Blog Comer Sem Culpa

09/12/2013

Obesidade e Depressão

Todos os dias nós atendemos obesos deprimidos em nossos consultórios. Nos divãs dos analistas é grande a incidência de obesos. Não há dúvida quanto à associação de obesidade e depressão. Cerca de 30% das pessoas que procuram tratamento para emagrecer são depressivos. Além é claro dos inúmeros casos de melancolia e tristeza em lidar com algo tão difícil, ter que se policiar sempre, não poder se soltar nunca. Nas consultas médicas que tratam o assunto, o choro é a regra.

A ideia que temos de nós mesmos é um grande impulso para o sucesso ou para a derrota em todos os embates da vida. Os obesos carregam “o peso” de que não são capazes de vencer a guerra contra a balança, principalmente após inúmeras tentativas frustradas de emagrecer.  Eles até continuam tentando perder peso, mas sem nenhuma confiança de que isso seja possível. Quando eles vêm ao consultório, nosso grande desafio é fazê-los acreditar que podem perder peso.

As frustrações em relação à imagem corporal começam na infância gerando conflitos na escola. Avançam pela puberdade, onde já existe uma insatisfação com as formas corporais e alcançam o adulto que sofre preconceitos velados e dificuldades reais como se posicionar em assentos públicos, comprar roupas adequadas à sua numeração e se enxergar tão fora dos rigorosos padrões de beleza corporal. Tudo isso concorre para uma atitude de isolamento social, baixa autoestima e depressão.

Quem vem primeiro, a obesidade ou a depressão? Sempre pensamos que a obesidade leva à depressão, mas muitas vezes, a depressão leva à obesidade. Isso pode ocorrer quando a depressão se acompanha de ansiedade e compulsão alimentar. Além disso, a maioria dos medicamentos utilizados para o tratamento da depressão leva ao ganho de peso e isso não pode ser desconsiderado na avaliação desses pacientes.

Os sintomas depressivos também podem estar mascarados pelos sintomas da obesidade. É comum entre os obesos sinais de apatia, sonolência, dores no corpo, desânimo e fadiga, muito freqüentes também nos quadros depressivos. Há poucos dias, foi publicado na revista Clinial Obesity  mais um estudo sobre esse tema. Nele, os autores chegam à conclusão de que nas pessoas obesas que optam pela prática de atividade física regular, a ocorrência de depressão é menor. Esse efeito pode ser constatado diariamente entre os nossos pacientes obesos. Eles se mostram mais motivados e otimistas quando engajados em uma prática diária de atividade física, principalmente quando ela for prazerosa e adequada ao perfil de cada um deles. Vale à pena investir nisso! 

 

Por Citen às 11h42

03/12/2013

A obesidade masculina e risco de câncer de próstata

O câncer de próstata é o segundo câncer mais frequente nos homens brasileiros e a boa notícia é que com a evolução dos métodos diagnósticos e prevenção, a Sociedade Brasileira de Urologia tem sido mais liberal com o momento ideal para se iniciar as consultas urológicas e os exames específicos. Essa é uma tendência mundial. De agora em diante, eles deverão começar o acompanhamento a partir dos 50 anos de idade e não mais aos 45 anos como se preconizava anteriormente.

As orientações são bem diferentes para os homens obesos. Neles, vários aspectos tornam o câncer de próstata mais agressivo, além de dobrarem as chances de recidiva após a cirurgia inicial de um tumor. Os valores do PSA são mais diluídos no grande volume sanguíneo dos obesos e caem normalmente com o aumento do peso, falseando o diagnóstico. Nos obesos há aumento relativo do hormônio feminino e queda do masculino e isso pode influenciar negativamente a incidência de tumores. O aumento natural do volume prostático nesses pacientes, bem como a dificuldade técnica de se fazer uma biópsia de próstata dificultam o procedimento e atrasam o diagnóstico. Finalmente, os obesos geralmente têm maiores níveis sanguíneos de insulina e de um hormônio similar a ela chamado IGF-1 que estimulam o crescimento celular e a possibilidade de formação de tumores.

Portanto, a boa nova vale apenas para os homens não obesos, pois para esses, o momento ideal para se realizar tais procedimentos de investigação ainda é em torno dos 45 anos. Nesse sentido, temos aqui mais um dos grandes desafios da obesidade. Sua inquestionável predisposição ao câncer, sendo o câncer de próstata um claro exemplo disso.  

Por Citen às 14h14

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Sobre o blog

Comer corretamente pode parecer uma tarefa impossível nos dias de hoje. O tempo é curto, a ansiedade generalizada e as informações são, muitas vezes, simplistas e tendenciosas, idealizando alguns alimentos e difamando outros. Esquecemos da premissa que, em Nutrição, não existem alimentos ruins, e sim dietas inadequadas. A idéia deste blog é esta - mostrar que a dieta ideal é possível e prazerosa. Juntos, podemos controlar calorias e balancear os nutrientes, respeitando as nossas emoções.

Sobre as autoras

Dra. Ellen Simone Paiva -

Endocrinologista e nutróloga, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional). Mestre na área de Nutrição e Diabetes pela USP e especialista em Transtornos Alimentares pela Unifesp. Colunista dos sites Minha Vida, Guia do Bebê e do Blog de Especialistas da Dican.


Dra. Amanda Epifânio Pereira -

Nutricionista, especialista em Nutrição de Doenças Crônicas pelo Hospital Israelita Albert Eistein e em Transtornos Alimentares pela Unifesp.

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