Blog Comer Sem Culpa

28/11/2013

A moda agora é comer gordura para emagrecer

Como assim? E eu que já pensava ter visto e ouvido tudo de maluco em forma de dieta de moda! Todos os dias, mais e mais pacientes chegam ao consultório relatando que vem ingerindo gordura para emagrecer. Óleo de coco, óleo de cártamo, óleo de abacate, óleo de chia e de linhaça. Alegam que são ricos em ômegas, as famosas gorduras do bem, que têm ação termogênica, que aceleram o metabolismo, que aumentam a saciedade, que retardam o esvaziamento do estômago...

Vamos aos fatos. O óleo de coco aumenta o risco de doença cardiovascular e não temos nenhuma evidência dos seus benefícios. O óleo de cártamo é rico em ômegas 3 e 6, mas essas gorduras também estão presentes nos óleos vegetais tão conhecidos nossos como o de soja, canola e milho. Cozinhando com eles, já teremos os benefícios.  O óleo do abacate é rico em ômega 9, a mesma gordura boa do azeite. Melhor seria usar azeite na salada e comer o abacate. Os óleos de chia e linhaça ajudam na saúde do coração, mas não há evidências de que levam à perda de peso e suas sementinhas seriam muito mais saudáveis, por serem ricas em fibras, do que o consumo da sua gordura.

Mesmo com todas as evidências, as pessoas precisam de uma novidade anualmente. Mesmo que seja totalmente impossível de haver alguma relação com a perda de peso. Parece que somente assim conseguem levar em frente um projeto para emagrecer. O fato é que passam a comer menos, ingerem mais água, reiniciam atividade física, se sentem motivadas e perdem peso. E juram que as várias colheres de óleos ingeridas ao longo do dia foram milagrosas! 

Por Citen às 14h42

26/11/2013

Uma nova medicação para reposição hormonal masculina e muita cautela nessa hora

No homem a redução dos hormônios sexuais ocorre de maneira muito mais sutil que na mulher. Não há uma queda tão definida nem um fenômeno tão marcante quanto  a menopausa. O que sabemos é que neles, a testosterona, o principal hormônio masculino, começa a cair por volta dos 40 anos de idade e daí por diante a perda pode alcançar 1 a 2% da produção hormonal masculina anualmente.

Os sintomas também não são nada característicos como na mulher. Nelas, as ondas de calor não deixam dúvidas de que o climatério chegou. Neles, o declínio dos hormônios sexuais masculinos, a chamada andropausa, ainda não é aceita por muitos estudiosos no assunto. Isso porque seus sintomas lembram muito mais o processo de envelhecer e não ocorrem como um fenômeno fisiológico em todos os homens.

A disfunção erétil e a redução da libido talvez sejam os sintomas mais característicos da andropausa. Mesmo assim, a sexualidade pode sofrer influências de muitas outras causas orgânicas e psíquicas e que nada tem a ver com o declínio do hormônio masculino. Por isso, o diagnóstico deve sempre ter a comprovação das dosagens desse hormônio, além dos sintomas.

Além das alterações da esfera sexual, os demais sintomas que acompanham a redução da testosterona são ainda menos específicos. Redução da massa muscular e óssea, fadiga crônica e desânimo são queixas de muitos homens após os 50 anos e a maioria deles não tem a queda de testosterona que nos permite fazer o diagnóstico de andropausa. Talvez o stress da vida moderna, as demandas profissionais e familiares e a própria expectativa masculina possam estar atuando com mais força do que o declínio hormonal.

Uma vez estabelecido o diagnóstico, a reposição do hormônio masculino pode ser realizada desde que não haja contra-­indicações. As mais importantes são as doenças da próstata ou até as alterações inespecíficas do PSA. Hoje, no Brasil, nós contamos com três medicamentos com hormônio masculino para reposição hormonal, todos eles injetáveis. Uma nova formulação à base de testosterona está chegando ao mercado brasileiro sob a forma de desodorante e deverá ser usado diariamente, pela manhã.

Há, entretanto, riscos que devem ser monitorados, principalmente devido ao potencial da testosterona em agravar a tendência do aumento da próstata que ocorre com a idade e em estimular uma doença prostática não diagnosticada, entre elas, o próprio câncer de próstata. É bem certo que o hormônio masculino não causa o câncer de próstata, mas também é definitivo o conhecimento de que ele pode ser o gatilho para o crescimento de um tumor maligno até então inativo. Outras complicações do uso crônico do hormônio masculino são o crescimento das mamas, efeitos tóxicos para o fígado, aumento do colesterol e maior risco de hipertensão arterial e apneia do sono.

A reposição hormonal só está indicada para os homens com níveis baixos de testosterona e sintomas sugestivos do efeito dessa alteração. Estima-se que 3 a 30% dos homens se enquadram nesse perfil e somente eles são candidatos à suplementação. São candidatos, pois mesmo eles, podem ter contra indicações ao uso da medicação. 

Por Citen às 14h42

25/11/2013

O que muda no tratamento do colesterol?

