Blog Comer Sem Culpa

22/05/2013

A polêmica redução do iodo do sal brasileiro

Em meados do mês de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a redução do teor de iodo adicionado ao sal no Brasil. Desde que foi implementada na década de 50, a iodação do sal vem sofrendo mudanças, ora para mais, ora para menos, numa busca pela proporção ideal para a saúde das pessoas. O método é usado em todo o mundo para evitar dois grandes problemas de saúde pública: o bócio endêmico, que é o aumento do volume da glândula tireoide, conhecido como “papo” e o cretinismo, o retardo mental de graus variáveis de crianças nascidas de mães que consumiram iodo abaixo das suas necessidades.

A alegação da agência reguladora brasileira é de que algumas pesquisas em andamento vêm revelando que nós brasileiros estamos ingerindo muito iodo e esse consumo excessivo também seria maléfico.  Poderia levar à ocorrência de um maior número de inflamação da tireoide em pessoas susceptíveis, levando ao hipotireoidismo.

Por incrível que possa parecer, não é a concentração de iodo no sal que está alta, mas sim o nosso consumo de sal. O brasileiro ingere em média 10 gramas de sal por dia, ao invés das 5 gramas preconizadas e com ele, muito mais iodo do que precisa. O grande problema é que nas cidades do interior, o brasileiro que come menos comida industrializada, rica em sal, pode novamente sofrer as consequências de uma alimentação pobre em iodo.  

Essa medida da Anvisa expõe nosso flanco. A mais difícil medida de saúde pública, que é a redução do teor de sal dos alimentos industrializados. Assim, ao invés disso, a agência determina a redução do teor de iodo no sal, atestando sua incapacidade, pelo menos por hora, em garantir que a indústria reduza o conteúdo de sal dos alimentos. Trata-se de uma solução paliativa, que põe em risco principalmente gestantes e crianças.

O sal ainda é o principal conservante utilizado pela indústria de alimentos para que seus produtos tenham maior durabilidade nas prateleiras dos supermercados. Dos refrigerantes às bolachas. Das massas aos molhos industrializados. Dos doces às carnes processadas. Nada está livre das altas concentrações de sal. Eis aí um dos maiores desafios do mundo moderno por uma alimentação saudável. Sem falar nos problemas relacionados à tireoide, o consumo excessivo de sal nos alimento industrializados eleva as taxas de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares e impõe um alto custo aos governos e à sociedade.

Ao invés de reduzir o teor de iodo no sal, esperávamos da Anvisa medidas mais austeras em relação à redução do teor de sal dos alimentos industrializados. Mas esse não é um problema da nossa agência, pois o mundo todo se encontra exposto aos riscos do excesso de sal e por enquanto as agências e governos estão de joelhos frente ao poder da indústria de alimentos, cujo lucro depende da durabilidade dos alimentos. 

Por Citen às 08h40

17/05/2013

Aprender a cozinhar. Eis uma atitude inteligente, moderna e revolucionária!


Aprender a cozinhar. Eis uma atitude inteligente, moderna e revolucionária no século XXI. Apesar de pratica, a atitude de abrir latas, dissolver “shakes”, diluir sopões e comer os mesmos lanches todas as noites tem nos deixado insatisfeitos com a monotonia do que comemos e elevado à ocorrência de obesidade a cifras alarmantes.

As evidências científicas têm mostrado que as cápsulas vitamínicas não funcionam como comer frutas e verduras e  precisamos entender que as nossas crianças precisam da chance de um vínculo com os alimentos saudáveis antes de serem seduzidas pelo sabor dos alimentos industrializados - muito salgados ou muito doces e sempre ricos em gordura, dando a impressão de que o resto é muito sem graça.

A maioria das doenças crônicas tem nos alimentos a sua mais valiosa arma terapêutica. Qualquer livro de clínica médica descreve o tratamento das doenças sempre começando pela dieta. Assim é com o diabetes, com a hipertensão arterial, com a aterosclerose, com as doenças cardiovasculares, com a obesidade, com as doenças inflamatórias intestinais e doença diverticular do intestino, com as complicações da elevação do ácido, com os cálculos do trato urinário, com as alergias e intolerâncias alimentares e uma lista interminável de males, nos quais a dieta interfere diretamente no tratamento.

Antes de iniciarmos uma terapia nutricional, nós precisamos nos desvencilhar dos mitos, da idéia de que dieta é sinônimo de restrição e alimento sem sabor. Precisamos investir em conhecimento nutricional, ser criativos e encarar com bom humor nosso novo plano alimentar. A partir daí descobriremos que a vida continua apesar das dietas, pois elas podem ser versáteis, saborosas e compatíveis com a felicidade.

Evoluímos com a liberdade que alcançamos em todas as esferas e dividimos as tarefas domésticas até o ponto dos homens também prepararem o jantar e das crianças ajudarem na cozinha e darem palpites no cardápio. Preparar refeições saudáveis passou a ser uma tarefa de todos nós. Podemos realizá-la de maneira prazerosa e criativa, desde que entendamos que os maiores beneficiados seremos nós.

Assar a cebola e sentir seu sabor agora adocicado, fritar o alho e permitir que seu perfume acompanhe saladas verdes, usar o gengibre, a hortelã, a pimenta rosa... Inventar sabores e compreender seus benefícios como um alquimista vaidoso de seus poderes e finalmente, comemorar cada descoberta nesse mundo fantástico da culinária.

 

Por Citen às 08h36

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

Histórico