pelo  peso ideal através de alimentação saudável e atividade física.  A epigenética é mais uma comprovação de que somos nós os determinantes do nosso destino. Não vale culpar nossos pais por esse destino ou deixá-lo nas mãos de Deus. 

Por Citen às 09h49

05/04/2013

É possível viver sem tomate!

O aumento do preço do tomate foi o assunto da semana. Entre economistas, donos de restaurantes e donas de casa. A conclusão da maioria deles é de que o melhor a fazer por enquanto é não comprar. Mas como podemos viver sem um alimento tão básico em nosso cardápio? E o famoso licopeno? Nosso aliado antioxidante mais conhecido!

Vamos aos fatos. A regra mais importante em alimentação saudável é a variedade dos alimentos. Dessa forma, a sazonalidade dos alimentos deve mediar nossas escolhas e o resultado é muito saudável, pois somos obrigados a variar, repensar nosso cardápio e assim consumir todos os tipos de nutrientes necessários para nossa saúde. Não deve ser diferente com o tomate!

Mas voltando ao valor nutritivo dos tomates. O problema é o tal do licopeno, um potente antioxidante, famoso na prevenção de câncer e doenças cardiovasculares. Sem pânico, o licopeno está presente em vários outros alimentos, lembrando que mesmo quando analisamos um único alimento, a concentração em licopeno é variável. Depende do grau de amadurecimento, local de plantio e forma de preparo.

São também ricos em licopeno o mamão, a goiaba, a pitanga e os derivados industrializados do tomate como o extrato, o molho e o katchup. É bem certo que esses derivados processados, apesar de uma grande concentração de licopeno, possuem quantidades extra de sódio e outros conservantes e corantes, inviabilizando o uso diário desses produtos. Além do mais, frutas e verduras de uma maneira geral são todos ricos em antioxidantes, que em conjunto são muito mais eficientes e completos do que um alimento isoladamente.

Nesse período de pressões inflacionárias e queda de braços entre produtores e consumidores, aproveite para aprender elaborar diferentes tipos de saladas e molhos. Mas por favor, fiquem longe os quatro queijos!

Por Citen às 21h31

01/04/2013

Como tratar corretamente a deficiência do hormônio tireoidiano

O hipotireoidismo, a deficiência na produção do hormônio tireoidiano, é uma das doenças mais comuns da endocrinologia. O seu tratamento é eficaz desde que a indústria de medicamentos conseguiu produzir a Levotiroxina, o hormônio produzido pela glândula tireoide normal. Isso significa que apesar das dificuldades do uso crônico de um medicamento ao longo da vida, a reposição pode ser perfeita e nenhum sintoma ou desconforto poderá ser delegado à deficiência hormonal quando o hipotireoidismo for corretamente tratado.

Não haverá ganho de peso como se pensa. Nem cansaço, sonolência, unhas fracas, queda de cabelos, alterações no ciclo menstrual e fertilidade nas mulheres com hipotireoidismo, uma vez que são elas as mais frequentemente afetadas. Para isso, basta tomar corretamente o precioso comprimido do hormônio da tireoide.

Parece fácil, mas não é. Muitos pacientes não conhecem os melindres desse hormônio e a forma correta de fazer seu tratamento. Outros até sabem, mas são vítimas das dificuldades enfrentadas por todos os portadores de doenças crônicas e não conseguem levar seus tratamentos adiante com a regularidade necessária.

Vamos lá. A primeira regra básica é não deixar que troquem seus medicamentos nas farmácias, pois geralmente não há bioequivalência entre eles. Segunda regra, você deve saber que a omissão de uma única dose diária pode levar a descompensação dos níveis hormonais durante uma semana inteira. Logo, quando esquecer de tomar o hormônio em jejum, como preconizado, tome após três horas do café da manhã e aguarde uma hora para almoçar. Não é ideal, mas é melhor do que não tomar o medicamento naquele dia. Terceira regra, o hormônio tireoidiano não pode ser ingerido com nenhum alimento ou outro medicamento e necessita  de no mínimo meia hora para isso. Quarta, as necessidades do hormônio tireoidiano podem se alterar quando o paciente toma outros medicamentos, mas principalmente na gestação. Nessa condição, a gestante requer a correção para mais  25 a 30% da dose utilizada e isso será muito importante para o seu bebê. Quinta, a dosagem sanguínea para aferir a adequação do tratamento deve ser feita através de coleta de sangue realizada antes da tomada diária do hormônio, em jejum, ou muitas horas após a tomada, no período da tarde por exemplo.

As dosagens hormonais devem ser feitas duas vezes ao ano, quando o paciente já alcançou a dose ideal. Fora dessa condição, os intervalos podem ser menores como ocorre quando mudamos a dose para mais ou para menos. Nesse caso, o exame deve ser feito em torno de seis semanas após a mudança na dosagem.

Essas medidas permitem que os pacientes com hipotireoidismo possam se beneficiar do tratamento mais eficaz em reposição hormonal da endocrinologia. Como ele, eles podem ser considerados normais do ponto de vista tireoidiano, como se não tivesses nenhum problema com a função da glândula. 

Por Citen às 10h49

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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