O tratamento do colesterol é um item tão importante em medicina que de tempos em tempos surgem novas diretrizes que norteiam a comunidade médica mundial no sentido de seguirem novas evidências e conduzirem seu tratamento de forma padronizada.  Diferente da opinião de algumas pessoas, isso é muito bom, pois a ciência é baseada em estudos que hora consagram um tratamento, hora abandonam outros. Recentemente, duas das mais respeitadas associações de cardiologia propuseram novas diretrizes para o tratamento do colesterol.

Vamos começar pelo que não muda. O colesterol continua sendo um dos mais importantes fatores de risco mutáveis no que se refere à morte por doenças cardiovasculares. A genética desfavorável, nós não conseguimos mudar, mas o colesterol sim. Sabemos que podemos reduzir em até 50% as chances de um infarto quando reduzimos o colesterol à normalidade, principalmente quando ele está muito elevado. A redução da mortalidade é proporcional à redução do colesterol. Vale à pena investir nisso.

Não muda também a noção de que os medicamentos do grupo das estatinas (sinvastatina, atorvastatina e rosuvastatina) mudaram a história natural das doenças cardiovasculares. Ao que tudo indica, a ação desses medicamentos vai muito além da redução do colesterol. Eles interferem também no processo de aterosclerose, nome dado ao enrijecimento progressivo das artérias, forradas por placas de colesterol. Essas lesões causam elevação da pressão arterial, obstruem os vasos sanguíneos e causam lesões definitivas em órgãos nobres como coração (infarto), cérebro (derrame) e rins (insuficiência renal).

Continua valendo a importância atualmente dada ao uso das estatinas a todos os pacientes com doenças cardiovasculares prévias e aos diabéticos em geral. Com raras exceções, eles devem tomar esses medicamentos, independente de seus valores de colesterol. Na verdade, esses pacientes são os de maior risco para um infarto ou um derrame no caso dos diabéticos ou para um segundo evento naqueles que já sofreram um infarto.

Nas recentes diretrizes, ganha ainda mais atenção os chamados fatores de risco. Eles incluem idade, sexo, tabagismo¸ valores do colesterol LDL e hipertensão arterial. De acordo com um cálculo bem definido chamado “Risco de Framingham,” nós podemos avaliar a percentagem de risco de um infarto nos próximos 10 anos.  De acordo com as diretrizes atuais, muda  a indicação de estatina para  pessoas com colesterol normal caso ela tenha um Risco de Framingham elevado.  Logo, o uso das estatinas passou a ser indicado para reduzir o risco cardiovascular, mesmo em pacientes com valores normais de colesterol.

 

Outra mudança importante foi a indicação das estatinas para todas as pessoas com LDL maior ou igual a 190mg/dL independente dos fatores de risco e para todas aquelas cujo Risco de Framingham seja maior ou igual a 7,5%, valor muito abaixo dos 20% definidos anteriormente.

Por Citen às 09h14

18/11/2013

O Diabetes no século XXI

Após longos anos às voltas com o controle das doenças infecciosas, a ciência lança seu olhar e todos os seus esforços para a prevenção e tratamento das doenças crônicas e degenerativas. Dentre elas, o diabetes ocupa um lugar de destaque pelo seu potencial epidêmico, driblando todas as medidas de controle até então implementadas.

Dois cenários, particularmente novos, chamam atenção com relação ao diabetes. O primeiro deles são as crianças com sobrepeso e obesidade, que desenvolvem um tipo de diabetes que só conhecíamos entre os adultos acima dos 40 anos. O segundo são os idosos com diabetes, fato novo para todos nós que lidamos com a doença, pois esses  pacientes até há pouco tempo não alcançavam a senilidade, falecendo precocemente pelas complicações da doença.

Nas crianças, o desafio é a mudança de estilo de vida necessária às famílias, sem a qual nunca chegaremos ao controle da doença. Nesses casos, o fator determinante do diabetes é o sobrepeso, secundário ao consumo de alimentos industrializados, ricos em gordura e carboidratos, associado ao sedentarismo. O futuro dessas crianças com obesidade e diabetes em fases tão precoces da vida será a possibilidade de complicações cardiovasculares também precoces e uma geração com menor sobrevida que seus pais.  

Nos idosos, o diabetes também revela nuances totalmente novas. Nesses casos, os medicamentos devem ser adequadamente selecionados e as metas glicêmicas redefinidas, tendo em vista a coexistência de síndromes geriátricas como depressão, doenças cerebrais, baixo peso e alterações circulatórias tão comuns nessa faixa etária. Além disso, esses pacientes são mais vulneráveis às hipoglicemias ou baixa do açúcar no sangue.

Dessa forma, o diabetes é sempre um desafio, pois muda seu espectro de ação como os vírus reciclam seu DNA ano a ano, requerendo vacinas diferentes a cada ciclo. É uma doença nova no século XXI, muito diferente daquela que conhecemos e estudamos há 30 anos em nossas aulas de endocrinologia e nutrição na faculdade. 

Por Citen às 15h21

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

Histórico